O PICAPAU AMARELO
Capítulos 17, 18, 19 e 20
17 – A sereia aprisionada
Ali pela tardinha a atenção de todos foi atraída por um movimento ao longe. Pedrinho e Peter Pan vinham voltando — mas voltavam a arrastar qualquer coisa pesada.
Emília correu ao binóculo.
— Ah, malandros! — exclamou ela. — Foram pescar e estão trazendo um peixe enorme. Esperem … Não é peixe, não! Parece uma sereia … É uma sereia, sim…
As palavras de Emília alvoroçaram a casa inteira; até Don Quixote levantou-se da rede para ir debruçar-se no gradil da varanda. O Príncipe Belerofonte fez o mesmo.
— Uma sereia, herói! — berrou Emília. — Lá na sua terra havia disso?
— Claro que havia — respondeu o herói. — As sereias foram criadas pela imaginação grega. Mas o que me espanta é que os meninos tenham apanhado uma. Na Grécia eu nunca ouvi falar de ninguém que houvesse pescado uma sereia.
Pedrinho e Peter foram se aproximando. A cena tornou-se visível mesmo sem binóculo. Vinham a arrastar a pobre criatura pelos cabelos — pelos lindos cabelos verdes, cor das algas do mar. Continue lendo “Monteiro Lobato”
