Monteiro Lobato

As aventuras de Hans Staden

 Capítulos 13 e 14

 

13 – Esperanças

         Logo depois da partida de Nhaepepô chegou de São Vicente um navio português, que deitou âncora perto da taba e disparou um tiro de canhão. Era o sinal do costume para que os índios das redondezas viessem ter com os navios.

         Ao ouvirem o tiro os índios disseram ao prisioneiro:

         – Aí vêm teus amigos portugueses; querem saber se vives e se queremos dar-te em troca de alguma coisa.

         A notícia encheu-o de esperança. Mas ser procurado por navio português era dar provas de ser português e Hans inventou logo uma história destinada a atrapalhar os índios. Disse-lhes que tinha entre os portugueses um irmão francês e com certeza era esse irmão quem vinha procurá-lo.

         Os índios porém não deram crédito à história. Aproximaram-se do navio a ponto de fala e perguntaram o que queriam.

         Os portugueses indagaram de como ia passando Hans. Os selvagens responderam que não sabiam de quem se tratava. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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As aventuras de Hans Staden

 Capítulos 11 e 12

 

11 – O francês sem coração

         Um dia surge um selvagem pela cabana de Hans adentro, gritando:

         – Está cá o francês mercador de pimenta; vamos verificar se és da mesma raça dele ou não.

         O pobre artilheiro exultou de contentamento. Era um cristão que vinha ao seu encontro e que fatalmente o salvaria. Apressou-se, portanto, em comparecer à presença daquele juiz que lhe caía do céu.

         Essa entrevista, meus filhos, é uma cena de tragédia das mais empolgantes. Quem a figura na imaginação não a esquece nunca mais.

         Os selvagens levaram-no à presença do francês, nu como ele andava, tendo apenas nos ombros um pano de linho que achara na aldeia.

         O mercador de pimenta dirigiu-lhe a palavra em francês. Hans, que mal conhecia essa língua, atrapalhou-se nas respostas. O monstro, então, voltou-se para os selvagens e disse-lhes em língua da terra:

         – É português dos legítimos, meu e vosso inimigo. Matai-o e comei-o! Continue lendo “Monteiro Lobato”

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As Aventuras de Hans Staden

Capítulos 9 e 10

 

09 – Rumo à taba

         A captura de Hans – continuou Dona Benta – deu-se ali pelas quatro horas da tarde, e como a taba fosse longe, resolveram os tupinambás dormir numa ilhota do caminho. Saltaram das canoas e as vararam em terra.

         O pobre artilheiro achava-se em mísero estado; além de nada enxergar, pois tinha o rosto em sangue, não podia mover-se, devido ao ferimento da perna. Assim é que ficou deitado na areia, enquanto os índios preparavam o pouso. Naquela imensa aflição pôs-se a rezar um salmo, com os olhos em pranto. Ao vê-lo nesse estado, os índios escarneceram.

         – Vede como chora! Ouvi como se lamenta!

         Em transes idênticos os prisioneiros indígenas mostravam grande arrogância e profundo desprezo pela vida; arrostavam os seus matadores, ameaçando-os com a vingança dos amigos e parentes. Os brancos, porém, em geral se acovardavam, choravam e pediam misericórdia.

         Os tupinambás acenderam fogueiras e deitaram o prisioneiro numa rede armada entre duas árvores, atando aos galhos as pontas das cordas manietadoras. Depois se acomodaram em redor, exclamando com ironia:

         – Che remimbaba indé. – És meu animal doméstico. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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