O MINOTAURO
Capítulos 23 e 24 (último)
23 – A Panatenéia
A primeira coisa que Pedrinho fez ao chegar ao “Beija-flor das ondas”, foi correr à despensa em procura duma lata de sardinha. Queria variar. Andava enjoado de azeitonas e figos, de tanto que os comeu durante a “penetração” nos fundões da Hélade. E enquanto abria a lata, foi fazendo perguntas a Rabicó.
– Como vão as duas, vovó e Narizinho? Estão ainda na casa de Péricles?
– Sim. E já vieram cá em companhia duma senhora muito bonita e mais três homens. Dona Benta mostrou-lhes o navio inteiro, até a cozinha, onde houve um grande movimento de pipocas e batatas fritas.
– E vovó não disse nada? Não me deixou nenhum recado?
– Não. Esteve de prosa com aqueles gregos e a lidar com agulhas, carretéis, a máquina de coser e a bússola.
Pedrinho fez um sanduíche de sardinha e foi comê-lo no tombadilho, com os olhos no mar. Estranhou a calma do porto.
– Que fim levaria a gente do Pireu? Tudo deserto…
– Parece que hoje há festa em Atenas – sugeriu Rabicó. – Todo mundo foi para lá.
– Em que dia estamos? Vinte e dois de julho? Hum! Já sei… É o dia da Panatanéia. Vá chamar a Emília.
Emília veio no seu andarzinho rebolado.
– Apronte-se, Emília, para irmos a Atenas. Hoje é o dia da maior festa grega – a Panatenéia. Nastácia também que se apronte.
Tia Nastácia estava na cozinha, a arrumar aquilo entre resmungos: “Gente sem-vergonha. Onde já viu uma cozinha assim, com tudo fora do lugar, panela praqui, frigideira prali, casca de batata no chão…”
– Nastácia, apronte-se! Vamos já para Atenas.
– Ah, meu Deus! A gente nem bem chega e já tem de sair correndo. Onde é essa tal Atenas?
– É onde estão vovó e Narizinho.
O rosto da preta iluminou-se. Largou da vassoura, sacou fora o avental.
– Pronto! – disse. – Vamos já para essa Atenas, e de galope. Não posso mais de saudades de Sinhá e da menina.
Pedrinho fez Rabicó entregar o comando do navio ao Visconde e desceu ao cais com Emília e a preta. Tudo deserto. Só um ou outro marinheiro alquebrado, desses que já vivem com o pé na cova. O menino foi ter com um deles.
– Que fim levou a gente daqui, meu velho? – perguntou-lhe.
– Tudo em Atenas, meu menino. As Panatenéias sempre deixaram o Pireu vazio. Não vai para lá também?
– Vou, sim, mas queria que o senhor me dissesse alguma coisa sobre o assunto. Que festa é essa?
O velho marinheiro falou.
– Pois é a principal festa de Atenas, em honra à nossa divina padroeira. Foi Palas Atena quem mais nos beneficiou aqui; foi a criadora das oliveiras que nos alimentam, e a mestra que nos ensinou a atrelar o boi na charrua, e a fiar a lã, e tantas coisas mais. Em vista disso, Erectônio, filho de Anficteão, instituiu a festa anual do peplo, em que numa grande procissão toda a cidade vai levar a Atena Políada um peplo novo bordado pelas virgens atenienses.
– Que Atena Políada é essa? – quis saber Emília.
– É a grande estátua de lenho de oliveira do templo de Erecteu. Chama-se Políada porque é a Atena de todas as cidades gregas.
– Sei – disse Pedrinho. – Polis em grego quer dizer cidade. Petrópolis, Teresópolis…
– E lá está ela sentada em seu trono no alto da Acrópole, com a roca nas mãos e um emblema na cabeça. Essa estátua caiu do céu. É a mais venerada de todas e a que recebe as homenagens da procissão do peplo.
– E como é essa procissão?
– Ah, linda! Toda a vida eu assisti a essas procissões, ora tomando parte na puxada da galera, ora como simples espectador.
