Monteiro Lobato

O MINOTAURO

Capítulos 05 e 06

 

05 – Discussões em Atenas

         Enquanto se desenvolvia a conversa de Dona Benta com os dois gregos, os meninos examinavam as estátuas, os móveis, as pinturas das paredes.

         – Coitados! – exclamou Narizinho. – Estão completamente tontos. Não entendem nada do que vovó diz.

         – Pois eu estou entendendo tudo nesta casa, e estou até adivinhando que ali dentro é o lugar dos comes – cochichou Emília, apontando para uma sala vizinha. – Vamos espiar?

         Espiaram pela porta. Sala das refeições, sim. Uma escrava punha à mesa o almoço de Péricles – pão, queijo, mel, vinho, uvas e figos – daqueles maduríssimos que fazem vir água à boca.

         Narizinho e Pedrinho lamberam os beiços. A servente sorriu e aproximou-se com três figos na mão, um para cada um.

         – Quem no mundo vai acreditar – disse Narizinho, abrindo o seu – que já comemos figos na casa de Péricles? E que bom está! Um melado… Continue lendo “Monteiro Lobato”

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Capítulos 03 e 04

 

03 – Desembarque na Grécia de Péricles

         O “Beija-flor das Ondas” já havia penetrado em mares gregos. Pelo binóculo Emília pôde ver a linha das costas. – Terra! Terra! Estamos chegando… Uma hora depois o iate entrava no Porto do Pireu e descia a âncora. Os meninos olharam. Um porto como todos os portos. Moderno. Carregadores, automóveis, fardos e caixões, guinchos de máquinas, tudo muito desenxabido. Não interessou.

         – Nem vale a pena descer, vovó – disse Pedrinho. – O verdadeiro é darmos daqui mesmo o mergulho no século de Péricles.

         Todos concordaram e, fechando os olhos, fizeram tchibum! Foram sair lá adiante, em plena Grécia de Péricles. Tudo mudou como por encanto. O porto ainda era o mesmo, mas estava coalhado de navios muito diferentes dos de hoje. Nada de chaminés fumacentas; só mastros, com muito cordame e velas branquinhas.

         Dona Benta desceu ao cais com os netos, a Emília e o Visconde fardado de comandante; e a primeira coisa que notou foi a moda da gente do porto. Tudo ‘diferente das modas modernas. Nada de calças e paletós para os homens, e blusas e saias para as mulheres. Os homens vestiam uma túnica de nome chiton. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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Capítulos 01 e 02

 

01 – Uma aventura puxa outra

         Os leitores do “Picapau Amarelo” fatalmente desapontaram com o desfecho da história. A grande festa do casamento do Príncipe Codadade com Branca de Neve acabou violentamente interrompida pelo ataque dos monstros da Fábula. Dona Benta, Pedrinho, Narizinho, Emília e o Visconde conseguiram salvar-se pela fuga, a bordo de “O Beija-flor das Ondas” mas a pobre tia Nastácia, que se distraíra nas cozinhas do palácio com o assamento de mil faisões, perdeu-se no tumulto. Fora atropelada, devorada ou aprisionada pelos monstros? Ninguém sabia.

         Só depois do desastre é que Dona Benta e os meninos puderam ver o quanto a estimavam. Que choradeira! Quindim derruba o focinho… O Burro Falante desistiu da sua habitual ração de fubá. Só não choraram Emília e Pedrinho; Emília porque “não era de choros”; e o menino, porque andava com uma ideia de bom tamanho.

         – Nada de lágrimas, pessoal! – dizia ele. – O que temos a fazer é organizar uma expedição para o salvamento de tia Nastácia. Se está viva nas unhas de algum monstro, havemos de libertá-la, custe o que custar. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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