Monteiro Lobato – Caçadas de Pedrinho

MONTEIRO LOBATO

Caçadas de Pedrinho

Capítulos 5 e 6

5 – A defesa estratégica

         – Eles mataram minha esposa! – clamava com voz trêmula de cólera um enorme onção (como dizia a Emília). – Estou viúvo da minha querida onça por artes daqueles meninos daninhos do sítio de Dona Benta. Mataram-na e levaram-na de arrasto, amarrada com cipós, até o terreiro da casinha onde moram. Tiraram-lhe a pele, que depois de esticada e seca ao sol está servindo de tapete na varanda. Ora, isto é crime que pede a mais completa vingança. Guerra, pois! Guerra de morte a essa ninhada de malfeitores.

         – Guerra! Guerra! – exclamaram as jaguatiricas e suçuaranas e cachorros-do-mato e irarás ali reunidas (como queria a Emília).

         O onço agradou-se daquele entusiasmo.

         – Combinemos o seguinte – disse ele. – Amanhã de manhã cercaremos a casa de modo que ninguém escape. As irarás e cachorros-do-mato guardarão os lados e nós, onças, atacaremos pela frente.

         – Bravos! Bravos! Assim o faremos! – gritaram, em coro, as feras. Continue lendo “Monteiro Lobato – Caçadas de Pedrinho”

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MONTEIRO LOBATO

Caçadas de Pedrinho

Capítulos 3 e 4

 

3 – Os habitantes da mata se assustam

         As cenas da caçada da onça haviam sido presenciadas por muitos animaizinhos selvagens, entre eles um intrometidíssimo sagüi. Ficou tão admirado da proeza dos meninos que levou longo tempo a piscar muito depressa – sinal de que estava pensando alguma ideia de sagüi. Por fim resolveu-se e, pulando de galho em galho, foi em busca duma capivara que morava perto, na beira do rio.

         – Sabe, Dona Capivara, o que aconteceu à onça da Toca Fria? Morreu… – disse ele, fazendo uma carinha muito assustada.

         – Morreu de quê, sagüi? – indagou a capivara. – De morte morrida ou de morte matada?

         – De morte matadíssima. Os meninos do sítio de Dona Benta mataram-na a tiros e facadas e espetadas, e depois a arrastaram com cipós até lá, ao terreiro.

         E contou por miúdo toda a cena a que havia assistido. A capivara abriu a boca. Continue lendo “Monteiro Lobato – Caçadas de Pedrinho”

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 Caçadas de Pedrinho

Capítulos 1 e 2

1 – E era onça mesmo!

          Dos moradores do sítio de Dona Benta o mais andejo era o Marquês de Rabicó. Conhecia todas as florestas, inclusive o capoeirão dos Taquaruçus, mato muito cerrado onde Dona Benta não deixava que os meninos fossem passear. Certo dia em que Rabicó se aventurou nesse mato em procura das orelhas-de-pau que crescem nos troncos podres, parece que as coisas não lhe correram muito bem, pois voltou na volada.

          – Que aconteceu? – perguntou Pedrinho, ao vê-lo chegar todo arrepiado e com os olhos cheios de susto. – Está com cara de Marquês que viu onça…

          – Não vi, mas quase vi! – respondeu Rabicó, tomando fôlego. – Ouvi um miado esquisito e dei com uns rastos mais esquisitos ainda. Não conheço onça, que dizem ser um gatão assim do tamanho dum bezerro. Ora, o miado que ouvi era de gato, mas muito mais forte, e os rastos também eram de gato, mas muito maiores. Logo, era onça.

        Pedrinho refletiu sobre o caso e achou que bem podia ser verdade. Correu em procura de Narizinho. Continue lendo “Monteiro Lobato – Caçadas de Pedrinho”

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