Monteiro Lobato

Histórias de Tia Nastácia

Capítulos 35, 36, 37, 38, 39 e 40

 

35 – O jabuti e o lagarto      

         Era uma onça que tinha uma filha no ponto de casar-se. Havia dois pretendentes: o lagarto e o jabuti. Para desmoralizar o rival, o jabuti andou dizendo que o lagarto não valia nada, que era bicho tão à-toa que ele jabuti até o usava como cavalo. Como a onça duvidasse, o jabuti ficou de aparecer montado no lagarto, e dar-lhe de chicote e espora na vista de todos.

         No dia seguinte o jabuti ficou à porta de sua casa com um lenço amarrado na cabeça. Chega o lagarto.

         — Compadre jabuti, vou indo para a casa da onça. Não quer ir comigo?

         O jabuti agradeceu o convite — mas ir como, se estava com uma dor de cabeça furiosa?

         O lagarto insistiu, e ele:

         — Só poderei ir se alguém levar-me às costas.

         — Pois levo — disse o lagarto — mas há de descer longe da casa da onça. Não quero que me vejam servindo de cavalo.

         — Muito bem, compadre lagarto, mas montar em pêlo não dá certo. Deixe-me botar em seu lombo o meu caquinho de sela.

         O lagarto protestou que não era cavalo para andar de sela às costas.

         — Sei que não é cavalo, compadre, mas isso de montar em pêlo não vai comigo — e tanto insistiu que o lagarto deixou-se arrear. O jabuti, então, montou, depois de munir-se dum bom chicote e dum par de esporas.

         Foram. A cem metros da casa da onça o lagarto pediu-lhe que apeasse e lhe tirasse do lombo o caquinho de sela.

         — Oh, compadre, estou me sentindo tão ruim que nem pensar em pôr o pé no chão eu posso. Tenha paciência. Leve-me até ali adiante — e o lagarto caminhou mais cinqüenta metros com ele às costas.

         Vencidos os cinqüenta metros, o lagarto pediu-lhe de novo que descesse — mas o jabuti tanto chorou que o lagarto foi com ele às costas até o terreiro da onça. A onça apareceu.

         — Então, senhora onça! — gritou o jabuti. — Está convencida de que o lagarto é meu cavalo? E fincou a espora e meteu o chicote no pobre lagarto até não poder mais.

         Encantada com a valentia do jabuti, a filha da onça casou-se com ele.

 

          — Que grandissíssimo pândego! — observou Narizinho. — Bobeou duma vez o outro. Quatro já que o jabuti logra: o homem que o prendeu na caixa, duas onças e este lagarto. Estou vendo que nenhum bicho pode com ele.

          — E não pode mesmo — confirmou tia Nastácia. — O jacaré também não pôde, querem ver?

          E contou a história de…

 

36 – O jabuti e o jacaré

         Louco de inveja da gaitinha do jabuti, o jacaré resolveu furtá-la. Para isso ficou à espera dele no bebedouro.

         — Olá, amigo jacaré — disse o jabuti aparecendo. — Que faz- aí?

         — Tomando sol.

         O jabuti bebeu e pôs-se a tocar a gaitinha.

         O jacaré então disse:

         — Empreste-me um pouco isso; quero ver se sei tocar.

         O jabuti deu-lhe a gaita. Ele, pluf, atirou-se ao rio e lá se foi com ela.

         O jabuti danou. Passados dias, engoliu uma porção de abelhas duma       colméia e foi para o bebedouro esperar o jacaré. Escondeu-se num monte de folhas secas, apenas com a boca de fora, bem lambuzada de mel. De vez em quando soltava uma abelha: zum!

         O jacaré apareceu, e pensando que fosse uma colméia enfiou o dedo na boca do jabuti. O jabuti, nhoc! ferrou o dedo dele.

         — Ai, ai ai! — gritava o jacaré. — Largue meu dedo!

