RAKONTU ALIAN ANJO 11. LA RUZA ŜTELISTO (tria parto)

la ruza ŝtelisto (3)

ricardo garanhani desegnis
   

    Nu.
Dum kelka tempo la junulo ne volis ŝteli en la kastelo. Li havis sufiĉan monon kaj ne intencis riski. Okazis do ke la mono malaperadis kaj iam ĝi finis.
Post tio li ja decidis iri al la castelo, tra tiu eniro kiun nur li konis. Li kaŝe alvenis al la trezorejo por videti. Ĉio estis kiel antaŭe. La sama rado je turniĝantaj tranĉiloj, la sama dentradaro. Li havis kun si novan ferstangeton, haltigis la radon, eniris, ŝtelis ĉion deziratan, foriris, turnigis la radon.
Sed la reĝo malkovris la ŝteladon. Post tiam, kiam li trovis tiujn pecojn el ŝtelisto meze de la padeloj, kiuj estis de la patro de nia ŝtelisto, li sendis ĉiumatene serviston por kontroli la monon. Kaj tiu-ĉi matene la reĝo malkovris.
Li decidis fari proklamon kiel klopodo por aresti la ŝteliston. Li sciigis al la tuta urbo ke en la ĉambro de la princino estis bela lintuko brodita de ŝi mem. La ŝtelisto kiu kapablus ŝteli la lintukon meritos duonon de la regno kaj edziĝos kun la princino.
La ŝtelisto jam estis laca pri ŝtelado kaj decidis ŝteli tiun tukon kaj riĉiĝi kaj princiĝi.

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GIL VICENTE 21. FARSA DAS CIGANAS (1521)

cigana

Resumo:

Entram em cena quatro ciganas. Pedem esmolas e se dizem cristãs. Querem receber objetos em troca da “buena ventura”. Entram a seguir quatro ciganos. Querem trocar cavalos. Cantam. As ciganas se oferecem para ensinar feitiços às damas presentes e em seguida lêem suas linhas das mãos. Vão-se cantando.

GV059. Ciganas

En la cocina estaba el asno
Bailando,
Y dijéronme, don asno,
Que vos traen casamiento
Y os daban en axuar
Una manta y un paramiento
Hilando.

(canta Jorge Teles)

 

Comentário:

Toda em espanhol, esta é, por certo, a mais singela obra de Gil Vicente, sem contar o Auto de São Martinho, que se trata de uma cena de procissão de Corpus Christi. Não há praticamente enredo; é um quadro. Ciganos entram  no círculo de cortesãos e lêem a sorte. O que as ciganas chamam de feitiços, hoje se podia chamar de simpatias: “outro feitiço que posso lhe dar, é que possais, senhora, saber, qual o marido que haveis de ter, e o dia e a hora em que haveis de casar”. Isto se parece com nossas simpatias para a véspera do dia de Santo Antonio.
Dois aspectos fazem dessa obra uma peça ímpar. O primeiro são as expressões elogiosas que os ciganos dirigem aos presentes: “lírio da Grécia”, “rosa nascida às margens do Nilo”, “esmeralda polida”, “minha linda ave Fênix”, e vai por aí. O segundo é a linguagem dos ciganos: Gil Vicente, como sempre fez, adota uma escrita de acordo com a pronúncia do personagem. Os ciganos se apresentam falando com ceceio; há uma abundância de z: Diuz, cristianuz sumuz… Mais tarde, na Farsa Chamada Auto da Lusitânia, de 1532, as deusas entoarão uma cantiga toda com ceceios. Acreditava-se na época que os ciganos tinham vindo do Egito e, como os ciganos falavam ceceando, os deuses, que também vinham do oriente, deviam cecear. Eis Gil Vicente exibindo um de seus mais preciosos troféus: as falas das gentes do povo se apresentam com uma espontaneidade realista, sem embelezamento nem artificialidade. Eu compararia esta linguagem com a linguagem das pinturas do renascimento do norte europeu, despojadas de um classicismo que se pretende elegante mas é padronizador.

