Monteiro Lobato

Histórias de Tia Nastácia

Capítulos 41, 42, 43 e 44 (último)

 

41 – O rato orgulhoso

Um rato fazedor de grande ideia de si mesmo, vivia esperando ocasião de realizar coisas que mostrassem a sua importância. Certa noite acordou de sobressalto. A casa estava queimando. O rato ficou aflitíssimo, sem saber como escapar.

As labaredas, porém, cresciam e ele teve de resolver-se; ou ficava ali, e morria assado, ou escapava. Fechou os olhos e lançou-se ao fogo. Mas; sem saber como, não se queimou. Achou-se lá fora, sem o menor tostadinho no pêlo. Isto o encheu de enorme orgulho.

— Qual! Sou mesmo diferente dos outros. Nem as chamas têm coragem de me queimar…

Passeou por ali uns instantes e voltou a ver o estado do incêndio. Só então percebeu que não tinha havido incêndio nenhum. Os raios do sol, que se ia erguendo, é que lhe deram a impressão de fogo.

O rato suspirou. A sua importância não era o que ele havia suposto. Mas que fazer para provar tal importância? Continue lendo “Monteiro Lobato”

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Monteiro Lobato

Histórias de Tia Nastácia

Capítulos 35, 36, 37, 38, 39 e 40

 

35 – O jabuti e o lagarto      

         Era uma onça que tinha uma filha no ponto de casar-se. Havia dois pretendentes: o lagarto e o jabuti. Para desmoralizar o rival, o jabuti andou dizendo que o lagarto não valia nada, que era bicho tão à-toa que ele jabuti até o usava como cavalo. Como a onça duvidasse, o jabuti ficou de aparecer montado no lagarto, e dar-lhe de chicote e espora na vista de todos.

         No dia seguinte o jabuti ficou à porta de sua casa com um lenço amarrado na cabeça. Chega o lagarto.

         — Compadre jabuti, vou indo para a casa da onça. Não quer ir comigo?

         O jabuti agradeceu o convite — mas ir como, se estava com uma dor de cabeça furiosa? Continue lendo “Monteiro Lobato”

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Histórias de Tia Nastácia

Capítulos 30, 31, 32, 33 e 34

 

30 – O pinto sura

Era uma vez um pinto diferente de todos os mais pintos do galinheiro. Que culpa tinha ele disso? Nenhuma. No entanto, todos judiavam dele — vejam só! — porque era sura…

O pobrezinho nem comer em paz podia. Na hora do milho, era zás! uma bicada daqui, zás! uma bicada dali, enquanto os outros, sossegadamente, enchiam o papo até estufar.

E se apanhava algum bichinho, grilo ou içá, era aquela certeza: a galinhada inteira punha-se a correr atrás dele até tomar o petisco.

Por causa disso o pinto sura vivia sempre com fome, encolhidinho pelos cantos, magro e mandigüera…

Certo dia perdeu a paciência. Um frangote carijó, que andava de namoro com umas frangas amarelas, deu-lhe, à vista dessas meninas de penas, uma tal sova de bicadas que o deixou descadeirado. As frangas entusiasmaram-se com a valentia do carijó, riram-se à grande do triste sovado que nem suster-se em pé podia. E chegaram, mesmo, a compor um versinho: Continue lendo “Monteiro Lobato”

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