Monteiro Lobato

O MINOTAURO

Capítulos 09 e 10

 

09 – O pó número dois

         Lá no Pireu o “Beija-flor das Ondas” estava rodeado de pequenas embarcações repletas de curiosos.

         Os gregos não cessavam de admirar o estranhíssimo iate que misteriosamente aparecera no porto.

         Embora fosse barco de proporções muito modestas, parecia um colosso comparado às trirremes gregas e mais embarcações mercantes ali ancoradas.

         Quando o bandinho de Dona Benta chegou ao cais, nenhum dos cinco pôde conter o riso. Sentado à proa do iate estava o Excelentíssimo Senhor Marquês de Rabicó, de boné de Imediato na cabeça e binóculo em punho. De vez em quando olhava ao longe, displicentemente.

         – O malandro! – exclamou Pedrinho. – Vejam a importância dele, a bancar o almirante para todos estes basbaques… Continue lendo “Monteiro Lobato”

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O MINOTAURO

Capítulos 07 e 08

 

07 – Visita às obras do Partenão

          Depois do almoço, na sala que as crianças já conheciam, Péricles convidou Dona Benta para um pulo ao Partenão, cujas obras estavam quase no fim. A inauguração ia ser naquele ano.

         Foram todos, Péricles adiante, a tratar com Fídias de assuntos graves e a boa velhinha atrás, com as crianças. Narizinho falava em voz cochichada para que os dois gregos não ouvissem.

         – São atrasadíssimos, vovó! Num instante deixamos “ele” nocaute – e indicou Fídias com o beiço. – Nem a forma e os movimentos da terra sabia, calcule…

         – Não é assim, minha filha – respondeu Dona Benta. – Os gregos de hoje sabem o que podem saber; claro que não podem saber o que os homens só vão descobrir séculos depois. Apesar disso, a primeira ideia da terra girar em redor do sol nasceu nesta Grécia.

         – Como, vovó? Pois se eu estou dizendo que ele não sabe… Continue lendo “Monteiro Lobato”

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Capítulos 05 e 06

 

05 – Discussões em Atenas

         Enquanto se desenvolvia a conversa de Dona Benta com os dois gregos, os meninos examinavam as estátuas, os móveis, as pinturas das paredes.

         – Coitados! – exclamou Narizinho. – Estão completamente tontos. Não entendem nada do que vovó diz.

         – Pois eu estou entendendo tudo nesta casa, e estou até adivinhando que ali dentro é o lugar dos comes – cochichou Emília, apontando para uma sala vizinha. – Vamos espiar?

         Espiaram pela porta. Sala das refeições, sim. Uma escrava punha à mesa o almoço de Péricles – pão, queijo, mel, vinho, uvas e figos – daqueles maduríssimos que fazem vir água à boca.

         Narizinho e Pedrinho lamberam os beiços. A servente sorriu e aproximou-se com três figos na mão, um para cada um.

         – Quem no mundo vai acreditar – disse Narizinho, abrindo o seu – que já comemos figos na casa de Péricles? E que bom está! Um melado… Continue lendo “Monteiro Lobato”

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