– Puxada da galera?…
– O peplo novo, que anualmente a cidade oferece à deusa, é conduzido numa galera colocada sobre rodas e puxada por marinheiros aqui do Pireu. Mas fui envelhecendo e pela primeira vez este ano falhei. Mal posso andar…
Tia Nastácia receitou-lhe gemada de ovos de pata com canela. O velho prosseguiu:
– Linda festa. Vêm peregrinos de todas as cidades próximas, e todas as tribos mandam oferendas de bois e carneiros. A procissão percorre as principais ruas da cidade e dissolve-se depois da substituição do peplo velho pelo novo. Mas a festa continua. Há corridas de cavalos e de archotes, e há os concursos de poemas e cantos naquele Odeon que Péricles mandou construir.
– Que é a corrida de archotes?
– Ficam os moços enfileirados numa grande linha. Um da ponta acende um archote no altar de Eros e passa-o ao imediato – e o archote vai correndo de mão em mão até apagar-se. Aquele em cujas mãos o fogo se extingue é eliminado.
– E a procissão? Como é ela?
– Linda! Começa com o desfile em marcha lenta da magistratura, dos arcontes, dos estrategos e todos os oficiais da república. Vêm depois as virgens, em suas alvas túnicas de harmoniosas pregas, conduzindo com tanta graça as páteras e os vasos sagrados. A seguir desfilam as canéforas, que são moças pertencentes às mais altas famílias de Atenas; trazem corbelhas de flores. Junto às canéforas, como se fossem suas criadas, vêm as filhas dos metecos, sustentando umbelas abertas.
Tia Nastácia não entendeu. Pedrinho teve de explicar que meteco era o nome dado aos estrangeiros residentes em Atenas. E umbela significava guarda-chuva. E corbelha equivalia a cesta.
– Enjoamento! – murmurou a preta fazendo um muxoxo. – Por que não dizem logo cesta, guarda-chuva, gringo?
O velho marujo continuou: — As filhas dos metecos trazem consigo suas mães e pais, a conduzirem os odres de água, vinho e mel destinados às libações. Depois desfilam os guerreiros a cavalo, armados de escudos e lanças.
– Sei; já vi esses guerreiros na frisa do Partenão – disse Pedrinho. – E depois dos cavaleiros que é que vem?
– Depois dos cavaleiros desfilam os velhos de longas barbas brancas, segurando ramos de oliveira. São os taláforos.
– Portadores de talos – explicou Emília ao ouvido de tia Nastácia, piscando para Pedrinho.
– E depois dos velhos vêm as crianças – o lindo desfile das lindas crianças de Atenas. Oh, quanta beleza há nas Panatenéias que eu não verei nunca mais…
Outras coisas ainda disse o velho, e muitas ainda diria se não fosse a pressa de Pedrinho em correr para Atenas.
– Basta, meu veterano. Já sei o que desejava saber. Até a volta! Acabamos de chegar da Ilha de Creta e estamos ansiosos por ver vovó e Narizinho, que se acham hospedadas em casa do Senhor Péricles.
– Da Ilha de Creta? – admirou-se o marujo – mas ficou sem outra informação, porque Pedrinho já se pusera em marcha. A boa preta, de longe, ainda lhe gritou: “Não se esqueça! Gemada com canela – de ovo de pata, veja lá!”
Apertaram o passo. A distância era grande, mas para tão valentes andarilhos não havia distâncias.
Em menos de uma hora chegaram a Atenas. Oh, que movimento nas ruas! Gente que não acabava mais.
– Parece a Broadway – observou Emília – lembrando-se da multidão que eles encontraram na grande rua de Nova Iorque (Geografia de Dona Benta.).
Pedrinho encaminhou-se diretamente para a casa de Péricles. Bateu várias vezes. Nada de resposta.
– Não há vivalma. Foram todos à festa – e vovó também. Como faremos?
– Encontrar Dona Benta num povaréu desses é absurdo – opinou Emília. – O remédio é irmos também assistir à procissão; depois voltaremos cá.
