Sanktaj kanzonoj de Umbando, en Esperanto

Oŝala’ (Oxalá vai abençoar…)

 

Oŝala’ donacas benon

al gefíloj ĉe l’ altar’

Al la Dipatrino petas

Por lumaĵa senkompar’

Oŝala’ regas Umbandon

Ĝin lumigas kun decid’

Li lumigas nian Templon

Kaj kondukas nin al fid’.

 

Oŝum’ (Eu vi mamãe Oxum…)

 

Oŝum, patrino, ĉe la akvofalo

Sidiĝas sur rivera bordo

Liliojn plukas, lirole’,

Liliojn plukas, lirola’,

Liliojn por ornamo de nia altar’.

 

(Foi na beira do rio, mamãe Oxum…)

 

Oŝum ĉe la rivero

Da larmoj verŝas milojn

Ploras Oŝum, ĉar

Ŝi amas la gefilojn.

 

Iemanĵa’ (Mãe d’agua, rainha das ondas…)

 

Patrino,

Reĝino de l’ ondoj, sireno de l’ mar’

Patrino

Ŝi kantas pli bele kun luno sur mar’

 

E’ Iemanĵa’. E’ Iemanĵa’

Reĝino de l’ ondoj, sireno de l’ mar’

Reĝino de l’ ondoj, sireno de l’ mar’

Ĉio belas, kiam kantas ŝi

Ploras la fiŝist’ kun emoci’

Pro la aŭdo de ĉi sorĉa kant’

Malaperas en maro l’ audant’.

 

Oŝosi (Quem manda na mata é Oxossi…)

 

Arbara patrono Oŝosi,

Oŝosi la ĉasist’

Oŝosi la ĉasist’

Sibladon aŭdis mi de li

Ordonon al laborad’

El Aruando e,

El Aruando a,

La indiĝen’ de Umbando

Venas por kuracad’.

 

Ogum’ (Eu tenho 7 espadas…)

 

Sep glavojn ja mi havas

Por defendi min

Kaj Ogum’ estas

Mia protektanto.

Kaj Ogum’ estas patro

Kaj estas li gvidanto

Kaj Ogum’ estas patro

Kaj Oŝala’

Estas la kunbatalanto.

 

Ŝango’ (Xangô é Corisco…)

 

Ŝango’ estas fulmo

Naskiĝis en tondrejo.

Laboras li dumtage

Kaj dormas en ŝtonejo.

Tie malproksime

La suno brilas tro.

Sarava’ Umbando,

Saravá Ŝango’

 

Iansan’ (Iansan’ Orixá de Umbanda)

 

Iansan’, Oriŝa’ de Umbando

Reĝino de nia altar’

Sarava’ Iansan’, batalantino

Iansan’, Iansan’, Iansan’,

Militistino.

Iansan’, la edzin’ de Ŝango’

Ĉiêle ressonas la fulm’

Leono roras en arbar’

Sarava’ Iansan’, saravá Ŝango’.

 

(tradukis Jorge Teles, por la Dua Esperanto-Tago en Kuritibo, 2017).

Rubaiat, de Omar Khayyam, de 151 a 165

Rubaiat, de Omar Khayyam, de 151 a 165

traduzido por Matos Pereira. Editora Jangada, Rio de Janeiro, 1944.

 

CLI

Se olhas, debalde, para o chão da Terra

E aos Céus levantas teu olhar a esmo,

hoje que tu és tu, como há de ser

quando amanhã não fores mais tu mesmo?

 

CLII

Não é curioso, que, nenhum daqueles

que antes de nós passou o negro Umbral,

jamais voltou para falar da estrada,

que, para conhecer, só sorte igual?

 

CLIII

Depois que nós passarmos esse Véu,

muito depois, haverá ainda o Mundo

que liga, tanto a nossa vinda e ida

quanto dois grãos de areia, o mar profundo.

 

CLIV

Ergui as mãos e, tateando as trevas,

em vão busquei a lâmpada, não nego.

Então o Tu em Mim, atrás do Véu

disse: – “Procura no Eu em Ti, ó cego!”

 

CLV

Quer seja em Nayshapur ou Babilônia,

e tua existência, alegre ou aborrecida,

escoa-se o teu sangue, gota e gota,

caem, uma a uma, as pétalas da Vida!

 

CLVI

Amor, se o Fado, o esquema deste mundo

nos revelassse, como um livro aberto,

iríamos, sem dó, destruí-lo, para

remodelá-lo, de nossa alma perto.

