A chave do Tamanho
Capítulos 7 e 8
7 – Juquinha conta a sua história
Depois que o gato se foi embora, talvez em procura de mais insetos gostosos como aqueles, Emília pôs-se a refletir muito a sério. Podia sair da toca, mas já estava sem liberdade de ação. De um momento para outro o destino a transformara em mãe de dois órfãos. Juquinha não era nada; até lhe serviria de companheiro — menino taludo, de dois centímetros de altura.
Já a Candoca não passava duma criança de três anos e meio, completamenta boba. Teria de andar pela mão de alguém. Que alguém?
Juquinha ou ela, a “ama seca” Emília — que graça!
— Nunca me casei de medo de ter filhos, e afinal me vejo tutora de dois marmanjos — um maior que eu, mas ainda sem juízo, e outro do meu tamanho, mas que só sabe chorar. A encrenca vai ser grande…
Emília sempre teve fama de não possuir coração. Mentira. Tinha sim. Está claro que não era nenhum coração de banana como o de tanta gente. Era um coraçãozinho sério, que “pensava que nem uma cabeça”. Podendo deixar ali as duas crianças, já que a situação do mundo era a de um geral “salve-se quem puder”, não as deixou. Heroicamente resolveu salvá-las. Continue lendo “Monteiro Lobato”
