Monteiro Lobato

O PICAPAU AMARELO

 Capítulos 24, 25 e 26

  

24 – Os visitantes

Dona Benta nunca deixou que os meninos dessem o seu endereço a ninguém, e isso porque milhares de crianças andavam ansiosas por passar temporadas lá — e se soubessem onde o sítio era, seriam capazes de abandonar tudo pelo gosto de conhecer a Emília e experimentar os bolinhos de tia Nastácia. Mas quem pode com certas crianças mais espertas que as outras?

Quem pode, por exemplo, com a Maria de Lourdes? Ou com a Marina Piza, ou a Maria Luísa, ou a Bjornberg de Coqueiros, ou o Raimundinho de Araújo, ou o Hélio Sarmento, ou a Sarinha Viegas, ou a Joyce Campos, ou a Edite Canto, ou o Gilbert Hime, ou o Ayrton, ou o Flávio Morretes, ou a Lucília Carvalho, ou o Gilson, ou a Leda Maciel ou a Maria Vitória, ou Nice Viegas, ou os três Borgesinhos (Stila, Mário e Marila), ou o Davi Appleby, ou o Joaquim Alfredo, ou a Hilda Vilela, ou o Rodriguinho Lobato e tantos e tantos outros?

Essa criançada achou meios de descobrir onde era o sítio de Dona Benta; e comandados pela Maria de Lourdes, ou a Rãzinha, lá foram ter. Infelizmente erraram de época e apareceram justamente na pior das ocasiões — quando o pessoal do sítio estava no palácio do Príncipe Codadade.

Ao ver aquele grupo de meninos na porteira, o “administrador” foi recebê-los. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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O PICAPAU AMARELO

 Capítulos 21, 22, e 23

  

21 – O cruzeiro

O “Beija-Flor das Ondas” ancorou rente ao cais do palácio e o Visconde mandou dizer ao Príncipe Codadade que Branca, Dona Benta, e os meninos estavam à espera de sua visita. Codadade preparou-se e foi.

A recepção correu muito cordial. Em certo ponto Pedrinho disse-lhe:

— Lembra-se, Príncipe, daquela vez em que esteve lá no sítio e fomos aventurar pelos campos, com o Aladino da lâmpada maravilhosa? Nunca mais me esqueci desse dia. E por falar: que fim levou Aladino?

— Está aqui, sim. Todos nós das “Mil e Uma Noites” já nos mudamos.

E apontou para os palácios em estilo árabe que se viam ao longe.

— Olhe, lá está a residência da Xarazada, a contadeira de histórias. E à esquerda, a caverna de Ali Babá e os quarenta ladrões. O palácio de Aladino fica à direita, atrás do morro.

Pedrinho estava sequiosíssimo por encontrar-se com Aladino, para novas experiências com a lâmpada.

Ao ser apresentado a Branca de Neve, o Príncipe não deu nenhum sinal de amor instantâneo. E vice-versa: o coração de Branca de Neve não palpitou pelo Príncipe. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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O PICAPAU AMARELO

Capítulos 17, 18, 19 e 20

 

17 – A sereia aprisionada

Ali pela tardinha a atenção de todos foi atraída por um movimento ao longe. Pedrinho e Peter Pan vinham voltando — mas voltavam a arrastar qualquer coisa pesada.

Emília correu ao binóculo.

— Ah, malandros! — exclamou ela. — Foram pescar e estão trazendo um peixe enorme. Esperem … Não é peixe, não! Parece uma sereia … É uma sereia, sim…

As palavras de Emília alvoroçaram a casa inteira; até Don Quixote levantou-se da rede para ir debruçar-se no gradil da varanda. O Príncipe Belerofonte fez o mesmo.

— Uma sereia, herói! — berrou Emília. — Lá na sua terra havia disso?

— Claro que havia — respondeu o herói. — As sereias foram criadas pela imaginação grega. Mas o que me espanta é que os meninos tenham apanhado uma. Na Grécia eu nunca ouvi falar de ninguém que houvesse pescado uma sereia.

Pedrinho e Peter foram se aproximando. A cena tornou-se visível mesmo sem binóculo. Vinham a arrastar a pobre criatura pelos cabelos — pelos lindos cabelos verdes, cor das algas do mar. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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