O PICAPAU AMARELO
Capítulos 13, 14, 15 e 16
13 – O Visconde em cena
O “sabinho” estava no pasto, a conversar com o Conselheiro.
— Acabou-se o nosso sossego — dizia o Burro Falante, cheio de saudades do tempo antigo. — Com a mudança do País de Maravilhas para cá, as encrencas começam a suceder-se uma atrás da outra.
— Também penso assim — concordou o Visconde — e a maior vítima sou sempre eu. Para as coisas perigosas, só se lembram de mim. Fizeram me trepar no Cedro Grande para dar o recado ao Polegarzinho. Houve lá um quiproquó e levei botada no nariz. Caí. Quebrei uma perna. Destronquei um pé. Felizmente Nastácia já me consertou …
— É essa a razão da escolha do Senhor Visconde para as empresas arriscadas — disse o Burro Falante. — O Senhor Visconde é “consertável”…
— Sim, tia Nastácia costuma consertar-me. Já com o Polegar não pôde fazer o mesmo, porque ele é de carne — tem de sarar com o tempo. Tia Nastácia encanou-lhe a perninha e atou-a com um cadarço. Só nestes quinze dias ele poderá erguer-se da cama.
Estava a conversa nesse ponto quando soou o berro — VISCONDE! … Continue lendo “Monteiro Lobato”