Como não houvesse outra coisa a fazer, Pedrinho resolveu estacionar no Agora, por onde a procissão fatalmente passaria. “Quero ver se alcanço a Vaca do escultor Miron, que está sobre um pedestal de boa altura; de cima dele podemos ver a procissão melhor do que todos.”
A escultura de Miron, no centro do Agora, era famosa pela perfeição com que reproduzia uma vaca natural. “Os próprios bezerros que passavam por ali confundiam-se e berravam mé, mê… (A propósito dessa escultura vários escritores contemporâneos fazem observações assim.).
Pedrinho teve sorte. Conseguiu alcançar a Vaca, e com um pouco de paciência pôde colocar-se com os outros em cima do pedestal. “Credo! – exclamou tia Nastácia. – Este bicho até faz medo à gente. Parece que vai dar uma chifrada…”
Para matar o tempo de espera Pedrinho foi contando à preta o que era a Ágora – a sala de estar da cidade.
Todos se reuniam ali para os negócios, as palestras, as mexericagens – e até para dar lições de filosofia, como Sócrates.
Em certo momento a multidão ondeou e o murmúrio cresceu.
– É hora! Lá vem a Panatenéia – disse Pedrinho, espichando o pescoço.
O grupo dos magistrados, que abria o cortejo, entrou na Ágora pela brecha que se fez na multidão. Que imponentes eram! Graves, serenos, austeros. Sem demora, Pedrinho reconheceu Péricles no grupo dos dez estrategos.
– É aquele, tia Nastácia! – disse apontando. – É aquele o rei daqui e o dono da casa onde vovó se hospedou. Marido de Dona Aspásia.
Passaram os estrategos, os arcontes e todos os mais paredros da república ateniense. Depois começaram a passar as virgens portadoras de páteras e mais vasos de uso nos sacrifícios feitos aos deuses. A pátera era uma espécie de taça grande.
– Que moças lindas! – murmurou a preta. – E aquela ali, Pedrinho, veja como se parece com a Quinota, filha do Coronel Teodorico. Tal e qual…
– E agora vêm as canéforas – disse Pedrinho, vendo chegar as portadoras de corbelhas, muito envaidecidas sob os pára-sóis sustentados pelas jovens metecas.
A boa negra devorava com os olhos a formosura daquelas adolescentes vestidas com tão graciosa singeleza.
Súbito, seus olhos se arregalaram.
– Será possível? – exclamou. – Um raio me parta se aquelazinha lá não é Narizinho! É sim, juro! – e a preta, no maior assanhamento, esqueceu-se de tudo e gritou: “Narizinho, Narizinho! Olhe pra mim! Sou eu, sua Nastácia!” Mas o murmúrio da multidão impediu que a menina a ouvisse – e Narizinho passou. Era ela mesma, de túnica ateniense, a figurar entre as canéforas…
– Que danada! – murmurou Pedrinho. – Apesar de ser meteca, achou jeito de virar canéfora. Só porque está hospedada com o Senhor Péricles. Ele é poderoso mesmo, não há dúvida…
Emília, que para ver Narizinho havia trepado ao ombro de tia Nastácia, observou: “E o nariz dela está dando na vista. Reparem. Aqui ninguém usa nariz arrebitado.”
A passagem dos cavaleiros fez Pedrinho sapatear de entusiasmo. Que belos homens e que lindos cavalos! Tais quais os da frisa do Partenão – só que não tinham o focinho tão fino. “São os cavalos da Tessália, os melhores aqui da Grécia.”
Terminado o desfile dos cavaleiros, começou o dos taláforos, isto é, dos belos velhos portadores de ramos de oliveira.
– “Sim senhor! – disse Emília. – A velharada de Atenas é de primeira ordem. Bonitões! E lá está um de óculos. Não é homem, não… É uma velha. Tal qual Dona Benta… Querem ver que é ela mesma?”
Pedrinho afirmou a vista. “É sim, a vovó! Ora que coisa…” – murmurou ele, no maior dos assombros.
