apolono kaj hiakinto, 15

apolono kaj hiakinto, 15.

ŝajnis ke alio havas mil brakojn, ŝajnis ke teofilo havas mil krurojn, estis du braĝoj kiuj, sin tuŝante unu la alian, kaŭzadis la suprenŝvebadon de oraj fajreroj, kaj ĉiu kiso estis la ellaso de sonoraj karilionoj, bronzaĵoj kies sono ofendadis la orelojn. teofilo altiris alion supren sin kaj la spirado de unu eniris en la alian kaj la lipoj de alio porĉiame algluiĝis kaj teofilo sentis ke iu subpremas lin, estis ŝtono kiu eble atingus lin kaj necesis vekiĝi kaj giganto ekposedas lin kaj estis konfuzo de skuadoj kaj nun jen li memoras ke estas alio, la servisto de dolĉaj okuloj, la juna servisto, kiu estis sur li en rapidaj movadoj, li ne scias kial, vundita maneto plantiĝis en sia memoro, sed subite la mano forflugis kaj alia reptilia mano prenis lian seksorganon kaj el lia korpo ĝermis fonto kiu ŝprucas blankajn ŝafinojn, ĉiam blankajn ŝafinojn, kiuj sin transformis en gluiĝantajn fiŝojn, kiuj estis frakasitaj per malmola ventro kiu venadas kaj iradas kaj revenadas kaj retiriĝadas kaj la tuta korpo estis nura tremado kaj ĉiufoje kiam alio malsupreniradis kaj premadis sian korpon kontraŭ la ventro de teofilo kaj la brusto kontraŭ lia brusto kaj la femuroj batadis forte kontraŭ la liaj, la sonorilo sonoradis ene de li kaj freneze daŭrigadis la sonoradon ĝis kiam alia forta bato igis denove soni la bronzaĵo kiu estis li mem, kaj nur la algluita buŝo restadis algluita ĉar ĉio cetera estis konstanta venado kaj irado de la aflikta korpo de alio.
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canção séria, encomendada pelo rei…

A ditadura da burrice 09:

Nota: Em 1976, imaginei uma pecinha de teatro em que houvesse um velho rei, uma velha rainha, um príncipe inconstante e um bobo desaforado. A partir de um perfil apenas esboçado, faria as canções que definiriam cada personagem. Fiz a da rainha, a do rei, mas a do bobo desviou-se por um atalho inesperado, era a ditadura. Não sei se por esse motivo, a pecinha foi abandonada, tanto melhor. Ficaram os versinhos a seguir:

Canção do bobo: CANÇÃO SÉRIA, ENCOMENDADA PELO REI, FALANDO DA VIDA, DO AMOR E DA FILOSOFIA
 

Por que ter que cantar
música séria?
Se tudo o que faço
fala de mim?

A vida que eu levo
é uma miséria.
O amor não começa,
é o fim.
A filosofia
é uma pilhéria.
E o tirano tá de olho
em mim.

A vida foi presa no camarim.
O amor sempre zomba de mim.
A filosofia foi pro botequim.

Mas se o tirano pisar 
no meu calo
eu me calo,
e espero.
Não quero
perder o pescoço,
eu posso
roer o meu osso
no fosso.
Comer o meu pasto
de arrasto,
depois eu me afasto
prum canto.
Me afasto
mas canto:

Tirano, tirano, herói de pano,
tirano, fantoche varonil,
tirano da terra do céu de anil,
tirano que é o dono do covil,
tirano que empunha o fuzil,
tirano de zelo senil,
tirano que não é civil,

você vai se ralar,
em março ou abril,
na puta, na puta que te pariu,
na puta, na puta, na puta, na puta,
na puta, na puta que te pariu.
Trinta e um de março
é primeiro de abril,
na puta, na puta que te pariu,
na puta, na puta, na puta, na puta,
na puta, na puta que te pariu…

Curitiba, setembro.1976
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apolo e jacinto, 15

apolo e jacinto, 15.

alio parecia ter mil braços, teófilo parecia ter mil pernas, eram duas brasas que, ao se tocarem, provocavam a subida de faíscas de ouro e cada beijo era o desencadear de carrilhões sonoros, bronzes cujo soar permanecia ofendendo os ouvidos. teófilo puxou alio pra cima de si e o respirar de um entrou no outro e os lábios de alio se colaram pra sempre e teófilo sentiu que o esmagavam, era uma pedra que talvez o atingisse e era preciso acordar e um gigante se apossava dele e o cobria e eram solavancos confusos e ele já se lembrava que era alio, o moço de olhos macios, o jovem criado que estava sobre ele, em movimentos rápidos, não sabia porque, uma mãozinha ferida se plantou na sua memória mas de repente a mão saiu voando e outra mão réptil segurou seu sexo e brotou de seu corpo uma fonte que espirrava ovelhas brancas, sempre ovelhas brancas, que se transformavam em peixes pegajosos que eram esmagados por um ventre duro que vinha e ia e voltava e recuava e todo o corpo era um tremor e cada vez que alio baixava e comprimia a barriga contra seu corpo e o peito contra seu peito e as coxas batiam fortes nas suas, o sino tocava dentro dele e continuava ressoando louco até que outra pancada mais forte fazia de novo soar o bronze que era ele e apenas a boca colada permanecia colada porque todo o resto era um incessante vir e ir do corpo aflito de alio.
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