Dom Quixote das Crianças
Capítulos 13 e 14
13 – Combate com os carneiros
– Pobre Sancho! – exclamou Narizinho. – É possível que ainda pegue a ilha que Dom Quixote lhe prometeu – mas eu não queria uma ilha, nem que fosse a de Madagascar, por esse preço.
– Pois eu queria – contrariou a boneca.
– Está claro. Criaturas de pano, sem costelas, podem ser petecadas a vida inteira que não dói, nem quebra nada. Mas o pobre Sancho, apesar de gordinho, já devia andar com as costelas em pandarecos. Que adianta uma ilha para um homem descostelado?
O Visconde interveio corri a sua ciência.
– Isso de quebrar costelas não tem muita importância – disse ele. – Elas soldam-se. Muito mais perigoso é quebrar o crânio.
– Por quê? Crânio também solda. Todo osso solda – objetou Pedrinho.
– Sim, mas quando o crânio se quebra quase sempre a quebradura do osso espeta os miolos e o paciente fica de cérebro transtornado. Não se pode mexer no cérebro humano. Aquilo tem um tal arranjo, que qualquer desarranjinho provoca doenças horríveis –
loucuras, perda de memória, mil coisas. A maior maravilha que existe é o cérebro.
– É verdade – concordou Emília. – Tudo quanto há na Terra, feito pelos homens, sai dessa maravilha – as guerras, os crimes, as maluquices…
– Isso também não, Emília – disse Pedrinho. – Sai o mau e também o bom. Saem as invenções, saem as obras de arte, os livros como este… Continue lendo “Monteiro Lobato”
