A Chave do Tamanho
Capítulos 17 e 18
17 – Rabicó, o canibal
Enquanto a criançada construía a Ordem Nova, Dona Benta conversava com o Visconde a respeito da situação.
— Tudo mudou — dizia ele. — Hoje nada vale o que valia antigamente. Acabou-se o dinheiro. Acabaram-se os veículos. Acabou-se a civilização. Mas, pelo que já vi, o homem pode perfeitamente subsistir dentro das proporções mínimas a que está reduzido.
— Acha sinceramente, Visconde, que podemos subsistir e criar uma nova civilização?
— Acho sim. Acho até que o homem pode criar uma civilização muito mais interessante e feliz do que a “civilização tamanhuda”, como diz a Emília. Ali naquele lago a senhora está vendo um maravilhoso exemplo das novas possibilidades. Nunca um pires dágua deu tanto prazer a tantas criaturas. Os insetos, por exemplo, vivem perfeitamente adaptados ao planeta — e eles não possuem a inteligência das criaturas humanas. A geração adulta de hoje vai sofrer, está claro, porque anda muito presa às ideias tamanhudas; as crianças já sofrerão menos, porque aceitam melhor as novidades. Repare como os seus netos, e o Juquinha e a Candoca, estão rapidamente se adaptando, ao passo que tia Nastácia e o Coronel resistem.
— Mas acha que as nossas velhas ideias tornar-se-ão inúteis neste mundo novo? Continue lendo “Monteiro Lobato”