Tia Nastácia também reconheceu Dona Benta e não resistiu. Desceu do pedestal, como uma doida, a gritar: “Sinhá, Sinhá!” – e varou a multidão a cotoveladas para ir ao encontro de sua querida ama.
– Sinhá! – gritou ao defrontá-la. – Sou eu, sua negra velha, tia Nastácia… – e lançou-se a Dona Benta, de braços abertos.
Dona Benta, muito admirada do imprevisto encontro, teve de sair da linha para recebê-la – e aquilo perturbou o andamento da procissão. Os velhos pararam – e tudo atrás deles também parou. As duas metecas abraçaram-se com lágrimas nos olhos.
– Sinhá, minha Sinhá! – dizia a negra. – Eu pensei que nunca mais havia de ver minha Sinhá velha. Mas que é isso, Dona Benta? A senhora com esse balandrau branco, e esse cabelo penteado como funil? Bem bonita, sim, mas um pouco não sei como – e recuou dois passos para ver melhor a boa ama rejuvenescida pelos trajes gregos.
– Está bem, tia Nastácia – disse Dona Benta. – Não perturbe o andamento da procissão. Espere me em casa do Senhor Péricles. Assim que a festa acabar, lá estarei. Adeus.
Dona Benta reentrou na fila dos velhos e a Panatenéia pôde prosseguir na marcha. Tia Nastácia voltou para o pedestal da Vaca de Miron.
– Ah, Pedrinho, que coisa do outro mundo! Sinhá aqui, Sinhá vestida de grega, com aquele penteado de funil. Parece até que estou sonhando…
– E que disse ela? – perguntou Emília.
– Disse pra irmos esperar na casa do tal rei. O mundo está mesmo perdido, Emília. Sinhá na casa do rei, vestida de grega, ah, meu Senhor Bom Jesus de Pirapora!…
24 – Finis
Terminada a procissão, Dona Benta se recolheu à casa de Péricles, em cuja porta encontrou Pedrinho, Nastácia e Emília. Dona Benta, que voltara com Aspásia, fez a apresentação da preta.
– Está aqui a minha boa amiga extraviada nos fundões da velha Hélade. Pedrinho jurou que a traria e trouxe-a. É um danado este meu neto! E sabe quem é esta senhora, Nastácia? É Dona Aspásia, a esposa do Senhor Péricles, a mulher de mais fama no mundo antigo pela sua inteligência e bondade.
Já lhe falei muito de você, dos bolinhos que você faz e de todos os petiscos em que você é mestra.
E, voltando-se para Narizinho:
– Leve tia Nastácia pra dentro e ela que faça uns bolinhos daqueles.
A menina saiu com a preta, e Pedrinho contou atropeladamente o principal das suas aventuras pela Hélade. O assombro de Aspásia foi grande. Embora achasse o absurdo dos absurdos, tinha de admitir a narração como verdade perfeita. E seu espanto ainda mais aumentou quando soube da subida ao Olimpo e do furto do néctar. Emília trazia no bolso o vidrinho com a amostra da bebida dos deuses. Aspásia provou-a com a ponta da língua.
– Que maravilha! Péricles vai assombrar-se quando vir isto. Ninguém aqui na Ática faz a menor ideia do que seja o néctar. Apenas imaginamo-lo. Que delícia – e provou mais um bocadinho. – E a ambrosia? Chegaram também a vê-las?
– Oh, sim! – respondeu Emília. – E comemos um bom pedaço. É tal qual curau de milho verde. Não trouxemos amostra de medo que azedasse.
Aspásia não resistiu. Provou pela terceira vez o néctar, apesar da carranquinha da Emília. Naquele andar lá se ia tudo.
Péricles chegou. Aspásia correu-lhe ao encontro e, depois do beijo do costume, disse-lhe, mostrando o vidrinho:
– Veja, Péricles, o que a Emília trouxe da expedição: um pouco do néctar dos deuses, furtado do Olimpo…
O Estratego sorriu incredulamente; mas quando o provou, seus olhos se arregalaram. O sabor era positivamente divino – diverso de todos os sabores conhecidos pelos mortais. E ficou estatelado, sem ter o que dizer.
