A Chave do Tamanho
Capítulos 17 e 18
17 – Rabicó, o canibal
Enquanto a criançada construía a Ordem Nova, Dona Benta conversava com o Visconde a respeito da situação.
— Tudo mudou — dizia ele. — Hoje nada vale o que valia antigamente. Acabou-se o dinheiro. Acabaram-se os veículos. Acabou-se a civilização. Mas, pelo que já vi, o homem pode perfeitamente subsistir dentro das proporções mínimas a que está reduzido.
— Acha sinceramente, Visconde, que podemos subsistir e criar uma nova civilização?
— Acho sim. Acho até que o homem pode criar uma civilização muito mais interessante e feliz do que a “civilização tamanhuda”, como diz a Emília. Ali naquele lago a senhora está vendo um maravilhoso exemplo das novas possibilidades. Nunca um pires dágua deu tanto prazer a tantas criaturas. Os insetos, por exemplo, vivem perfeitamente adaptados ao planeta — e eles não possuem a inteligência das criaturas humanas. A geração adulta de hoje vai sofrer, está claro, porque anda muito presa às ideias tamanhudas; as crianças já sofrerão menos, porque aceitam melhor as novidades. Repare como os seus netos, e o Juquinha e a Candoca, estão rapidamente se adaptando, ao passo que tia Nastácia e o Coronel resistem.
— Mas acha que as nossas velhas ideias tornar-se-ão inúteis neste mundo novo?
— Inúteis propriamente não. Mas têm de ser revistas e reformadas. São ideias filhas da experiência tamanhuda. Com a nova experiência pequenina, está claro que as ideias velhas têm que sofrer adaptação.
Filosofaram longamente. O Coronel vinha de vez em quando com um aparte que só servia para mostrar como ele estava emperrado nas ideias antigas — sobretudo na de dinheiro.
Súbito, um “fecha” se formou lá no pires.
— Não quero que entre na minha nau! — gritara Emília, quando Juquinha tentou invadir aqueles três pedacinhos de pau de fósforo amarrados com o fio. — Isto é meu só!
— Lá vai a propriedade se formando, filosofou o Visconde. Emília já está toda cheia de minhas e meus. Minha nau, meu queijo, meu sítio…
— E como o Senhor Visconde explica este extraordinário fenômeno da redução do tamanho das criaturas?
O Visconde sabia muito bem que tudo não passava duma reinação da Emília, mas como jurara nada contar a ninguém, fingiu ignorância.
— Não sei, Dona Benta. Não posso explicar o mistério — gaguejou ele.
Depois de fartar-se de navegação no pires, Emília “alugou” a sua jangada ao Juquinha e foi pedir ao Visconde .que a levasse ao terreiro.
Queria conversar com o Burro Falante e o Quindim.
Para falar com o burro, a voz de mosquito da Emília não dava, de modo que ela fazia as perguntas e o Visconde as repetia como um alto-falante.
— Quero saber de Rabicó, Senhor Conselheiro.
O burro contou, que desde a véspera Rabicó não dava sinal de si. Da última vez que o vira, ia indo para os lados da fazenda do Coronel.
— Ah, então era ele mesmo que estava lá na cozinha devastando o que havia — e juro que foi o comedor da Quinota e da tia Ambrosia! A fome de Rabicó é uma dessas coisas que não têm explicação.
Nisto, um ron, ron, ron soou perto da porteira. Lá vinha Rabicó muito afobado, de focinho sujo de terra, gordo como um porco. Emília fez que o Visconde o chamasse e passou-lhe uma reprimenda.
— Há tantas coisas gostosas no pomar — disse ela através do alto-falante — há tantas mangas, laranjas, cajus, goiabas, figos, matinhos tenros, e o senhor sempre com o focinho sujo de terra de tanto fossar as minhocas! Mas — diga-me uma coisa: sabe o que aconteceu no mundo?
