A Chave do Tamanho
Capítulos 5 e 6
5 – Aventuras
A “vaquinha” havia largado Emília no meio duma das ruas do jardim.
Como o sol estivesse esquentando as pedras, ela percebeu que se não fosse para a sombra morreria torrada. E como não viesse em redor nenhum cavalinho ao seu alcance teve de vencer a pé o espaço que ia dali até o canteiro próximo. Como padeceu para vencer aquela enorme extensão de um metro, por cima da horrível pedranceira do pedregulho! O sol queimava-lhe a pele e por duas vezes o vento a derrubou.
Outro grande inimigo da nova humanidade vai ser o vento, ia pensando Emília. O maldito vento já me derrubou duas vezes e, no entanto, devia ser um ventinho de nada, pois pouco boliu com as folhas deste jardim. O sistema de andar de pé, próprio dos bípedes, só dá resultado com as criaturas que possuem tamanho, como os antigos homens e as aves.
Para um serzinho sem tamanho como eu é o maior dos desastres. Por isso não há bichinho nenhum dotado de dois pés e que ande de pé. São todos horizontais e cheios de perninhas. Estou agora compreendendo: defesa contra o vento! Se um ventinho à toa me derrubou duas vezes, isso quer dizer que um vento de verdade me joga para os confins do Judas e, no entanto, não há formiguinha que não resista aos ventos. Por quê? Porque não é bípede nem anda de pé, como eu. Aprenda mais essa, Senhora Dona Emília. Continue lendo “Monteiro Lobato”