         E o jabuti:

         — Só largarei se me entregar a gaitinha — e apertava o dedo do jacaré. Não agüentando mais, este gritou para o seu filho, lá longe:

         Ó Gonçalo, meu filho mais velho, a gaita do cágado! A gaita do cágado! Tango-lê-rê… A gaita do cágado! Tango-lê-rê…

         O rapaz, que era meio surdo, respondia:

         — O quê? Sua camisa, meu pai? Seu chapéu?

         E o jacaré, aflito:

         Não, Gonçalo, meu filho mais velho, a gaita do cágado! Tango-lê-rê… A gaita do cágado! Tango-lê-rê…

         E o Gonçalo:

         — O que; meu pai? Suas calças?

         O jacaré tornava a repetir a cantilena — e assim uma porção de tempo até que o filho entendeu e veio com a gaitinha. Só então o jabuti largou o dedo do jacaré, que saiu ventando.

        

          — Que graça! — exclamou Emília. — Jacaré com dedo e filho gente! Mas serve, a historinha. Gostei.

          — Então vai gostar ainda mais da do jabuti e os sapinhos — disse tia Nastácia. E contou.

 

37 – O jabuti e os sapinhos

         Andando a filha da onça muito namorada pelo lagarto e pelo homem, que desejavam desposá-la, o jabuti jurou que havia de vencer aos dois.

         Pensou um plano. “Achei, achei!” — disse de repente.

         Foi a uma aguada e pegou um punhado de sapinhos, que soltou no bebedouro, com ordem, quando qualquer bicho viesse beber, de cantar uma coisa assim:

         Turi, turi…

         Quebrar-lhe as pernas…

         Furar-lhe os olhos…

         E recomendou:

         — Mas se eu aparecer com a minha gaita vocês ficam logo caladinhos, ouviram?

         Logo depois apareceu o macaco, que vinha beber. Ao ouvir a cantiga da água, deu um pulo de medo e sumiu-se.

         Outros bichos vieram, acontecendo a mesma coisa.

         Veio o lagarto — e fugiu no galope.

         Veio o homem — e fugiu fazendo o pelo-sinal.

         Faltava só o jabuti. Foram buscá-lo.

         — Pois vou, porque não tenho medo nenhum, mas quero que todos os animais me acompanhem de perto.

         A bicharia toda o seguiu. Quando chegou em certo ponto, disse o jabuti:

         — Bem, agora vocês parem. Eu vou só. Aproximou-se do bebedouro e deu um toque de gaita. Os sapinhos emudeceram como peixes.

         O jabuti bebeu sossegadamente e foi ter com os animais, que estavam assombrados de tanta valentia. A onça, muito alegre, deu-lhe a filha em casamento.

        

           O que achei mais graça — disse Narizinho — foi aparecer um homem disputando com o jabuti a mão da filha da onça.

          — E mesmo assim, mesmo em luta com o rei dos animais — observou Pedrinho — foi o cágado quem venceu. Isso mostra que os índios punham o jabuti até acima do homem, em matéria de esperteza.

          — Que pena não termos um cágado aqui! — suspirou a menina. — Gosto cada vez mais desse bichinho.

          — E é gostoso mesmo — disse tia Nastácia. — Ensopado, com bastante tempero e um bom pirão de farinha de mandioca, é gostoso da gente comer e lamber as unhas.

          Emília fulminou-a com os olhos.

          — E agora? — perguntou Narizinho. — Ainda sabe mais alguma coisa do jabuti?

          — Arre, menina. Que tanto quer? — respondeu a preta. — Não sei mais nada, não. Chega. Tenho de ir cuidar do jantar. Até logo.

          — Então vovó que conte mais algumas. Dona Benta respondeu:

           — Eu sei centenas de histórias. O difícil está na escolha. Sei histórias do folclore de todos os países.

          — Então conte uma do folclore da Índia! — pediu o menino.

           — Da índia, não. Da China — pediu Narizinho.

          — Da China, não. Do Cáucaso — pediu a boneca, que andava com mania de coisas russas.

          E dona Benta contou uma história do folclore do Cáucaso.