— Se sei o que aconteceu? Ora se sei! Aconteceu que de um momento para outro deu de aparecer por toda parte uma nova raça de minhocas em pé, umas cor-de-rosa, outras cor de rapadura, outras pretas — e gostosíssimas. Na casa do tio Barnabé comi uma dúzia — das pretas. Lá na venda do Elias comi mais de vinte de todas as cores. E até na casa do Coronel Teodorico — que está deserta, não sei para onde aquela gente se afundou — comi duas, uma cor de rapadura e outra preta. Muito melhores que as minhocas que não andam de pé.
Emilia ficou horrorizada. O Marquês de Rabicó, seu antigo esposo, estava transformado em canibal, comedor de gente! E teria feito com o pessoal do sítio de Dona Benta o mesmo que o Manchinha fizera com a família do Major Apolinário, se não fosse a providencial ideia do Visconde de pô-los todos em cima da cômoda.
— Ah, Rabicó! — disse ela em tom trágico. — O que você anda fazendo é o maior dos horrores, porque essas tais “minhocas em pé” não são minhocas e sim gente humana de proporções reduzidas. A humanidade inteira perdeu o tamanho. Dona Benta e os meninos estão lá dentro transformados em iscas de gente. Pelo amor de Deus, pare com essas comilanças, porque constituem verdadeiros crimes. Sabe quem eram as minhocas pretas que você comeu na casa do tio Barnabé? Eram o pobre negro velho e toda a família dele. E sabe quem eram as duas que você comeu na casa do Coronel Teodorico? Eram a Quinota e a tia Ambrosia, aquela negra tão boa, que sempre nos recebia com café e bolinhos.
Rabicó ficou desapontadíssimo. Mas como é que poderia ter adivinhado? Sempre fora um grande comedor de minhocas e de quanto verme encontrava. Apareceram aquelas minhocas novas, carnudinhas. Nada mais natural que as comesse também.
— Eu sei disso. Você não tem culpa. Mas está avisado. E se encontrar mais alguma perdida por aí, traga-a para cá, em vez de comê-la.
Rabicó, muito impressionado com a sua antropofagia, prometeu que sim. Em seguida o Visconde foi em procura do rinoceronte, lá embaixo da figueira grande. Contou-lhe toda a tragédia humana. Quindim, porém, não fez caso nenhum. Já estava muito velho para dar importância a coisas tão insignificantes como o desaparecimento da humanidade. Enquanto houvesse vegetais, árvores de boas folhas gostosas, capins macios e brotos, tudo iria bem. Quindim, com a idade, fora ficando cínico; Emília passou-lhe uma descompostura e voltou para casa.
— Muito bem, Visconde — disse ela. — Trate de concluir a fabricação do superpó. Quero dar um grande passeio pelo mundo — a Europa, a Ásia, a América do Norte, para ver como correm as coisas por lá. Depois resolveremos sobre a ida à Casa das Chaves.
O Visconde foi ao laboratorinho e continuou na fabricação do maravilhoso pó, interrompido pelo desastre do apequenamento. Emília quis saber qual era o segredo da droga. O velho sábio riu-se; declarou que o superpó era uma “sublimação das vitaminas do pulo dos grilos” — o que deixou Emília na mesma. Depois de lidar no laboratório algum tempo, o Visconde foi ver como ia a gente da cômoda.
Encontrou os meninos brincando de construir uma casinha com as “vigas” tiradas da caixa de fósforos de Dona Benta. O Coronel Teodorico olhava para a obra com olhos de peixe morto.
— Que é que há, Coronel? — perguntou o Visconde.
— Há que não posso conformar-me com o acontecido — respondeu o pobre homem, sem sequer erguer a cabeça. — Eu era gente no mundo. Alto, forte, rico, dono duma bela fazenda — e agora me vejo sem nada de nada, reduzido a um simples inseto em cima desta cômoda. Ora, estou muito velho para acostumar-me a semelhante brincadeira. Se vou ficar assim toda a vida, então antes acabar com tudo de uma vez — e peço que me leve e largue diante do bico do pinto sura.
