Monteiro Lobato

As aventuras de Hans Staden

 Capítulos 19 e 20

 

19 – A guerra

         Quatro dias depois se reuniram em Ubatuba as canoas destinadas à guerra.

         Cunhambebe compareceu com a sua hoste de guerreiros. Conferenciou com Ipiru e determinou que Hans tomaria parte na expedição. Esta decisão vinha transtornar todos os seus planos de fuga. Hans, no entanto, soube esconder a contrariedade e fingir que iria de bom grado, na esperança de que durante o percurso não o guardassem muito de perto e ele pudesse desertar em terra tupiniquim.

         A expedição compunha-se de quarenta e três canoas, tripuladas por vinte e três homens cada uma.

         – Não era uma brincadeira – exclamou Pedrinho. – Quarenta e três multiplicado por vinte e três dão – esperem um pouco – dão novecentos e oitenta e nove homens. Irra! Quase mil!… Continue lendo “Monteiro Lobato”

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As aventuras de Hans Staden

 

 Capítulos 17 e 18

17 – O carijó doente

         Havia na taba um prisioneiro carijó que houvera sido escravo dos portugueses e fora apanhado pelos tupinambás numa das expedições contra São Vicente. Esse carijó detestava Hans Staden e vivia dizendo que fora ele quem matara o pai de Nhaepepô com um tiro.

         Era falso. O carijó estava ali na taba já de três anos e Hans só tinha um ano de estada no Brasil: não podia o índio, portanto, tê-lo conhecido na Bertioga, como afirmava.

         Um dia, em que esse escravo caiu muito doente, Ipiru-guaçu, seu dono, chamou Hans para curá-lo.

         Hans examinou-o e disse:

         – Está doente e vai morrer porque me quis fazer mal. Não tem cura. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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As aventuras de Hans Staden

 Capítulos 15 e 16

 

15 – Cenas de canibalismo

         Algum tempo depois os índios de Ubatuba foram convidados para uma festa na taba de Ticoaripe na qual iam comer um prisioneiro maracajá.

         Os convidados partiram em canoas, levando Hans consigo.

         Em todas as cabanas as mulheres estavam ultimando o preparo do cauim, bebida indispensável em tais festas.

         Hans aproximou-se do prisioneiro maracajá e perguntou-lhe:

         – Estás pronto para morrer?

         O índio olhou-o com indiferença e respondeu, muito calmo, a sorrir:

         – Sim, estou pronto para tudo. Mas nós maracajás possuímos melhores muçuranas…

         – Que é isso, vovó? – perguntou Narizinho.

         – Eram umas cordas que os índios preparavam especialmente para amarrar os prisioneiros no dia do sacrifício. Aquele maracajá sorria diante da morte e caçoava dos seus inimigos… Hans Staden sentiu uma grande dó do infeliz. Afastou-se e pôs-se a ler um livro de capa de couro, que os índios haviam trazido de um barco apanhado com auxílio dos franceses. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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