 

CLVII

Olha, Lua de Amor, que não desmaias,

de novo se ergue a outra, na amplidão:

quantas vezes, depois, não se erguerá

para me ver neste jardim – em vão!

 

CLVIII

E quando penetrares, descuidosa,

no Jardim da Memória, ao fim do dia,

se, em teu passeio, fores onde eu durmo,

verás, Amor, que a taça está vazia.

 

CLIX

O vento sul despetalou a rosa

que ontem encantara o terno rouxinol.

Quando as rosas murcharem no teu rosto

outras, decerto, se abrirão ao sol.

 

CLX

Eu não pedi para viver, no entanto,

tomo da vida o que lhe apraz me dar.

Sem lamento, sem lágrima ou protesto,

eu partirei também, sem me queixar.

 

CLXI

Allah não quer saber se és bom ou mal.

Na festa, empunha sempre a maior taça,

colhe todos os frutos desta vida

e não te esqueças que o momento passa.

 

CLXII

Enganar ou mentir, eu não procuro.

Porém o vinho eu sempre procurei

E vivo para o instante que desliza

pois Hoje é meu mas Amanhã não sei.

 

CLXIII

Nossos amigos, onde estão? Quem sabe?

Acaso a Morte os derrubou na lida?

Ainda lhes ouço os cantos na taverna.

Cantos de morte ou de ebriez da Vida?

 

CLXIV

Confia nele e tu terás calor.

Te livrarás das neves do passado.

Penetrarás nas brumas do futuro

e serás, finalmente, libertado.

 

CLXV

Deus tira a força da fraqueza humana

e nós juramos, com o mesmo ardor,

o Verdadeiro e o Falso; porém, eu,

tenho a desculpa da embriaguez do Amor.

Rubaiat, de Omar Khayyam, de 136 a 150

Rubaiat, de Omar Khayyam, de 136 a 150

traduzido por Matos Pereira. Editora Jangada, Rio de Janeiro, 1944.

 

 

CXXXVI

Dúvida, convicção, erro e verdade

são como bolhas de ar, minha querida.

seja irisada ou baça, ela reflete,

nada mais, nada menos, do que a vida.

 

CXXXVII

A essa taça emborcada, sob a qual

rastejamos e à qual chamamos Céus,

não ergas mãos em súplica, pois ela,

tal como tu e eu, anda aos boléus.

 

CXXXVIII

Esconde minha dor, qual passarinho,

que, ferido, se esconde e vai morrer.

Traze-me vinho, rosas e a canção

De tua indiferença ao meu sofrer.

 

CXXXIX

Sempre que a dor e o pranto te aniquilem,

pensa num campo após a chuva – é lindo!

E quando a morte desejares, pensa

numa criança que desperta rindo.

 

CXL

As aparências, quase sempre, enganam.

Os beijos são frutinhas saborosas.

Mas, atenção, Allah nos deu o amor

como certas plantas venenosas…

 

CXLI

Silêncio, oh, minha dor, que um lenitivo

eu hei de achar, enfim, para viver.

Os mortos não têm mais memória alguma.

E, oh, meu amor, não quero te esquecer.

 

CXLIII

Eu pergunto a mim mesmo o que é que eu tenho

e após a morte, o que será do “Eu”.

A vida é breve, é chama, é cinza, e o vento

ao dispersá-la diz: “Alguém viveu.”

 

CXLIV

Se a nossa sorte aqui, é, simplesmente

sofrer,morrer, feliz quem foi aborto.

– E a alma que Allah deve julgar um dia?

– Isto precisas perguntar a um morto.

 

CXLV

Em breve instante, no areal do Nada

e ficas conhecendo o teu contento.

As estrelas se vão, e a caravana

atinge o seu ocaso num momento.

 

CXLVI

Mahmu, senhor de todas as vitórias,

a caterva feroz e alucinante

das dúvidas que afligem nossa alma,

destrói com sua espada flamejante.

 

CXLVII

A bola não consente nem protesta

mas vai e vem até que o jogo acabe.

No chão do mundo és bola do destino.

o indecifrável Ser que tudo sabe.

 

CXLVIII

A mão do tempo escreve e, tendo escrito,

passa além, e nem todo o teu pesar

corrigir pode meia linha, e nem

teu pranto, uma só letra, apagar.

 

CXLIX

Não é verdade que, através das eras

rola uma história, que, se não me engano,

conta que Deus pôs barro umedecido

dentro de um molde com semblante humano?

 

CL

Mandei minha alma através do Invisível

uma letra aprender, do nome “Eterno”.

Pouco depois, ela, voltando, disse:

– “Eu sou eu mesma, o próprio Céu e Inferno.”