— Não seja tão exagerado, Coronel — disse o Visconde. — Estou preparando uma dose de superpó e com esse ingrediente é possível que a Emília e eu… Ai!
Um forte puxão no fio da campainha advertira-o de que estava falando demais. O Visconde engoliu o fim da frase. Narizinho, porém, que estivera ouvindo a prosa, desconfiou e disse ao ouvido de Dona Benta:
— Estou quase acreditando, vovó, que tudo quanto aconteceu não passa dalguma reinação da Emília. O Visconde sabe, mas não pode dizer. Desta vez distraiu-se e ia contando; súbito, “Ai!” deu um gritinho e nem rematou a frase. Por quê? Porque Emília, lá de dentro da cartola, pregou-lhe um puxão na barba. Emília é o que há de esperta, vovó. Inventou a tal “campainha” justamente para isso: para brecar o Visconde sempre que ele for se tornando indiscreto.
— Tudo é possível neste mundo de maravilhas — suspirou Dona Benta — mas temos de ficar muito caladinhas, porque hoje quem realmente manda é a Emília, já que mora na cabeça do mais poderoso gigante do mundo. Estamos nas mãos dos dois — nós e toda a humanidade. A perda do tamanho nos tornou tão fracos e inúteis como pulgões de broto de roseira.
— Pois eu continuarei atenta — disse Narizinho — e hei de pescar toda a verdade.
O Visconde perguntou ao pessoal da cômoda se não desejavam alguma coisa. Juquinha pediu besouros e Pedrinho quis um livro. Andava interessado em saber se ainda era possível a leitura de livros.
O Visconde tomou um ao acaso, ali da sua escadaria de livros, e largou-o sobre a cômoda. Pedrinho trepou na página aberta a fim de experimentar a leitura. Difícil, sim. Tinha de ir andando, como caranguejo, por baixo de cada linha, lendo as letras uma por uma. Leu assim duas ou três frases e cansou-se. Depois quis voltar a página. Viu que exigia o esforço de duas pessoas, uma para levantar a folha do livro a pulso, como o carpinteiro que levanta uma tábua; e outra que a empurrasse para cima por meio duma comprida vara. A folha do livro ficava assim em vertical. Para fazê-la deitar-se do outro lado, era preciso mais uma série de manobras.
Dona Benta, que estava assistindo àquela brincadeira, disse filosoficamente:
— Estou vendo que toda a cultura humana, guardada nas bibliotecas, está perdida. Tirar os livros das estantes já vai ser quase impossível. Abri-los é um trabalho e lê-los, letra por letra, caminhando de pé por baixo das linhas, é esforço lento e fatigante. Será uma verdadeira façanha de Hércules ler um livro todo.
Enquanto isso o Visconde e Emília cochichavam em voz baixa a pouca distância dali. O superpó já estava pronto. Podiam correr mundo. O melhor era irem duma vez à Casa das Chaves, levantarem a Chave do Tamanho e pronto. Tudo ficaria como dantes. Emília, porém, estava indecisa. Queria e não queria, e mais não queria do que queria. Por fim veio com a ideia do plebiscito.
— Acho, Visconde, que não podemos decidir por nós mesmos num ponto de tanta importância. Não somos ditadores dos tais do quero, posso e mando. Temos de consultar a opinião das gentes e só fazer o que a maioria quiser. Temos de dar uma volta pelo mundo, ver pelo menos a Europa e os Estados Unidos. Como decidirmos qualquer coisa sem conhecermos o estado real da humanidade?
Assentado aquele ponto, o Visconde foi avisar o Conselheiro.
— Nós vamos partir novamente — disse ele — e o senhor fica de sentinela. Não deixe entrar na casa ave nenhuma, nem o Rabicó. Ele prometeu comportar-se, mas duvido que veja um inseto descascado e resista à tentação de comê-lo.
O burro prometeu cumprir fielmente as instruções.
