O Sítio… Nona Parte

REINAÇÕES  DE  NARIZINHO

Nona Parte: O Circo De Cavalinhos

1 – A operação cirúrgica

            Depois do concurso para a fabricação do irmão de Pinóquio, houve no sítio de dona Benta outro concurso muito engraçado – o concurso de “quem tem a melhor idéia”. Quem venceu foi a Emília, com a sua estupenda idéia de um “círculo de escavalinho”. Dona Benta, que era o juiz do concurso, achou muito boa a lembrança, mas deu risada do título.

            — Não é “círculo”, Emília, nem “escavalinho”. É circo de cavalinhos.

            — Mas toda gente diz assim — retorquiu a teimosa criaturinha.

            — Está muito enganada. Eu também sou gente e não digo assim. O Visconde, que está quase virando gente, também não diz assim.

            Emília teimou, teimou, e por fim acabou aceitando só metade da emenda.

            — Já que a senhora “faz tanta questão”, fica sendo circo de escavalinho.

            Dona Benta ainda insistia, dizendo que o diminutivo de cavalo é cavalinho e que portanto escavalinho era asneira. Mas a boneca não se deu por vencida. Continue lendo “O Sítio… Nona Parte”

Monteiro Lobato en Esperanto – 01

La Bieneto de la Flava Pego

Oka Parto: La Frato de Pinokjo

Tradukis: Jorge Teles

1 – La frato de Pinokjo

            – Kompatinda avinjo! – diris Nazulino unu tagon. – Post tiom da rakontado ŝi iĝis seka kiel sensuka akaĵuo; ni elpremas, elpremas kaj ne restas eĉ unu guto da historio.

            Tio estis vera – tiel vera, ke la bona Sinjorino bezonis skribi al librovendisto en San-Paŭlo, por peti ke li sendu ajnan libron por infano.

            La libristo tion faris. Li sendis unu kaj poste alian kaj poste alian kaj fine li sendis Pinokjon, de la itala verkisto Carlo Collodi.

            – Vivu! – kriis Peĉjo, kiam la kuriero liveris la pakon. – Mi legos ĝin sub la ĵabutikaba arbo.

            – Atendu! – diris Sinjorino Benta. – Tiu, kiu legos Pinokjon tiamaniere ke ĉiuj aŭskultos, estas mi mem, kaj mi legos nur tri ĉapitrojn potage, do la libro daŭras kaj ankaŭ nia plezuro daŭras. Tio estas la saĝo de la vivo.

            – Kia domaĝo! – murmuris la knabo kun mieno de seniluziiĝo. – Se ne ekzistus ĉi saĝo de la vivo, pri kiu mi neniam aŭdis, hodiaŭ mem mi povus legi la libron kaj lerni la tutan historion de Pinokjo. Sed ne! Ni devas iri laŭ la rapido de bovĉarego dum varma sunplena tago – njen, njen, njen… Continue lendo “Monteiro Lobato en Esperanto – 01”

O Sítio… Oitava parte

REINAÇÕES  DE  NARIZINHO

Oitava Parte: O Irmão De Pinóquio

1 – O irmão de Pinóquio

            — Coitada de vovó! — disse um dia Narizinho. — De tanto contar histórias ficou que nem bagaço de caju; a gente espreme, espreme e não sai mais nem um pingo.

            Era a pura verdade aquilo — tão verdade que a boa senhora teve de escrever a um livreiro de São Paulo, pedindo que lhe mandasse quanto livro fosse aparecendo.

            O livreiro assim fez. Mandou um e depois outro e depois outro e por fim mandou o Pinóquio.

            — Viva! — exclamou Pedrinho quando o correio entregou o pacote.

            — Vou lê-lo para mim só, debaixo da jabuticabeira.

            — Alto lá! — interveio dona Benta. — Quem vai ler o Pinóquio para que todos ouçam, sou eu, e só lerei três capítulos por dia, de modo que o livro dure e nosso prazer se prolongue. A sabedoria da vida é essa.

            — Que pena! — murmurou o menino fazendo bico. — Não fosse a tal sabedoria da vida, que nunca vi mais gorda, e hoje mesmo eu dava conta do livro e ficava sabendo toda a história do Pinóquio. Mas não! Temos de ir na toada de carro de boi em dia de sol quente — nhen, nhen, nhen… Continue lendo “O Sítio… Oitava parte”