Pedrinho pensou consigo: “Ah, a minha câmara aqui! Que instantâneo eu pegaria! O grande Péricles, sem fala, tonto, bobo, diante do vidrinho de néctar da Emília…”
A última noite que Dona Benta e os netos passaram em Atenas foi tão cheia de coisas que dava para um livro. A casa de Péricles encheu-se. Vieram Fídias, Ictinos, Alcamene, Policleto, Sócrates, Herodoto, Sófocles, Cleone, vários estrategos e arcontes – e mais umas vinte pessoas importantes. A narração que Pedrinho fez das aventuras pela Hélade, terminadas com o salvamento de tia Nastácia, encheu-os do maior assombro. Ficaram todos no ar, completamente tontos, completamente desnorteados – e só voltaram a si quando tia Nastácia apareceu com os bolinhos.
– Meus senhores – disse Dona Benta – noto que a narração de meu neto os deixou a todos fora de si – mas estes bolinhos famosos irão sossegá-los. Provem-nos, regalem-se e voltem aos respectivos gonzos. Hoje é o meu último dia nesta Grécia maravilhosa. Parto amanhã cedinho para o Picapau Amarelo, e se os não convido para chegarem até lá é unicamente pela impossibilidade, em que os vejo, de transporem os 2.377 anos que separam este momento do Tempo do momento do Tempo em que eu vivo no mundo moderno. Adeus a todos! Não tenho expressões para agradecer à Senhora Aspásia e ao Senhor Péricles a acolhida que nos dispensaram. Não sei dizer a Sócrates o prazer que me deu a troca de suas palavras divinas com as minhas pobres palavras de roceira. Não sei como agradecer a Fídias, a Herodoto e aos demais a honra de me distinguirem com uns momentos de convívio, nem sei como agradecer ao Senhor Policleto a maravilhosa escultura que ofereceu a Pedrinho….
Pedrinho, que não sabia de nada, arregalou os olhos.
Dona Benta apontou para um grupo de mármore que se via a um canto.
– Ali está, Pedrinho, o maravilhoso presente que o grande Policleto oferece a você, já que você é um devoto do invencível Hércules. Ali está representada a luta do herói contra a Hidra de Lerna.
Todos os olhares convergiram para a escultura, uma das mais perfeitas obras-primas da arte helênica, embora destinada a figurar, não no Louvre ou no Museu Britânico, sim na sala de jantar da casinha de Dona Benta, no Sítio do Picapau Amarelo.
Finda a falação, começaram os adeuses. Foram abraços e mais abraços, e frases cheias de aticismo. Aticismo era um gracioso, espirituoso e delicado modo de dizer próprio dos atenienses.
Depois que todos se retiraram, Aspásia disse:
– Minha senhora, por mais que me belisque, e sinta a dor dos beliscões, isto me parece um sonho. Mas, sonho ou não, só direi uma coisa: a surpresa maior da minha vida vai ser este nosso inolvidável encontro com um grupo de criaturas do século XX. Por Afrodite! Milagre maior não sei de nenhum.
Péricles apenas murmurou, ao abraçar Dona Benta:
– Que posso dizer depois das palavras de Aspásia? Adeus, minha senhora…
…….
No dia seguinte estavam todos no Sítio do Picapau Amarelo, radiantes de felicidade, comentando os mil e um incidentes da maravilhosa penetração na Grécia Antiga.
– Conte, meu filho – dizia Dona Benta – conte bem por miúdo como foi o salvamento de tia Nastácia.
Pedrinho sentou-se na rede ao lado da boa velhinha, e começou:
– O meio, vovó, era consultarmos o Oráculo de Delfos, que é o sabe-tudo da Hélade antiga. E foi então e fomos até lá e…
E Pedrinho foi desfiando a história inteira da sua maravilhosa aventura no Labirinto de Creta.
1939