18 – O filósofo chinês
Lá na cômoda Dona Benta e os meninos estudavam a situação.
— Para mim, vovó, tudo não passa de arte da Emília — dizia a menina. — Cada vez me convenço mais. Lembre-se que na manhã do dia do desastre ela desapareceu daqui, e logo em seguida o Visconde veio dizer que lhe haviam roubado a caixinha de superpó. Juro que foi ela! Tomou uma pitada e afundou pelos infinitos, e lá mexeu em alguma coisa. Estou certíssima disso. Não vê como ela está segura de si e emproada, cheia de “vous” e “faços?” Todos no mundo estão assim como nós, tontos, sem saber nem o que pensar — menos Emília. Garanto que tudo é uma arte dela.
— Pois se é arte dela, minha filha, só ela poderá consertar o torto. Esperemos. Não é a primeira vez que nos encontramos em situação esquisitíssima. Quanta coisa se tem passado nesta casa! Até pelo céu vocês já andaram, brincando de escorregar nos anéis de Saturno. E eu já estive sentada no dedo do Pássaro Roca, pensando que era uma raiz de árvore. Mas no fim tudo acabou bem.
— Agora é diferente, vovó. Naquelas aventuras as coisas aconteciam só para nós; o que agora aconteceu alcançou a humanidade inteira. Qual é sua ideia, tia Nastácia?
A boa negra, entretida em emendar fibras de algodão, respondeu como se já não fosse uma criatura desse mundo.
— Ah, eu penso que o mundo acabou — o mundo antigo. Nós morremos todos, sem saber, e estamos no céu. Somos almas do outro mundo e o outro mundo é este — esta cômoda, o Coronel, tão pequenino, ali de tanga de flor, Emília lá na cartola do Visconde. Ou então é sonho. Se é sonho, quando acordarmos tudo se acaba e a vida de dantes começa outra vez. E se é morte, é morte e pronto. Pois então vou acreditar que estou virada em içá de tanga? Não sou boba. Ou já morri e estou num céu, ou tudo isto é sonho.
Narizinho ficou impressionada com a ideia da negra.
— Será assim, vovó?
— Como posso saber, menina? Nosso modo de vida nesta casa sempre me deixou tonta e incerta sobre a realidade das coisas. Até me faz lembrar aquele caso do filósofo chinês.
— Qual deles?
— Aquele filósofo ou poeta chinês, já não me lembro, que passou a noite sonhando que era borboleta, e durante todo o sonho viveu a vida das borboletas, com ideiazinhas de borboleta, comidinhas de borboleta, tudo de borboleta, com a maior clareza e perfeição. Quando acordou e se viu outra vez homem, caiu na dúvida. “Serei uma borboleta que está sonhando que é homem ou sou um homem que sonhou que era borboleta?” E por mais que pensasse nisso, nunca pôde saber com certeza se era realmente uma borboleta que sonhava ser homem ou um homem que havia sonhado ser borboleta.
— Que graça! exclamou a menina.
— Pois estou que nem esse poeta chinês — concluiu Dona Benta. — Não sei se sou gente grande que está sonhando que é gentinha, ou se sempre fui gentinha que por muito tempo sonhou que era gente grande.
— E qual a sua opinião, Coronel? — perguntou o menino.
O Coronel Teodorico estava com o cérebro mais oco do que um porungo. Não tinha ânimo de pensar e até chegava a ter medo das ideias que lhe acudiam. Pedrinho teve de insistir muito para que ele dissesse:
— Eu estou com tia Nastácia. Isto é pesadelo. Não pode ser verdade. Pois onde se viu um homem que nunca teve medo de nada, e vivia na fartura, acabar escondido numa fresta de rodapé, perto duma barata enorme, tremendo de medo dos seus próprios leitões soltos pela sala? Pois então isso é coisa possível? O que me parece é que estou louco — ou que todos estão loucos. Já li a história dum louco que ficava parado num canto, com uma caneca na cabeça — e assim levou anos, sabem por quê?
