Monteiro Lobato

O Poço do Visconde

 Capítulos 15 e 16

 

15 – A dinheirama

         Enquanto não se construíam a refinaria e a canalização, era preciso fazer qualquer coisa do petróleo – e o remédio foi vendê-lo em estado bruto às pequenas refinarias já existentes no País. Eram refinarias montadas para extrair gasolina e querosene do óleo bruto importado do estrangeiro. Assim que elas souberam que havia petróleo no sítio de Dona Benta, mandaram para lá seus representantes fazer propostas.

         Quem discutiu com eles foi Narizinho, recentemente nomeada Diretora Comercial da Companhia. Dona Benta era a Diretora Geral. O Visconde, o Consultor Técnico. Emília, a Diretora dos Transportes e Quindim, o Encarregado Geral da Defesa.

         Narizinho recebeu os homens e discutiu muito bem a questão do preço, não pedindo nem de mais nem de menos.

         – Vou fazer um precinho de amigo – disse ela. – Dez centavos o litro. Serve? Continue lendo “Monteiro Lobato”

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O Poço do Visconde

 Capítulos 13 e 14

 

13 – Grandes mudanças na vila

          Com o aparecimento do petróleo, a conversa nos serões de Dona Benta tornou-se exclusivamente petrolífera. Quem falava era sempre o Visconde, sabidinho como ele só. No dia imediato ao banho do jornalista, sua dissertação foi sobre o modo de refinar o petróleo bruto.

         – Porque o petróleo bruto – disse ele – só serve para queimar. Mas se o refinarmos, obteremos uma porção de produtos de muito valor, como a benzina, a gasolina, o querosene, o supergás, o óleo combustível, o óleo lubrificante, as parafinas, as vaselinas, o asfalto, o coque de petróleo e mais numerosos produtos de menor importância. Os petróleos brutos variam muito. Uns são bastante ricos em produtos voláteis; outros não dão produtos voláteis; outros só dão produtos voláteis, como o de Montechino, na Itália, que rende 95 por cento de gasolina e querosene.

         – Noventa e cinco por cento? – admirou-se Pedrinho. – Então é quase todo ele gasolina e querosene… Continue lendo “Monteiro Lobato”

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O Poço do Visconde

 Capítulos 11 e 12

 

11 – Petróleo, afinal!

         Depois dos 700 metros os meninos notaram que o perfurador e o  químico-geólogo vinham prestando muita atenção aos testemunhos extraídos do poço. Eles chamavam testemunhos aos tais cilindros de rocha obtidos por meio da perfuração rotativa. Num galpão armado à esquerda da sonda esses testemunhos iam sendo dispostos uns em cima dos outros, formando altas colunas, com papeletas indicativas das profundidades.

         Desse modo ficava perfeitamente visível a constituição do subsolo daquela zona.

         Pedrinho aproveitou-se da vantagem para desenhar em várias folhas de papel-cartão emendadas o Corte Geológico dos Terrenos de Vovó, de acordo com as indicações de Mr. Champignon. Marcava no papel, com riscos horizontais, as camadas atravessadas, indicando a espessura de cada uma e o material de que eram compostas. Esse Corte Geológico foi pregado na parede da sala de jantar, em diversas secções, ocupando-a toda. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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