O Sítio… Décima Parte

O SÍTIO DO PICA-PAU AMARELO

 REINAÇÕES  DE  NARIZINHO

Décima Parte: Pena de Papagaio

1 – A voz

            A história de Peter Pan, que dona Benta contara aos meninos certo dia, tinha-os deixado de cabeça virada. Narizinho só pensava em Wendy; Pedrinho só pensava em Peter Pan, “o menino que nunca quis crescer”.

            Pedrinho também não queria crescer, mas estava crescendo. Cada vez que apareciam visitas era certo lhe dizerem, como se fosse um grande cumprimento:

            “Como está crescido!” e isso o mortificava.

            Um dia, em que estava no pomar trepado numa goiabeira, comendo as goiabas boas e jogando as bichadas para Rabicó, entrou pela centésima vez a pensar naquilo.

            — Que maçada! — murmurou de si para si. -Tenho de crescer, ficar do tamanho do tio Antônio, com aquele mesmo bigode, feito um bicho cabeludo, embaixo do nariz e, quem sabe, aquela mesma verruga barbada no queixo. Se houvesse um meio de ficar menino sempre…

            — Há coisa ainda superior — respondeu atrás dele uma voz desconhecida.

            Pedrinho levou um grande susto. Olhou para todos os lados e nada viu. Não havia ninguém por ali.

            — Quem está falando? — murmurou com voz trêmula.

            A mesma voz respondeu:

            — Eu! Continue lendo “O Sítio… Décima Parte”

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O Sítio… Nona Parte

REINAÇÕES  DE  NARIZINHO

Nona Parte: O Circo De Cavalinhos

1 – A operação cirúrgica

            Depois do concurso para a fabricação do irmão de Pinóquio, houve no sítio de dona Benta outro concurso muito engraçado – o concurso de “quem tem a melhor idéia”. Quem venceu foi a Emília, com a sua estupenda idéia de um “círculo de escavalinho”. Dona Benta, que era o juiz do concurso, achou muito boa a lembrança, mas deu risada do título.

            — Não é “círculo”, Emília, nem “escavalinho”. É circo de cavalinhos.

            — Mas toda gente diz assim — retorquiu a teimosa criaturinha.

            — Está muito enganada. Eu também sou gente e não digo assim. O Visconde, que está quase virando gente, também não diz assim.

            Emília teimou, teimou, e por fim acabou aceitando só metade da emenda.

            — Já que a senhora “faz tanta questão”, fica sendo circo de escavalinho.

            Dona Benta ainda insistia, dizendo que o diminutivo de cavalo é cavalinho e que portanto escavalinho era asneira. Mas a boneca não se deu por vencida. Continue lendo “O Sítio… Nona Parte”

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O Sítio… Oitava parte

REINAÇÕES  DE  NARIZINHO

Oitava Parte: O Irmão De Pinóquio

1 – O irmão de Pinóquio

            — Coitada de vovó! — disse um dia Narizinho. — De tanto contar histórias ficou que nem bagaço de caju; a gente espreme, espreme e não sai mais nem um pingo.

            Era a pura verdade aquilo — tão verdade que a boa senhora teve de escrever a um livreiro de São Paulo, pedindo que lhe mandasse quanto livro fosse aparecendo.

            O livreiro assim fez. Mandou um e depois outro e depois outro e por fim mandou o Pinóquio.

            — Viva! — exclamou Pedrinho quando o correio entregou o pacote.

            — Vou lê-lo para mim só, debaixo da jabuticabeira.

            — Alto lá! — interveio dona Benta. — Quem vai ler o Pinóquio para que todos ouçam, sou eu, e só lerei três capítulos por dia, de modo que o livro dure e nosso prazer se prolongue. A sabedoria da vida é essa.

            — Que pena! — murmurou o menino fazendo bico. — Não fosse a tal sabedoria da vida, que nunca vi mais gorda, e hoje mesmo eu dava conta do livro e ficava sabendo toda a história do Pinóquio. Mas não! Temos de ir na toada de carro de boi em dia de sol quente — nhen, nhen, nhen… Continue lendo “O Sítio… Oitava parte”

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