Alma desdobrada, capítulos 113, 114, 115, 116 e 117.
113.
depois que rodeei por três vezes a zona, sem ter tido coragem de lá entrar, desisti da idéia de trepar com uma prostituta. daria para dizer que, de certa forma, eu me resignara à condição de casto, virgem, puro. desistira de tentar, de medo da derrota.
então, apareceu B…, minha vizinha. ela entrava e saía de nossa casa com muita liberdade – eu morava com milinha, márcia e carlinhos. eu percebi nela um certo interesse em estar junto de mim. numa noite, em que íamos sair, ela pediu que eu pintasse seus olhos. quando minha mão estava junto a seus lábios, ela a beijou. olhamo-nos. eu antevi alguma possibilidade de redenção. mas meu coração estava ligeiramente indiferente.
114.
é tão confuso escrever. para quem escrevo? para mim, ou para o mundo? não seria honesto eu afirmar que escrevo só para mim. passa pela minha cabeça que eu seja lido um dia e alguém diga: que vida incrível!, esta. e que capacidade extremada de dar expressão exata a tanta difusa experiência! por outro lado, não me interessam opiniões a respeito do que faço. penso que escrevo para tentar traduzir o profundo do que sou.
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