— Por quê?
— Porque estava convencido de que era um pote dágua. Não falava, porque os potes não falam. Não tirava a caneca da cabeça porque os potes não tiram a caneca da tampa. Por mais que os médicos do hospício lhe explicassem que ele não era pote e sim um homem como os outros, o coitado não acreditava. Convencera-se de que era pote e acabou-se. Quem sabe se nós enlouquecemos e estamos tal qual o homem do pote? Quem sabe se não há nada disto, e tudo é ilusão nossa?
Nesse momento o Visconde apareceu, com a Emília debruçada na janelinha. Contou que o novo superpó estava pronto e eles iam correr mundo para verificar a situação real da humanidade.
Dona Benta arrenegou — mas que remédio? Se Emília queria a tal viagem à Europa, estava querido. A dona do mundo era ela. Pois que fossem. Em seguida pôs o Visconde a par da discussão ali na cômoda.
— O Coronel acha que o que estamos é loucos — e repetiu a história do pote.
— Isso não! — gritou Emília da janela. — Esse louco do pote era um só, e neste nosso caso de agora todos se sentem pequenininhos. Uma loucura assim de toda gente não pode ser loucura — loucura é coisa só de uns.
— E tia Nastácia acha que é sonho — continuou Dona Benta.
— Sonho o nariz dela! — berrou Emília. — Parece incrível que não percebam o que houve. O mundo é uma máquina de mil peças. Com certeza alguma peça saiu do lugar — é isso.
Narizinho, sempre atenta às palavras de Emília, aproximou-se.
— Peça que saiu do lugar? — repetiu. — Se alguma peça saiu do lugar, não saiu sozinha — alguém deve ter bulido nela.
— Isso não! — protestou Emília vivamente. — Por que é que o automóvel do José Batata parou, naquela vez em que fomos à cidade? Porque o arame do acelerador se partiu — e quem estava mexendo lá dentro para que o arame se partisse? Partiu-se por si mesmo. São coisas que acontecem.
Mas o calor com que negou a ideia de haver alguém mexido na peça ainda mais aumentou as desconfianças da menina, a qual disse ao ouvido de Dona Benta:
— Juro, vovó, que quem mexeu na peça foi ela!
E depois, em voz alta para “caçá-la”:
— Emilinha, você ainda não nos contou o que foi fazer naquela manhã, depois de furtar o superpó do Visconde.
— O que fui fazer? Ora esta. Fui dar um passeio pelas estrelas — para verificar se o pó era mesmo o que o Visconde dizia.
— E andou pulando de estrela em estrela, não é?
O modo irônico de Narizinho falar fez que Emília se abrisse. Já andava amolada com aquele segredo.
— E se fosse eu? Se mexi na Chave do Tamanho, não o fiz por querer. Não havendo intenção, não há culpa, como disse Dona Benta outro dia. E por isso estou de cabeça levantada, pronta para aparecer diante de todos os tribunais do mundo. Quero vez quem me condena.- E se começam a me amolar, sabem o que faço? Não faço nada! Largo mão de tudo e a humanidade que se fomente. Pipocas!
— Cama, calma, Emília! — disse Dona Benta. — Não é caso para se queimar. Ninguém aqui imagina que você queira destruir a humanidade, e se por acaso fez algum mal, foi sem querer — e vai consertar a malfeitoria e deixar tudo como dantes.
— Isto também não! — protestou Emília. — Quer então a senhora que eu deixe o mundo como estava, dividido em duas partes, uma matando a outra, bombardeando as cidades, escangalhando tudo? Ah, isso é que não. Ou acabo com a guerra e, com esses ódios que estragam a vida, ou acabo com a espécie humana. Comigo é ali na batata!
A arrogância daquelas palavras era uma coisa incrível. Dona Benta tremeu pelos destinos do mundo e fez sinal a Narizinho para que ficasse quieta. Era preciso não irritar a pequena criaturinha da qual a sorte da Espécie Humana dependia.
