o dia sem nome, 18

O dia sem nome, 18.

Ao ouvir o assobio Ingrid num relance pensou o aparelho enguiçou vou levá-lo amanhã mas os homens da tela foram diminuindo e tudo foi ficando curvo e confuso, subindo, escuro, desceu sobre Ingrid o esquecimento. Um punhado de matéria informe, molhada, misturada a roupas bem brancas dentro de uma casa limpíssima, que nunca mais ia ser limpa, até sua total destruição, alguns séculos mais tarde. Nos aeroportos, aviões apodreceram, painéis permaneceram acesos, instrumentos funcionaram para o vazio. A ata da Assembléia Constitucional não foi assinada. O homem que furava um poço ficou lá no fundo, desmanchado, e não foi destruído por vermes que não foram consumidos por bactérias que não mais existiam. O petróleo jorrou para ninguém, milhões de barris incendiaram, as máquinas não precisavam mais do óleo negro. Nas sedes dos jornais, imensos e vazios, não se falou mais da moda nem da economia nem dos ditadores. Na aula de pintura, o modelo nu não mais se levantaria e os estudos amarelaram incompletos. Em Epidauro, o guarda-roupa desenhado para o festival não seria confeccionado e Dionísio, morto, não ouviria mais o entoar da fúria divina das bacantes.
Silêncio de gente, silêncio de animais, silêncio de farfalhar de folhas. O eco repetia pedaços de coisas que tombavam, agora uma parede, daqui a um ano uma janela. O silvo não das serpentes do vento que tinha agora o seu caminho livre. A música não dos pássaros da água acumulada dentro das construções sem telhado, escorrendo depois por sobre panelas furadas, televisores arrebentados, trens parados e enferrujados. 
No fundo do grande mar vagavam os destroços mais leves dos navios e dos submarinos e dos petroleiros, explodidos por não terem sido frenados. Não tinha mais importância, o envenenamento das águas. Não havia vida a matar, agora.

dante alighieri – vita nova 29. Lasso! per forza…

Dante Alighieri – Vita Nova 29
Lasso! per forza di molti sospiri… (sonetto)


Lasso! per forza di molti sospiri,
che nascon de’ penser che son nel core,
li occhi son vinti, e non hanno valore
di riguardar persona che li miri.
E fatti son che paion due disiri
di lagrimare e di mostrar dolore,
e spesse volte piangon sì, ch’Amore
li ‘ncerchia di corona di martìri.
Questi penseri, e li sospir ch’eo gitto,
diventan ne lo cor sì angosciosi,
ch’Amor vi tramortisce, sì lien dole;
però ch’elli hanno in lor li dolorosi
quel dolce nome di madonna scritto,
e de la morte sua molte parole.

(canta jorge teles)

la tago sen nomo, 17

La tago sen nomo, 17.

Valparaiso, la 14a. de aprilo, je la 17a horo, somera horaro.

Bonvole, kiun straton mi devas laŭiri por atingi la centron de la urbo? – malfermante la aŭtan glacon.
sufiĉas iri laŭ ĉi strato mem. – malleviĝante, por vidi tiun, kiu demandas.
ĉu vi tien iras? – prenante la internan pordofermilon.
jes. – ridetante.
ĉu vi volas petveturon? – malfermante la pordon de la aŭto.
La junulo ne respondis. Li honteme rigardis, honteme ne rifuzis, eniris, sidiĝis, la alia kontrolis la pordofermilon, se ĝi bone fermas, kaj per la brako premis la femuron de la junulo.
ĉu vi havos lekcion? – ŝanĝante la rapidumon de la aŭto kaj metante la manon sur la seksorganon de la junulo.
La junulo ne respondis. Li klopodis por forpreni la manon kiu palpis lin sed pro honto nenion faris.
kioma aĝa vi estas? ĉu mi rajtas daŭrigi? – malfermante aŭ klopodante por malfermi la pantalonfendon.
mi estas deknaŭa. – metante la manon sur la pantalonfendon.
ĉu vi ne volas ke mi malfermu ĝin? – karesante la internan parton de la femuro de la alia.
pli bone, ne! – tenante ambaŭ manoj sur la suba parto de la ventro.
Tamen la alia ne forigis la manon.
ĉu vi iras al lekcio?
jes.
ĉu vi ne volas veni kun mi? – daŭrigante la karesojn sur la seksorgano, kiu jam ekŝveliĝis.
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