Monteiro Lobato

Histórias de Tia Nastácia

Capítulos 35, 36, 37, 38, 39 e 40

 

35 – O jabuti e o lagarto      

         Era uma onça que tinha uma filha no ponto de casar-se. Havia dois pretendentes: o lagarto e o jabuti. Para desmoralizar o rival, o jabuti andou dizendo que o lagarto não valia nada, que era bicho tão à-toa que ele jabuti até o usava como cavalo. Como a onça duvidasse, o jabuti ficou de aparecer montado no lagarto, e dar-lhe de chicote e espora na vista de todos.

         No dia seguinte o jabuti ficou à porta de sua casa com um lenço amarrado na cabeça. Chega o lagarto.

         — Compadre jabuti, vou indo para a casa da onça. Não quer ir comigo?

         O jabuti agradeceu o convite — mas ir como, se estava com uma dor de cabeça furiosa? Continue lendo “Monteiro Lobato”

Visitas: 203

Monteiro Lobato

Histórias de Tia Nastácia

Capítulos 30, 31, 32, 33 e 34

 

30 – O pinto sura

Era uma vez um pinto diferente de todos os mais pintos do galinheiro. Que culpa tinha ele disso? Nenhuma. No entanto, todos judiavam dele — vejam só! — porque era sura…

O pobrezinho nem comer em paz podia. Na hora do milho, era zás! uma bicada daqui, zás! uma bicada dali, enquanto os outros, sossegadamente, enchiam o papo até estufar.

E se apanhava algum bichinho, grilo ou içá, era aquela certeza: a galinhada inteira punha-se a correr atrás dele até tomar o petisco.

Por causa disso o pinto sura vivia sempre com fome, encolhidinho pelos cantos, magro e mandigüera…

Certo dia perdeu a paciência. Um frangote carijó, que andava de namoro com umas frangas amarelas, deu-lhe, à vista dessas meninas de penas, uma tal sova de bicadas que o deixou descadeirado. As frangas entusiasmaram-se com a valentia do carijó, riram-se à grande do triste sovado que nem suster-se em pé podia. E chegaram, mesmo, a compor um versinho: Continue lendo “Monteiro Lobato”

Visitas: 88

Monteiro Lobato

Histórias de Tia Nastácia

Capítulos 25, 26, 27, 28 e 29

 

25 – O veado e o sapo

         Um veado e um sapo queriam casar com a mesma moça. Para decidirem a questão fizeram uma aposta.

         — Temos aqui esta estrada compridíssima. Vamos correr — propôs o veado. — Quem chegar primeiro, casa com a moça.

         O sapo concordou, e marcaram a prova para o dia seguinte.

         O veado saiu dali dando boas risadas. Um pobre sapo ter a pretensão de apostar corrida com quem? justamente com ele, que era o animal de maior velocidade que existe! Ah, ah, ah!…

         Mas o sapo usou da esperteza. Reuniu cem companheiros, aos quais contou o caso, combinando o seguinte: de distância em distância, à beira da estrada, ficaria escondido um sapo, com ordem de gritar “Gulugubango, bango, lê”, sempre que o veado passasse por ele e cantasse “Laculê, laculê, laculê”. Enquanto isso, o sapo apostador ficaria, no maior sossego, esperando o veado no fim da estrada. Continue lendo “Monteiro Lobato”

Visitas: 216