apolono kaj hiakinto, 9

apolono kaj hiakinto, 9.

teofilo vekiĝis kun eksalto kaj trovis sin sola. subite li memoris pri la nokto kaj sentis fortan lumon korodantan liajn internaĵojn. la lumo iĝadis nigreco, la brilo ekdoloris kaj io kvazaŭ malproksima sono de peza sonorilo komencis marteladi dum lia tuta tago. la memoro pri la ekstrema dolĉeco ekĉagrenis kaj li volis ke ĝi  eliru el lia korpo, ĉar en lia korpo restadis la signojn de tiu plezuro malklara sed enorma. li sentadis fajrajn langojn, kiuj surveturadis sur lia brusto, li sufokiĝadis sub la forto de feraj brakoj kiuj premadis. li deliradis pro la grandega pezo kiu senmovigadis lin. tamen, pli ol ĉio, li tremeradis je la memoro de tiu senfina brakumo, kiu lasis spuron neniam plu estingotan sur lia frunto, liaj okuloj, lia vizaĝo, lia kolo, liaj ŝultroj, kaj instaliĝis ene de la propra animo. sed nun ne plu sufiĉas la revivado de la eksplodo de plezuro ĉar ne plu iras enen de li tiu trinkaĵo plena je ĝuo; kontraŭe, kiam li memoris tiun eternan brakumon kiu provokis en li eksplodon de ĝuado neniam antaŭe imagita, eniris en lian koron tre granda malĝojo kaj lia rigardo pendadis kaj larmoj furioze nestiĝis malantaŭ la okuloj, gvatante la momenton de plej granda malatento por rapidiĝi kvazaŭ sovaĝuloj en furiozo, saltante eksteren kaj preparante la embuskon. poste, jes, okazos tiu senorda konfuzo kaj tiu longedaŭra tremado kaj tiu timo, tiu angoro, tiu teruro.
ne, mi ne volas plori nun, mi ne volas plori…
forte kunpremante siajn lipojn, bridante ĉiujn muskolojn de la vizaĝo, iĝante ŝtona statuo, senmova kaj nesentema.
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mais clareza, por fineza

A ditadura da imoralidade 02: MAIS CLAREZA, POR FINEZA 

 
Chego cedo no trabalho
Pra poder ler meu jornal.
Procuro o noticiário,
Diz que está tudo legal.
E publicam com destaque
A fala do Maioral.

Não sei se entendi direitim…
O texto era bem assim:

“Bola esmão pro povolsa
oto é vido garantisto
ou passeatro var quanos
mas já vrono tara o polto”.

Na hora do meu almoço
Ligo logo o meu radinho.
Quero ver o que há de novo
Cruzando no meu caminho.
Ouço a fala do ministro
que discursa com carinho.

Não sei se entendi direitim…
A fala era bem assim:

“A evonomia cai bem
brasisco o baixo é ril
amos vaumentosto o impar
pra enbolso o nosso cher”.

No nosso lanche de hoje
Fizeram reunião.
Todo mundo liberado,
Todo mundo no salão.
O diretor nos mostrou
Os novos planos de ação.

Não sei se entendi direitim…
O plano era bem assim:

“Os acionigem existas
precisar mais trabalhamos
se aumental o capitar
vovão cês chupedo o dar”.

De noite, ao chegar em casa,
Fico em frente da tevê.
Eles sempre apresentam
De todo fato, o porquê.
A notícia era boa,
Vou transmitir a você.

Não sei se entendi direitim…
A nota era bem assim:

“Tosso nal carnavaemos
A cachol e o futebaça.
Til azudo no Brasul
O paões dos bobalhis.”

(vozes: Leo, Felipe, Bruno e Carolina)

Curitiba, 23.11.1977
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apolo e jacinto, 9

apolo e jacinto, 9.

teófilo acordou num sobressalto e se viu sozinho. num repente lembrou-se da noite e sentiu uma luz forte corroer suas entranhas. a luz foi virando negrura, o brilho começou a machucar e algo como o som distante de um sino pesado principiou a martelar seu dia. a lembrança da doçura extrema começou a magoá-lo e ele queria que ela saísse do seu corpo, porque era em seu corpo que estavam as marcas daquele prazer indistinto mas imenso. sentia línguas de fogo correndo sobre o peito, sufocava sob o aperto de braços de ferro que o esmagavam. delirava com um peso enorme que o imobilizava. mais que tudo, porém, estremecia ao lembrar daquele abraço sem fim que tinha deixado um rastro jamais perdido sobre sua testa, seus olhos, sua face, seu pescoço, seu ombro, e que se tinha instalado dentro de sua própria alma. mas agora já não bastava reviver a explosão de seu prazer, pois que não mais lhe entrava por dentro aquela bebida cheia de delícias; ao contrário, imaginando aquele abraço eterno, que provocara nele a explosão de um gozo nunca antes imaginado, subia-lhe ao coração uma amargura muito grande e seu olhar pendia e lágrimas se aninhavam furiosas atrás dos olhos, espreitando o momento de maior fraqueza para se precipitarem como selvagens em fúria, saltando para fora e armando a emboscada. depois, sim, seria aquela convulsão desordenada e aquele tremor demorado e aquele medo, aquela angústia, aquele pavor.
Não, eu não quero chorar agora, eu não quero chorar…
comprimindo os lábios com força, retendo todos os músculos da face, transformando-se numa estátua de pedra, imóvel e impassível.
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