Monteiro Lobato

Dom Quixote das Crianças

Capítulos 05 e 06

 

05 – Dom Quixote volta para casa. A queima dos livros

Sem responder à pergunta, Dona Benta continuou:

– Quando o pobre cavaleiro andante se viu só, com o grupo já bem longe, soltou um profundo gemido. Quis levantar-se. Impossível. Estava completamente derreado. Deixou-se então ficar onde estava, a recordar vários lances da cavalaria andante, em que o herói servira em condições ainda piores que a sua. Vieram-lhe à lembrança uns versos duma das histórias lidas.

Onde estás, senhora minha,

Que não te dói o meu mal?

Ou não o sabes, senhora,

Ou és falsa e desleal!

Nesse ponto apareceu gente. Apareceu um homem lá da aldeia dele, que andava em compras de trigo. Vendo o cavaleiro caído, correu a socorrê-lo. Tirou-lhe a viseira e exclamou:

– Que é isto? O Senhor Dom Quixote por aqui, neste estado?

Fale! Que foi que lhe sucedeu?

Mas não obteve resposta. O herói da Mancha perdera a fala.

Vendo a gravidade do seu estado, o homem o tomou nos ombros e o arrumou dobrado em dois sobre o burrinho em que viera. Depois recolheu as armas por ali espalhadas, o escudo, o espadão, os pedaços da lança, pendurando tudo sobre a sela do Rocinante – e lá se foi para a aldeia com aquele carregamento de cacos. Continue lendo “Monteiro Lobato”

Lobato en Esperanto – 15

Don Kiĥoto por Infanoj

Ĉapitroj 03 kaj 04

 

03 – Unuaj aventuroj

– Ĉu Don Kiĥoto ne estis jam armita? – observis Emilja.

– Esti armata kiel kavaliro ne estas la samo ol kavaliro armata per kiraso kaj armiloj. Esti armata kiel kavaliro signifas ricevi la rangon de migranta kavaliro, donita de alia kavaliro. Kaj tion pensadis Don Kiĥoto survoje. Li nepre devis trovi kavaliron por nobligi lin. Sed kie li trovos ĉi kavalira baptopatro? Don Kiĥoto rigardis de unu flanko al la alia kaj nur vidis dezerton.

Subite, li distingis malproksime ĉe la vojo unu el tiuj malriĉaj gastejoj, tre oftaj tiutempe en Hispanio. Sed al lia imago, ĉiam brulanta, ĝi ŝajnis kiel ege impona kastelo kun turoj, kreneloj, levoponto kaj ĉio ajn, kio ekzistas en la plej famaj kasteloj.

Bonege. Certe interne li trovos kavaliron kapabla armi lin. La kutimo en la tempo de la kasteloj estis tia, kiam vizitanto alproksimiĝis al iliaj muroj, nano de la supro de la turoj blovis klarneton por averti la sinjoron tion, ke iu alproksimiĝas. Don Kiĥoto haltis iom malproksime kaj atendadis la sonadon, kiu indikis tion, “migranta kavaliro venas”.

Nenio sonis, kaj ĉar Rocinante, ege malsata, malpaciencis por eniri la stalon, Don Kiĥoto iris rekte al la gastejo.

Ĉe la pordo estis du virinoj el la vilaĝo – virinoj, tiaj, kiujn oni nomas hodiaŭ “maldeculinoj”.

Laŭ lia imago ili tamen aspektis kiel belaj kastelaninoj, kiuj tie estis por ĝui la kamparan brizon. Kaj li direktis sin al ili. Ĉimomente ĉaskorno eksonis en la paŝtejo malantaŭ la domo: kapristoj sonigis por peti la permeson eniri. “Bonege!”, pensis en si la nobelo. “La nano en la turo sciigas la kastelestron pri mia alveno”. Kaj li alproksimiĝis al la virinoj, kiuj, timante tiun strangan estaĵon, tute ene de metalaĵoj kaj armitan, ekforkuris enen. Don Kiĥoto trankviligis ilin per gesto, kaj levinte la vizieron li montris sian maldikan vizaĝon, kovrita de polvo. Continue lendo “Lobato en Esperanto – 15”

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Monteiro Lobato

Dom Quixote das Crianças

Capítulos 03 e 04

 

03 – Primeiras aventuras

– Dom Quixote já não estava armado? – observou Emília.

– Ser “armado cavaleiro” é coisa diferente de um cavaleiro armar-se com armaduras e armas. Ser armado cavaleiro é receber o grau de cavaleiro andante, dado por outro cavaleiro. E nisso ia pensando Dom Quixote pelo caminho. Era-lhe absolutamente indispensável encontrar um cavaleiro que o armasse cavaleiro. Mas onde esse cavaleiro padrinho? Dom Quixote olhava dum lado e de outro e só via o deserto. Nem sombra de cavaleiro.

Súbito, distingue ao longe um desses pobres albergues de beira de estrada muito comuns na Espanha; mas para sua imaginação sempre em fogo aquilo se afigurou imponentíssimo castelo com torres, ameias, ponte levadiça e o mais dos castelos famosos.

Ótimo. Lá dentro encontraria o cavaleiro em condições de o armar cavaleiro. O costume no tempo dos castelos era, quando algum visitante se aproximava das suas muralhas, ser avistado por algum anão do alto das torres, o qual anão tocava uma corneta, dando aviso ao senhor de que havia gente fora. Dom Quixote deteve-se a certa distância, à espera de que soasse o toque de “cavaleiro andante à vista”.

Não soou coisa nenhuma, e como Rocinante, com uma fome danada, estivesse impaciente por entrar na estrebaria, Dom Quixote aproximou-se do albergue.

Na porta estavam duas mulheres do povo – mulheres vagabundas, dessas que hoje chamam “mulheres de porta de venda”.

Para a sua imaginação, entretanto, pareceram formosíssimas castelãs que ali respiravam a brisa do campo. E para elas se dirigiu. Nisto ecoou no pasto atrás da casa uma buzina: tratadores de cabras que faziam soar o toque de recolher. “Ótimo!”, pensou consigo o fidalgo. “O anão da torre está dando ao senhor do castelo o aviso da minha chegada” – e aproximou-se das vagabundas, as quais, com medo daquela criatura tão esquisita, toda enlatada e armada, fizeram menção de fugir para dentro. Dom Quixote as sossegou com um gesto, e erguendo a viseira descobriu o rosto magro, coberto de pó. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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