Monteiro Lobato

Peter Pan

6 – A volta (último)

 

            No dia seguinte, á hora de acender o lampião, o Visconde apareceu todo cheio de si e disse:

            — Descobri tudo. Descobri o ladrão da sombra de tia Nastácia. Aposto que ela está hoje sem sombra nenhuma.

            — Quem é? Quem foi? — indagaram todos.

            O Visconde olhou para Emília, que estava de lábios apertados e olhinhos duros. Quis dizer que era ela, mas não teve coragem. Por fim, como Dona Benta insistisse, não teve remédio.

            — É a senhora Dona Emília a ladrona da sombra! — declarou o Visconde corajosamente.

            Foi um espanto geral. Todos se voltaram para a boneca, que apenas sorriu com superioridade e respondeu com uma pergunta.

            — Dona Benta — disse ela — explique ao Visconde o que é roubar. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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Monteiro Lobato

PETER PAN

 Capítulo 5

 

5 – O navio dos piratas

             No outro dia tia Nastácia apareceu com beiço ainda mais caído, porque a sua sombra continuava a desaparecer. Colocou-se entre o lampião e a parede e disse para Dona Benta:

            — Veja, Sinhá.. Só resta um, tiquinho…

            — E o Visconde, que diz a isso?

            — O Visconde promete pegar o ladrão de sombra como pegou o gato, mas ainda está “estudando”, como ele diz.

            Emília, que andava de ponta com o Visconde, meteu o bedelho.

            — No caso do gato Félix ele descobriu tudo porque eu ajudei. Se eu não tivesse arrancado aquele fio do bigode do gato ladrão, queria ver! Esses tais de detetives são uns grandes palermas…

            — Sonso ele é — disse tia Nastácia. — Mas a cabecinha dele pensa tão certo que até dá inveja na gente. Vocês vão ver como ele descobre o ladrão. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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PETER PAN

 Capítulo 4

 

4 – A morada subterrânea

            No outro dia, assim que tia Nastácia acendeu o lampião da sala de jantar, o caso da sombra veio novamente à berlinda. A negra colocou-se entre a luz e a parede e todos puderam ver que sua sombra havia diminuído de mais um bom pedaço.

            — Veja, Sinhá — dizia ela com o beiço pendurado. — Estou só com um toco de sombra. Neste andar acabo sem sombra nenhuma e vai ser uma grande desgraça…

            Dona Benta pôs os óculos e viu que era isso mesmo.

            — O Visconde ainda não descobriu coisa nenhuma?

            — Estou na pista — respondeu o pequeno sherlock. — Já examinei  cuidadosamente o corte e vi que foi feito com tesoura. Ando agora a examinar o fio de todas as tesouras existentes nesta casa. Pela comparação hei de descobrir com qual delas o “rato” anda cortando esta sombra — e depois…

            — E depois o quê? — perguntou Emília com carinha de santa.

            — Depois, veremos.

            Emília fez um muxoxo e deu uma cuspidinha de desprezo. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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