Monteiro Lobato

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O Minotauro

Capítulos 15 e 16

 

15 – Batatas e Sócrates

         O jantar correu animadíssimo. Dona Benta reclinava-se no seu coxim, colocado entre o da dona da casa e o de Sócrates. Do outro lado da mesa, muito mais baixa que as modernas, reclinava-se Narizinho, entre Fídias à direita e Herodoto à esquerda. Uma coroa de rosas cingia a testa de todos os comensais. A conversa girou sobre vários assuntos e por fim caiu sobre a arte culinária.

         – Pois é – disse Dona Benta – a razão da nossa viagem a estes séculos foi uma razão ao mesmo tempo sentimental e culinária: a procura de tia Nastácia, que é nossa amiga e nossa cozinheira. E que cozinheira! Como sabe manejar o violino do “gostoso” e tirar dele mil harmonias! O mais simples guizado, um picadinho com batatas, um virado de feijão com torresmos, um vatapá, tudo enfim que sai de suas panelas, está para o que chamamos comida, como os mármores ali dos Senhores Fídias e Policleto estão para as esculturas comuns. Perfeitas obras-primas.

         – E os bolinhos, vovó? – lembrou a menina, do outro lado da mesa. – Os bolinhos de tia Nastácia já estão famosos no Brasil inteiro. Quantas cartas a senhora não recebe das crianças, pedindo a receita dos bolinhos de tia Nastácia? Continue lendo “Monteiro Lobato”

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O Minotauro

Capítulos 13 e 14

 

13 – Em procura de Hércules

         O pastor já estava desperto quando os três heróis lhe bateram a porta. Ergueu-se, assustado. “Quem será?” Correu a abrir.

         – Viva! – exclamou Pedrinho. – Desta vez quem madrugou fomos nós.

         O pastorzinho, surpreso, pediu explicações, e ao ouvir a história da subida ao Olimpo, sorriu. Tomou o caso como invenção das crianças.

         – Não quer acreditar? – disse Emília, tirando da maleta o vidrinho de néctar. – Olhe para isto, cheire, prove…

         O pastor olhou, cheirou, provou e ficou na mesma.

         – Parece mel, mas um mel diferente de todos que tenho visto.

         – Mel o seu nariz! Fique sabendo que é o legítimo néctar dos deuses. Entramos no Olimpo, sim, e vimos tudo, e furtamos esta amostra de néctar e ainda um bom pedaço de ambrosia, que comemos regaladamente. Tal qual curau, uma coisa feita de milho verde, que você não conhece porque nem sabe o que é milho. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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O MINOTAURO

Capítulos 11 e 12

 

11 – O sonho de Pedrinho

         Pedrinho sonhou. Sonhou que estava sentado numa pedra, com os olhos nos carneiros do rebanho. Súbito, foram se sumindo os carneiros e apareceu uma estrada que ia perder-se nas montanhas azuis.

         Um vulto vinha vindo pela estrada. Um homem… Um velho de andar trôpego…

         O velho chegou e sentou-se na pedra.

         – É daqui? – perguntou-lhe Pedrinho.

         – Sou de todos os lugares e de todos os tempos. Sou a História.

         Pedrinho encarou-o, surpreso. O velho não era mais o velho, sim uma deidade semelhante a certa figura feminina que ele vira no Partenão, com a cara de musa.

         – Como se chama isto por aqui, senhora musa? Continue lendo “Monteiro Lobato”

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