Himno de Umbando

José Manoel Alves (teksto) kaj Dalmo da Trindade Reis (melodio), 1961.  

 

Rebriladas Dia Lumo

Per helega splenda flam’

Venis ĝi el Oŝala’

Kiu estas pac’ kaj am’

Ŝvebas ĝi super la tero

Ŝvebas super mara ond’

Venis ĝi el Aruanda

Por lumadi super mond’

Umbando, jen pac’ kaj am’

Kun lumo en ĝia sin’

Jen forto kiu vivigas

Al grandeco gvidas nin

Antaŭen per nia fid’

Estas senkompara leĝ’

Al mondo kunportas flagon

De Oŝala’ nia reĝ’

tradukis Jorge Teles.

Kuritibo, la 28a, novembro, 2016. 

Rubaiat, de Omar Khayyam, de 91 a 105

Rubaiat, de Omar Khayyam, de 91 a 105

traduzido por Matos Pereira. Editora Jangada, Rio de Janeiro, 1944. 

 

XCI

Prefiro o vinho a todas as riquezas,

à própria glória, ao mando, à ostentação.

Prefiro o amante que soluça e geme,

ao fariseu prostrado em oração.

 

XCII

Ninguém pode evocar seu nascimento

Nem predizer sua última morada.

Vem, pois, querida, e com amor e vinho

esqueçamos que não sabemos nada.

 

XCIII

Na verdade, os meus ídolos diretos

reduziram meu ser a mil farrapos;

afogaram-me a honra numa taça,

e venderam meus brios como trapos.

 

XCIV

De fato, eu, penitência muita vez

jurei, estava eu sóbrio, então?

E veio a primavera engrinaldada

e esfolhou o remorso pelo chão…

 

XCV

Sê complacente para com os ébrios,

visto que tu podes cair um dia:

e, se quiseres paz, serenidade,

a dor dos infelizes alivia!

 

XCVI

Rápida caravana, a vida passa;

para o corcel, busca a felicidade;

abandona a tristeza e dá-me vinho.

Não vês? Aí vem a noite da saudade.

 

XCVII

Vós que me dais o vinho na velhice,

quando eu, um dia, já tiver morrido,

amortalhai-me em folhas de parreira

e sepultai-me num jardim florido.

 

XCVIII

Enquanto a rosa encanta este regato

vem ter comigo e vê como ele é lindo!

E quando o anjo te der a Última Taça,

ergue-a cantando e esgota-a sorrindo.

 

XCIX

Se o nosso vinho e os lábios que beijamos

findam no pó, quedemo-nos serenos.

Reconhecendo que, se somos nadas,

nada havemos de ser. Nem mais, nem menos.

 

C

No chão, desfeito em pó, uma cilada

de perfume, hei de armar na natureza.

De forma tal, que alguém, ali passando,

sinta cheiro de vinho, com surpresa.

 

CI

Triste que a primavera leve a rosa!

Que a juventude o livro de ouro acabe!

O rouxinol que ontem cantou no ramo –

Ah!, de onde veio? Pra onde foi? Quem sabe?

 

CII

Ah!, como é vil o peito que não sente,

e o coração que não conhece o amor!

Se não amas – o céu não tem beleza…

Se não amas – o sol não tem calor…

 

CIII

Aurora – as esperanças brilham todas,

e, então, todas as lâmpadas se apagam.

Noite – brilham as lâmpadas acesas,

e as esperanças, uma a uma, esmagam.

 

CIV

Admitamos que, enfim, tu descobriste

os princípios que regem vida e morte;

que tiveste cem anos de ventura

e tens ainda cem… Qual tua sorte?

 

CV

Seguem o Idiota e o Sábio a mesma rota

e este, que colhe o fruto da razão,

sabe que Amanhã e Ontem são iguais

ao dia número Um da criação.

pensamentinhos

livro feito pela flávia


pensamentinhos


Nota:

    Em setembro de 1994, minha sobrinha Flávia Souza fez um curso sobre preparo de livros artísticos. Ela me presenteou com o que está abaixo, com folhas em branco. Sempre pensei que devia escrever nele alguma coisa especial. Finalmente, em dezembro de 2008 comecei a registrar pensamentinhos. Nada de importante.  

 

                             livro feito pela flávia

 

123. eu só tenho aquilo que é meu; o que não é meu, não é meu porque não me foi destinado. (22.out.2016)

 

 122. nem sempre o óbvio é óbvio; o óbvio adora armadilhas. (15.fev.2016)

 

121. quero que meu passado me alimente e não que ele me condene. (02.fev.2016)

 

120. fazer Arte é transformar o Profano em Divino. (02.ago.2015)

 

119. só sou lúcido, quando estou lúcido. (28.fev.2015)

 

118. todos os pequenos choros desaguam no grande choro? não. alguns desaparecem no chão esturricado. (28.fev.2015)

 

117. se é para não possuir… que eu não deseje. (15.fev.2015)

  

116. o mentiroso apaga as pegadas mas esquece de apagar o rastro do rabo. (06.fev.2015) 

 

115. ignorar o mistério nos protege da loucura. (01.fev.2015)

  

114. às vezes, o silêncio é mais musical do que a música. (25.jan.2015)

 

113. meu coração é um dramaturgo cruel; me obriga a tocar viola e dançar num palco forrado de caco de vidro. (23.jan.2015)

 

112. sinto hoje, dentro de mim, um grande funeral; mas ainda não sei o nome do cadáver. (20.jan.2015)

 

111. nunca chame a tua burrice de Destino. (16.jan.2015)

 

110. a paixão enfraquece o apaixonado; mas, se ela é recíproca, ambos se fortalecem. (dez.2014)

 

109. converse sem medo com o demônio e ele vai virar um anjo. (04.jul.2014)

 

108. o que os Anarquistas vão fazer com os semáforos? (13.jun.2014)

 

107. muitos livros não resistem a uma segunda leitura. (08.mar.2014)

 

106. o Homem precisa, sim, da liberdade; mas, antes, precisa saber o que vai fazer com ela. (04.fev.2014) 

 

105. o único pecado… talvez seja a Inveja. (30.dez.2013)

 

104. o Perdão é necessário à manutenção do Pecado. (01.dez.2013)

 

103. o Esperanto é um farol gigantesco, sobre a Torre de Babel. (16.abr.2013)

 

102. entre o feio e o horroroso, o caminho é curto. (26.dez.2013)

 

101. país capitalista não tem povo, mas rebanho. (16.mar.2013)

 

100. entre o seu pensamento e a sua ação existe um céu e um inferno; você é quem escolhe com qual vai conviver. (08.mar.2013)

 

99. o homem é um caos quase organizado. (06.mar.2013)

 

98. Charles Darwin transformou a Bíblia numa metáfora (12.fev.2013)

 

97. sou ruminante, sim; e minha baba tem veneno. (02.fev.2013)

 

96. quem estuda biologia sabe que Deus não é assim tão bonzinho. (02.fev.2013)

 

95. onde existe o poder, não existe justiça. (16.jan.2013)

 

94. o diabo nasceu sem polegar. (15.jan.2013)

 

93. o calor dilata os corpos e os torna mais leves; o calor também dilata a alma; fica mais fácil entrar em órbita. (15.jan.2013)

 

92.  o homem é um neandertal que se julga sapiens. (15.jan.2013)

 

91. a alma não tem idade; ela vive um eterno presente. (12.jan.2013)

 

90. se é democracia, todo mundo é culpado. (10.jan.2013)

 

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