apolono kaj hiakinto, 16

apolono kaj hiakinto, 16.

kaskado ekfaladis malproksime. kun sono de pluvo. tiele ĝi sonis dum senfina tempo, sed koste de la ripetado, ĉiam la sama sono, ĝi ne daŭris pli ol unu minuto. sed tio kio poste okazis longe daŭris. ĉi lumo, de kie venas ĉi brilo?, kiuj estingiĝas tuj kiam ĝi tuŝas Mian konsciencon. alvokoj ŝvebadis en la aero, kvazaŭ sorĉaj birdoj, nun senmovaj kaj pendantaj, tuj poste kirliĝantaj kaj senekvilibraj, kvazaŭ ili dancas la dancon de frenezo. io en iliaj korpoj eklumiĝis, nun fuĝema impreso, tuj poste frostiĝo kaj kompleta forgeso. teofilo intencis demandi tion, kiu vi estas?, kion vi serĉas en mia korpo?, kial vi altiras min kontraŭ vi mem?, sed kiam li precizis la unuan vorton de la demando, la birdoj, pendantaj kiel globoj, krevis aŭ komencis flugadon furiozan, ridegante. alio intencis ekatenti pri io, kiu sin plantis interne de siaj femuroj, sed li sentadis ke sia kapo ruliĝadis sola en la spaco, kun etaj koloraj eksplodoj. Ŝajnas ke iu mano karesas min, sed kie ĝi estas kaj kial ĉi strangaj sonadoj? Mi sentas, ke iu kruro plenigas mian korpon, sed kiel mi atentos pri ĝi?, ĉar ĉio kiu envolvas min, estas ĉi fandiĝantaj braĝoj… Mi volas vekiĝi, ŝajnas ke mi sonĝas, iu premas mian bruston por mortigi min, sed mi ne havas sufiĉan forton por vekiĝi… Mi volas vekiĝi, ŝajnas ke mi sonĝas, iu tenas mian pugon, mi ne havas sufiĉan forton por vekiĝi…
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Pequeno Peã ao Panteão…

A ditadura da burrice 10: PEQUENO PEÃ AO PANTEÃO DOS HERÓIS (marcha fúnebre)


(Para Kennedy)
  
Um féretro brilhante.
Flores e coroas.
Na catedral gigante,
Missas, prantos, loas.

Teus mortos não te seguem,
Só o abutre odiado,
De bico encharcado.

E nas florestas destruídas do Vietnã,
Silêncio.

(Para Salazar)

Nobres e reis distantes
Vão aos funerais.
Viúvas arquejantes
Desfilam seus ais.

Teus mortos não te seguem,
Só o abutre de aço
De bico devasso.
 
E sobre o chão pisoteado de Portugal,
Silêncio.

(Para Franco)

Sobre o corpo assassino
Choram mil donzelas.
Ao cortejo divino
Abrem-se janelas.

Teus mortos não te seguem,
Só o abutre armado,
De bico ensinado.

E sobre as covas perdidas da Espanha,
Silêncio.

(Para Bush)

Eis a campa erigida!
Te aguarda, tirano.
Pra engolir tua vida,
Teu fel e teu dano.

E seguirá teu corpo
O abutre obediente,
De bico insolente.

E nos céus envilecidos do mundo,
Silêncio.

Nota: “Le péan est essentiellement un chant joyex de délivrance exécuté en l’honneur d’Apollon. Mais par extension il désigne aussi le chant funèbre (θρήνσς) adressé aux divinités infernales.” Nota de rodapé em Alceste, de Eurípides, Société d’Édition “Les Belles Letres”, Paris, 1956.

Curitiba, 29.11.1977 (o último homenageado foi incluido mais tarde, claro; é ele um produto típico da democrática e honestíssima eleição americana).

apolo e jacinto, 16

apolo e jacinto, 16.

uma catarata começou a cair lá longe. com um barulho de chuva. ficou assim um infinito, mas, à custa da repetição, sempre igual, não demorou mais que um minuto. foi o resto que demorou. aquela luz, de onde provem esse brilho?, que se apaga, mal fere a Minha consciência. chamados pairavam no ar, como pássaros feiticeiros, ora imóveis e suspensos, ora vertiginosos e desequilibrados, como se dançassem a dança da loucura. algo em seus corpos se acendia, agora uma impressão fugidia, depois um arrepio e um esquecimento completo. teófilo queria perguntar quem é você?, o que procura no meu corpo?, por que me puxa contra si?, mas ao precisar a primeira palavra da pergunta, os pássaros, suspensos como balões, estouravam ou começavam a voar furiosos, soltando gargalhadas. alio queria se concentrar na existência de algo que se plantara dentro de suas coxas, mas sentia a cabeça rolando sozinha no espaço, em meio a pequeninas explosões coloridas. Parece que há u’a mão que me acaricia, mas onde está ela e por que estes rumores estranhos? Sinto que uma perna enche meu corpo, mas, como descobri-la?,  se o único que me envolve são estas brasas derretidas… Quero acordar, acho que sonho, há alguém apertando meu peito pra me matar mas não tenho forças pra acordar… Quero acordar, acho que sonho, há alguém segurando minha bunda, não tenho forças pra acordar…
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