apolono kaj hiakinto, 18

apolono kaj hiakinto, 18.

liaj movoj estis malrapidaj. teofilo kuŝis surdorse, ne movante eĉ fingron. li tute sin donis. la manoj estis dolĉaj, velurecaj, ŝajnis mildaj algoj kiuj frotetadis la bruston de teofilo kaj tremigis lian tutan korpon. li fermis la okulojn. ĉiuj butonoj estis malbutonitaj. alio tiris unu manikon, tenis teofilon je unu mano kaj tiris la dekstran parton. li enmetis la manon sub la dorson de teofilo, levis lin kaj tiris la ceteron de la ĉemizo. la korpo de teofilo restis senmova. malrapida spirado. langvora. la manoj tuŝadis la bukon, premis la karnon, kiu volis liberecon, revenis al la buko, dezonigis lin, enmetiĝis ĝis la renoj kaj ekmalsuprenigis la pantalonon. la drako aflikte saltis, kvazaŭ ĝi intencus alten flugi, sed tuj alkroĉiĝis al la rigida kaj vila ventro de teofilo. femurojn, genuojn, krurojn, piedojn. la vesto falis. ankaŭ alio kuŝiĝis, sur sia dorso, kaj ambaŭ sin donis la manojn. teofilo turniĝis kaj kovris la korpon de alio per sia korpo. enmetis siajn manojn inter ambaŭ, kaj malbutonis la vestojn, malrapide nudigis lin, delasante sian tutan pezon sur alio. kurento portadis varmon de unu al alia, la sango ŝajnis ununura, eskapadis de unu kaj eniradis en la alian, tra la poroj, tra la buŝo, tra la manplatoj, tra la brusto, tra la intertuŝetantaj cicoj, tra la premiĝantaj ventroj, tra la fortaj femuroj, el fero, kiuj stringadis. la drakoj barakte luktadis, premadis, vundadis sin, kuniĝadis kaj disiĝadis senespere, anksie kaj angore ili serĉadis pozicion por eterna ripozo kiel ene de kiso aŭ brakumo, sed vane; ili fine forpeliĝis, malakceptiĝis; puŝis sin, vundis sin.
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curitiba, curitiba

Canções diversas 11: CURITIBA, CURITIBA. 
Eu quero, agora, cantar Curitiba,
cidade branca, limpa e sandia,
pedindo à Musa que me não proíba.
 
Quero cantar miséria e alegria,
munido de poética coragem
e equipado de inspirada ousadia.
 
Começo, então, essa minha viagem
procurando arrolar seus disparates,
o seu trabalho e sua vadiagem.
 
Rua das Flores, dolés, chocolates,
cafés e churros. Todos misturados,
estelionatários e engraxates,
 
mendigos, bichas loucas, advogados,
confusão de inquietos e teimosos,
de ofendidos e de humilhados.
 
Boca Maldita, encontro de ociosos
com o linguajar ferino criticando,
mas sem nada assumir, de tão medrosos.
 
Batel, com suas bruxas convidando
outras bruxas pros chás beneficentes,
e o jornalista idiota, publicando
 
suas recepções e seus presentes,
suas viagens pela Argentina,
seus filhos belos, vis e delinqüentes.
 
Enquanto as filhas, diante da vitrina
discutem de vestidos dispensáveis
pra debutar a vaidade cretina.
 
Nas marechais, políticos vendáveis,
executivos, ladrões, contadores,
corruptos, banqueiros execráveis,
 
subornos, mordomias, mil horrores,
tudo de acordo com a justiça cega
e a proteção dos desembargadores.
 
E o dinheiro secreto escorrega
pros cofres da canalha protetora
que despoja, assassina e sonega.
 
Rua Riachuelo, a domadora
provocando o passante com o convite
em troca da moeda enganadora.
 
Sede das pragas mil de Afrodite,
fome e dor simuladas e escondidas,
nas máscaras de um prazer sem limite.
 
Madrugadas eternas e sofridas,
batidas, cassetetes, frio e sono,
té que o sol afugente as desvalidas.
 
Passeio Público, o filho sem dono,
filho que é só filho da empregada
mal paga pela mãe do abandono.
 
Na areia a criança é negligenciada
enquanto a pobre moça fica à espera
do soldadinho que está de emboscada.
 
Nas áreas verdes, a alegria austera
dos papais e mamães endomingados
que a TV anunciou a primavera.
 
Em volta disso tudo, os amontoados
de cães, caixotes, latas, ferro velho,
lixo e alguns casebres definhados;
 
as roupas com remendos no joelho,
nas panelas só cabeças de bagre,
os bens aventurados do evangelho.
 
Filhos do fel diário e do vinagre,
disputando o diabólico pão:
sustentáculos do podre milagre.
 
Guabirotuba, Xaxim, Boqueirão,
Abranches, Oficinas, Barigüi,
Pinheirinho, Los Angeles, Portão,
 
Juvevê, Vila América, Tingüi,
Uberaba, Boa Vista, Cajuru,
Barreirinha, Cabral, Bacacheri,
 
Bigorrilho, Água Verde e Ahu,
Alto da Quinze, Mercês e Taboão.
Curitiba, querida, I love you.
 
Curitiba, 05.08.1980.
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apolo e jacinto, 18

apolo e jacinto, 18.

seus movimentos eram lentos. teófilo deitou-se de costas, não movia um dedo. entregou-se por inteiro. as mãos eram doces, aveludadas, pareciam algas macias que roçavam o peito de teófilo e o faziam arrepiar-se por inteiro. fechou os olhos. todos os botões foram abertos. alio puxou uma das mangas, segurou-o pela mão e tirou o lado direito. enfiou a mão debaixo das costas de teófilo, levantou-o e puxou o resto da camisa. o corpo de teófilo continuava imóvel. um respirar lento. lânguido. as mãos mexeram na fivela, apertaram aquela carne que queria liberdade, voltaram à fivela, abriram o cinto, enfiaram-se junto aos rins e começaram a descer a calça. o dragão saltou aflito, como se pretendesse levantar vôo, mas já se colou ao ventre rijo e cabeludo de teófilo. as coxas, os joelhos, as pernas, os pés. a roupa caiu. alio deitou-se, também de costas, e deram-se as mãos. teófilo virou-se e cobriu com seu corpo o corpo de alio. enfiando as mãos entre os dois, desabotoou-o, despiu-o lentamente, soltando todo o peso sobre alio. uma corrente levava o calor de um a outro, o sangue parecia o mesmo, escapava de um e entrava pelo outro, pelos poros, pela boca, pelas palmas das mãos, pelo peito, pelos mamilos que se roçavam, pela barriga que se comprimia, pelas coxas fortes, de ferro, que se imprensavam. os dragões lutavam, atrapalhados, apertavam-se, machucavam-se, uniam-se e se separavam desesperados, buscavam ansiosos e angustiados uma posição em que descansassem eternamente como num beijo ou num abraço, mas, inutilmente; acabavam por repelirem-se, repudiarem-se; rejeitavam-se, magoavam-se.
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