 

38 – A raposa faminta

         Era uma vez uma raposa que estava quase morrendo de fome. Desesperada saiu pelo mundo para comer a primeira coisa que topasse. Encontrou um leitão. Agarrou-o.

         — Que vais fazer comigo? — perguntou o leitão.

         — Devorar-te, está claro.

         — Oh — exclamou o leitão — crua minha carne não vale nada — não tem gosto. Veja uma caçarola e um bom forno para assar-me.

         A raposa foi procurar a caçarola e o forno: quando voltou não viu nem sombra do leitão. Furiosa da vida, continuou a viagem. Deu com uma cabra. Agarrou-a.

         — Que quer fazer de mim? — perguntou a cabra.

         — Devorar-te, está claro.

         — Assim com pêlo e tudo? Não caia nessa. Vá ver uma tesoura e tose-me primeiro.

         Enquanto a raposa procurava a tesoura, a cabra sumiu. Logo depois apareceu um lobo.

         — Onde vai, raposa?

         — Ando a procurar comida porque estou morrendo de fome.

         — Nesse caso acompanhe-me.

         Seguiram juntos até encontrar um cavalo. O lobo plantou-se diante dele, com o pêlo arrepiado, e perguntou à raposa: “Está meu pêlo arrepiado? Estão meus olhos soltando fogo?”

         — Sim — respondeu a raposa. — E o lobo lançou-se ao cavalo e matou-o. Depois dividiram a carne, comendo até não poderem mais.

         Estômago, porém, é saco sem fundo. Não há o que o contente. Passados uns dias a fome da raposa voltou. Saiu novamente à caça. Uma lebre vinha vindo.

         — Para onde vai, lebre?

         — Ando a procurar o que comer — respondeu o animalzinho.

         — Neste caso acompanhe-me — disse a raposa com uma ideia na cabeça: imitar o lobo.

         Seguiram. Logo adiante encontraram um cavalo. A raposa plantou-se diante dele, com o pêlo arrepiado, e perguntou à lebre:

         — Estão meus olhos lançando fogo? A lebre olhou e não viu fogo nenhum.

         — Não — respondeu.

         — Estúpida! — gritou a raposa. — Responde que sim, senão te mato.

         A lebre, com medo, respondeu:

         — Sim, estão lançando fogo.

         A raposa, então, atirou-se ao pescoço do cavalo.

         — Que queres comigo, raposa? — perguntou o animal.

         — Devorar-te.

         — Não vale a pena — disse o cavalo. — Uso ferradura de ouro no pé direito. Vai lá e tira-a. Poderás com esse ouro comprar quantas  coisas de comer quiseres.

         A raposa foi pegar a ferradura de ouro, mas pegou o maior coice de sua vida. Muito maltratada, manquitolando, recolheu-se a uma cova, onde começou a filosofar. “Achei um leitão, mas em vez de comê-lo depressa, fui procurar caçarola e forno. Resultado: sumiu-se o leitão. Achei uma cabra mas em vez de comê-la depressa, fui procurar uma tesoura — e lá se sumiu a cabra. Achei um cavalo, mas em vez de comê-lo depressa, fui atrás duma ferradura de ouro — e quase morri dum coice. Sou bem infeliz…”

         A cova onde a raposa se escondera ficava ao pé dum morro, no qual apareceu um pastor que a enxergou. O pastor pegou uma grande pedra e zás! — atirou-lhe em cima.

         — Ai, ai! — gemeu a raposa. — Levo pedrada até aqui, onde não há ninguém!

         E dando um suspiro morreu.

 

          — É do Cáucaso mesmo, vovó? — perguntou Narizinho.

          — Sim, minha filha. Esta história é do folclore da gente do Cáucaso, e como lá é terra de neve, surgem a raposa e o lobo famintos, bichos que muito sofrem durante o inverno.

          — E também um pastor — disse Pedrinho. — Nós aqui não temos pastores, a não ser nos versos. Temos vaqueiros, porqueiros — pastor nenhum. Eu, pelo menos, nunca vi nenhum.

