Monteiro Lobato – 14

Reforma da Natureza – Primeira Parte

Capítulos 1, 2 e 3

 

1 – A reforma da Natureza

Quando a guerra da Europa terminou, os ditadores, reis e presidentes cuidaram da discussão da paz. Reuniram-se num campo aberto, sob uma grande barraca de pano, porque já não havia cidades: todas haviam sido arrasadas pelos bombardeios aéreos. E puseram-se a discutir, mas por mais que discutissem não saía paz nenhuma. Parecia a continuação da guerra, com palavrões em vez de granadas e perdigotos em vez de balas de fuzil.

Foi então que o Rei Carol da Romênia se levantou e disse:

– Meus senhores, a paz não sai porque somos todos aqui representantes de países e cada um de nós puxa a brasa para a sua sardinha. Ora a brasa é uma só e as sardinhas são muitas. Ainda que discutamos durante um século, não haverá acordo possível. O meio de arrumarmos a situação é convidarmos para esta conferência alguns representantes da humanidade. Só essas criaturas poderão propor uma paz que satisfazendo a toda a humanidade também satisfaça aos povos, porque a humanidade é um todo do qual os povos são as partes. Ou melhor: a humanidade é uma laranja da qual os povos são os gomos.

Essas palavras profundamente sábias muito impressionaram àqueles homens. Mas onde encontrar criaturas que representassem a humanidade e não viessem com as mesquinharias das que só representam povos, isto é, gomos da humanidade?

O Rei Carol, depois de cochichar com o General de Gaulle, prosseguiu no seu discurso.

– Só conheço – disse ele – duas criaturas em condições de representar a humanidade, porque são as mais humanas do mundo e também são grandes estadistas. A pequena república que elas governam sempre nadou na maior felicidade. Continue lendo “Monteiro Lobato – 14”

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Lobato en Esperanto – 13

Rakontoj de onklino Nastasja

Ĉapitroj 41, 42, 43 kaj 44 (lasta)

 

41 – La Fiera Muso

          Muso, kiu tre aprecis sin mem, ĉiam atendadis ŝancon por fari ion kiu montrus al la mondo sian gravecon.

         Iam ĝi subite vekiĝis. La domo bruladis. Ĝi fariĝis tre afliktita kaj ne sciis kiel eskapi.

         La flamoj tamen kreskis kaj ĝi devis decidi; aŭ tie resti kaj esti ĝismorte rostata, aŭ eskapi. Ĝi fermis la okulojn kaj ĵetis sin en la fajron. Sed, sen scii kiel, ĝi ne bruliĝis. Ĝi trovis sin ekstere, sen la plej eta tostaĵo en sia pelto. Tio plenigis ĝin per grandega fiero.

         – Ho! Mi estas vere malsama de aliaj. Eĉ ne la flamoj kuraĝis bruligi min…

         Ĝi ripozetis dum kelkaj momentoj kaj iris por revidi la fajron. Nur tiam ĝi rimarkis, ke ne estis fajro. La ruĝaj sunradioj, kiuj leviĝis, donis al li la impreson de fajro.

         La muso suspiris. Ĝia graveco ne estis tiom granda, kiel ĝi supozis. Kion fari do por pruvi tian gravecon? Continue lendo “Lobato en Esperanto – 13”

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Monteiro Lobato

Histórias de Tia Nastácia

Capítulos 41, 42, 43 e 44 (último)

 

41 – O rato orgulhoso

Um rato fazedor de grande ideia de si mesmo, vivia esperando ocasião de realizar coisas que mostrassem a sua importância. Certa noite acordou de sobressalto. A casa estava queimando. O rato ficou aflitíssimo, sem saber como escapar.

As labaredas, porém, cresciam e ele teve de resolver-se; ou ficava ali, e morria assado, ou escapava. Fechou os olhos e lançou-se ao fogo. Mas; sem saber como, não se queimou. Achou-se lá fora, sem o menor tostadinho no pêlo. Isto o encheu de enorme orgulho.

— Qual! Sou mesmo diferente dos outros. Nem as chamas têm coragem de me queimar…

Passeou por ali uns instantes e voltou a ver o estado do incêndio. Só então percebeu que não tinha havido incêndio nenhum. Os raios do sol, que se ia erguendo, é que lhe deram a impressão de fogo.

O rato suspirou. A sua importância não era o que ele havia suposto. Mas que fazer para provar tal importância? Continue lendo “Monteiro Lobato”

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