o dia sem nome, 12

O dia sem nome, 12.

Aquele estranho zumbido não pertencia a Wagner. De onde teria surgido? O homem triste compreendeu de repente o que acontecia
loucos, loucos, loucos…
A música começou a se distorcer, as cores foram se misturando, as linhas ficaram curvas, ele pensou mas não teve tempo de
mas eu venci porque consegui beber a morte antes
E seus olhos se diluíram e os miolos e os ossos e os músculos, num amontoado pastoso, o copo rolou e foi feita a última libação aos deuses infernais das velhas lendas, anunciando com o resto do vinho de cor negra que toda a humanidade e toda a criatura viva se tinha oferecido em holocausto.
A bateria era nova, o Prelúdio e a Morte de amor se repetiram indefinidamente, sem pressa, com a mesma carga de tensão e desespero, durante seis meses e dois dias, quando, finalmente, um pedaço de parede caiu sobre o aparelho, fazendo calar aquele importuno que teimara tanto tempo mais que o resto, falando de amor e de morte para um planeta perdido e mudo.

dante alighieri – vita nova 23. quantunque volte…

Dante Alighieri – Vita Nova 23
Quantunque volte, lasso!, mi rimembra… (canzone)

Quantunque volte, lasso!, mi rimembra
ch’io non debbo già mai
veder la donna ond’io vo sì dolente,
tanto dolore intorno ‘l cor m’assembra
la dolorosa mente,
ch’io dico: “Anima mia, ché non ten vai?
Ché li tormenti che tu porterai
nel secol, che t’è già tanto noioso,
mi fan pensoso di paura forte”.
Ond’io chiamo la Morte,
come soave e dolce mio riposo;
e dico “Vieni a me” con tanto amore,
che sono astioso di chiunque more.
E’ si raccoglie ne li miei sospiri
un sono di pietate,
che va chiamando Morte tuttavia:
a lei si volser tutti i miei disiri,
quando la donna mia
fu giunta da la sua crudelitate;
perché ‘l piacere de la sua bieltate,
partendo sé da la nostra veduta,
divenne spirital bellezza grande,
che per lo cielo spande
luce d’amor, che li angeli saluta,
e lo intelletto loro alto, sottile
face maravigliar, sì v’è gentile.

(canta jorge teles)