sonho de uma noite de verão – shakespeare

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO
William Shakespeare


(Nota: Fiz esta tradução adaptada para adolescentes, visando uma encenação com alunos da Escola Raphael Hardy, em 1973. O objetivo era juntar apenas alunos interessados, de todas as turmas, e trabalhar nos recreios e outros horários livres. O tempo não foi suficiente e o trabalho foi suspenso. Foi uma pena, porque a moçada estava se dedicando bastante. Alguém se lembra?)

Personagens: TESEU, duque de Atenas. HIPÓLITA, rainha das amazonas, sua noiva. EGEU, cidadão. LISANDRO e DEMÉTRIO, jovens atenienses. HÉRMIA, filha de Egeu, apaixonada por LISANDRO. HELENA, apaixonada por DEMÉTRIO. FILÓSTRATO, responsável pelas festas da corte. PEDRO MARMELO, GARRAFÃO, PÉ-DE-PATO, TROMBONE, JERERÉ e FAMINTO, pessoas do povo que ensaiam um teatro para as bodas. OBERON, rei dos elfos. TITÂNIA, rainha das fadas. PUCK, elfo, criado de OBERON. FLOR DE ERVILHA, TEIA DE ARANHA, TRAÇA e SEMENTE DE MOSTARDA, fadas, criadas de TITÂNIA. Séquito de nobres, elfos e fadas.

ATO I
Cena 1. Atenas. O palácio de Teseu. Entram Teseu, Hipólita, Filóstrato e séquito.

TESEU: Querida Hipólita! Agora só falta um dia para o nosso casamento e parece que o tempo parou!
HIPÓLITA: Um pouco de paciência e o nosso dia já chegará.
TESEU: Filóstrato! Fale a todos os atenienses. Convide todo o povo para a festa! Quero um casamento cheio de alegrias! (sai Filóstrato; entram Egeu, Hérmia, Lisandro e Demétrio)
EGEU: Salve, duque!
TESEU: Que há de novo?, Egeu.
EGEU: Venho, a contragosto, fazer queixa contra minha própria filha, Hérmia. Veja, duque, este é Demétrio, que eu escolhi para marido de minha filha. Mas este Lisandro aqui, enfeitiçou o coração da menina. Sim, Lisandro, você conquistou minha filha com palavrinhas bobas, cançõezinhas, cachinhos de cabelo, anéis, ramalhetes, docinhos, estas porcarias dos namorados. E assim, a obediência filial se transformou em teimosia. Como pai, quero a justiça de Atenas. Oua ela se casa com Demétrio, ou morre!
TESEU: Hérmia!, o que diz disto? Cuidado na resposta! Deve-se obedecer aos pais.
HÉRMIA: Vossa graça me perdõe a coragem, mas não quero viver se não for com Lisandro.
TESEU: Preste atenção, menina! Amanhã, quando serão celebradas as minhas bodas, você deverá dar a resposta final.
DEMÉTRIO: Hérmia, concorda. E você, Lisandro, não queira se opor mais ainda ao meu direito, recebido de Egeu.
LISANDRO: Se ele te quer tanto assim, case você com ele.
EGEU: Sem-vergonha! É verdade que o prefiro e para ele deixarei os meus bens.
LISANDRO: Senhor, eu também sou de boa familia. Além disto, Hérmia gosta é de mim. E tem mais. Helena, a filha de Nedar, está apaixonada por Demétrio.
TESEU: Já ouvi falar disto. Outra hora falarei a Demétrio sobre o caso. Mas agora, Egeu e Demétrio, venham comigo. Vamos, Hipólita. E você, Hérmia, cuidado com os teus caprichos. (saem Teseu, Hipólita, o séquito, Egeu e Demétrio)
LISANDRO: Então, Hérmia. Que faremos?

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