          — Nos velhos países — explicou dona Benta — há o uso de guardarem-se os rebanhos. A carneirada pasta e um homem — o pastor — toma conta dela. Entre nós o sistema é outro. Os rebanhos vivem largados pelas pastarias.

          — Por quê?

          — Talvez porque estamos ainda no regime das grandes propriedades. Nos países velhos a terra é muito dividida e toda ocupada. Quando nossas terras ficarem subdivididas como as da Europa, é possível que também apareçam por aqui os pastores.

          — Eu gostaria bastante — disse Emília. — Acho lindo isso de pastor, pastora e pastorinha — sobretudo pastorinhas. Como é poético!

          Todos acharam graça na poesia emiliana.

          — Conte agora uma do… do… da Pérsia, por exemplo — pediu a menina.

          E dona Benta contou uma história da Pérsia.

 

39 – O camponês ingênuo

         Era um camponês muito ingênuo, que um dia partiu para a cidade de Bagdá a fim de vender uma cabra; foi montado num jumento, a puxar a cabra, que ia, tlin, tlin, tlin, com um cincerro ao pescoço. Três ladrões resolveram roubá-lo.

         — Eu me encarrego de furtar a cabra — disse um deles.

         — E eu, de furtar o jumento — disse o segundo.

         — E eu, de furtar-lhe as roupas — disse o terceiro.

         Assim combinados; os três malandros seguiram o pobre camponês. O primeiro deu jeito de passar a campainha do pescoço da cabra para o rabo do burro sem que o pobre homem percebesse. Sempre a ouvir o toque da campainha, só muito lá adiante é que olhou para trás e não viu cabra nenhuma.

         Desesperado com aquilo, porque aquele animalzinho representava muito para ele, pulou do jumento abaixo e pediu a um homem que viu por ali que o segurasse enquanto ele ia em procura da cabra. Com a maior boa vontade o homem prontificou-se a segurar o jumento — e, assim que o camponês se afastou, fugiu. Esse homem era o segundo ladrão.

         Quando o camponês voltou e não encontrou nem sinal do jumento, abriu a boca, desesperado. Nisto deu com outro homem que olhava para dentro dum poço, com grande aflição.

         — Que houve? — perguntou o camponês. — Perdeu também algum jumento?

         — Perdi muito mais — disse o homem com voz de desespero. — Imagine que fui encarregado de entregar um escrínio de ouro ao califa, e sentando-me à beira deste poço, para descansar, não sei que jeito dei que o escrínio caiu lá dentro.

         — Por que não desce para pegá-lo?

         — Já pensei nisso, mas tenho medo de resfriar-me. Sou muito sujeito a resfriados. Estou esperando que apareça alguém que queira prestar-me este serviço.

         — Quanto paga? — perguntou o camponês.

         — Oh, pago dez moedas de ouro, porque se trata dum escrínio riquíssimo.

         O camponês não disse mais nada. Sacou fora a roupa e desceu ao poço. E o tal portador do escrínio, que não era portador de escrínio nenhum e sim o terceiro ladrão, fugiu com a roupa dele…

 

          — Coitado! — exclamou Narizinho. — A vida é bem cruel. Os ingênuos e os bons são sempre iludidos pelos maus.

          — Verdade, sim — concordou dona Benta. — Os homens de boa fé saem sempre perdendo. Por isso o meu bisavô, que foi o homem mais matreiro da sua zona, costumava dizer: “Quando alguém me procura para propor um negócio, eu fico ouvindo e pensando cá comigo: “Onde estará o gato?” e descubro, porque em todo negócio que alguém propõe há sempre um gato escondido.” Nesse pau tem “mé”! — dizem os caboclos.

          Mas Narizinho não tirava da ideia o pobre camponês. — Coitado! Perder a cabrinha já foi um desastre. Perdeu depois o jumento, que valia muito mais que a cabrinha. E por fim acabou nu em pêlo. E por quê? Só porque teve boa fé, só porque acreditou nos três homens…

          — Por isso é que eu não gosto de gente — gritou Emília. — São os piores bichos da terra. Entre as formigas ou abelhas, por exemplo — quem é que já viu uma furtando outra, ou mentindo para outra, ou amarrando outra em rabo de burro bravo? Vivem em sociedade, aos milhares de milhares, na mais perfeita harmonia. Ah, quem quiser saber o que é honestidade de vida, vá a um formigueiro ou a uma colméia. Aqui entre os homens é que não fica sabendo disso, não. Quanto mais conheço os homens, mais aprecio as abelhas e as formigas.

          — E agora vovó? Que história vai contar? — perguntou Pedrinho.

          — Vou contar uma do Congo, na qual os negros explicam como é que apareceram os macacos.

 

40 – A história dos macacos

         Antigamente, lá no começo do mundo, os macacos moravam com os homens nas cidades. Falavam como eles, mas não trabalhavam.

         Certa vez houve uma grande festa. Durante um dia e uma noite o tantã não parou de soar. Todos dançavam e bebiam um vinho feito de caldo de palmeira, porque ainda não era conhecida a uva. O velho chefe da tribo saiu dali cambaleando e foi parar no bairro dos macacos.

         Antes não fosse! Os macacos judiaram dele. Uns puxavam-lhe a tanga, outros punham-lhe a língua, outros beliscavam-lhe a pele. Tamanha foi a falta de respeito que o velho chefe enfureceu-se a ponto de queixar-se a Nzame, a divindade da tribo.

         Nzame mandou chamar o chefe dos macacos. Passou-lhe uma grande descompostura e disse:

         — De hoje em diante, como castigo, os macacos têm que trabalhar para os homens.

         Mas os macacos revoltaram-se contra a ordem do deus. Juraram não trabalhar.

         Quando iam para a roça, penduravam-se nas árvores do caminho, davam pulos pra aqui, pra ali, fugiam. Não houve meio de conseguir deles nenhum trabalho. O chefe da tribo danou.

         — Preciso dar uma lição nesta macacada.

         Depois de refletir algum tempo deu ordens, para uma grande festança, onde houvesse muito vinho. Mas dividiu as cabaças de vinho em dois lotes — um de vinho puro e outro de vinho misturado com uma erva dormideira. “Este é para os macacos” disse ele.

         Quando os macacos souberam da grande festa e da grande vinhaça, aproximaram-se todos muito xeretas. Dançaram, pularam e beberam até não poder mais. Meia hora depois dormiam sono profundo.

         O chefe, então, mandou que os seus homens metessem o chicote nos macacos até deixá-los peladinhos — e no dia seguinte botou-os no serviço.

         Mas quem pode com macaco? — O berreiro que fizeram foi tamanho que o chefe, completamente zonzo, deu ordem para que lhes cortassem a língua.

         “É o único meio de acabar com esta gritaria.” Ficaram os macacos sem línguas — mas dois dias depois sumiram-se da aldeia, afundando no mato. Nunca mais quiseram saber dos homens — e também nunca mais falaram. Quem tem língua cortada não fala.

 

          — Esta história se parece, com as nossas daqui — disse Narizinho. — Bem bobinha.

          — Sim, mas que havemos de esperar dos pobres negros do Congo? Sabem onde é o Congo?

          — Sei — disse Pedrinho. — É quase no centro da África, do lado daquela costa que o senhor Pedro Álvares Cabral evitou de medo das calmarias. E sei também que cá para o Brasil vieram muitos escravos desses Congos.

          — É verdade. O pobre Congo foi uma das zonas que forneceram mais escravos para a América, de modo que muitas histórias dos nossos negros hão de ter as raízes lá.

          — Quem sabe se tia Nastácia é do Congo? — lembrou Narizinho.

          — Não — disse dona Benta. — Nastácia é neta dum casal de negros vindos de Moçambique.

          — Hum, hum! — exclamou Emília. — Moçambique! Que luxo…

          — Conte outra, vovó — pediu Pedrinho. — Conte uma história dos esquimós.

          E dona Benta contou a história de…

Visitas: 115