Monteiro Lobato

PETER PAN

 A HISTÓRIA DO MENINO QUE NÃO QUERIA CRESCER, CONTADA POR DONA BENTA

 Capítulo 1

  

1 – Peter Pan

            Quem já leu as Reinações de Narizinho deve estar lembrado daquela noite de circo, no Pica-pau Amarelo, em que o palhaço havia desaparecido misteriosamente. Com certeza fora raptado. Mas raptado por quem? Todos ficaram na dúvida, sem saber o que pensar do estranho acontecimento. Todos, menos o gato Félix. Esse figurão afirmava que o autor do rapto só poderia ter sido uma criatura — Peter Pan.

            — Foi ele! — dizia o gato Félix. — Juro como foi Peter Pan.

            Mas quem era Peter Pan? Ninguém sabia, nem a própria Dona Benta, a velha mais sabida de quantas há. Quando Emília a ouviu declarar que não sabia, botou as mãos na cinturinha e:

            — Pois se não sabe trate de saber. Não podemos ficar assim na ignorância. Onde já se viu uma velha de óculos de ouro ignorar o que um gato sabe?

            Dona Benta calou-se, achando que era mesmo uma            vergonha que o gato Félix soubesse quem era Peter Pan e ela não — e escreveu a uma livraria de S. Paulo pedindo que lhe mandasse a história do tal Peter Pan. Dias depois recebeu um lindo livro em inglês, cheio de gravuras coloridas, do grande escritor inglês J. M. Barrie. O título dessa obra era Peter Pan and Wendy.

            Dona Benta leu o livro inteirinho e depois disse: Continue lendo “Monteiro Lobato”

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Monteiro Lobato

O MINOTAURO

Capítulos 23 e 24 (último)

 

23 – A Panatenéia

         A primeira coisa que Pedrinho fez ao chegar ao “Beija-flor das ondas”, foi correr à despensa em procura duma lata de sardinha. Queria variar. Andava enjoado de azeitonas e figos, de tanto que os comeu durante a “penetração” nos fundões da Hélade. E enquanto abria a lata, foi fazendo perguntas a Rabicó.

         – Como vão as duas, vovó e Narizinho? Estão ainda na casa de Péricles?

         – Sim. E já vieram cá em companhia duma senhora muito bonita e mais três homens. Dona Benta mostrou-lhes o navio inteiro, até a cozinha, onde houve um grande movimento de pipocas e batatas fritas.

         – E vovó não disse nada? Não me deixou nenhum recado?

         – Não. Esteve de prosa com aqueles gregos e a lidar com agulhas, carretéis, a máquina de coser e a bússola.

         Pedrinho fez um sanduíche de sardinha e foi comê-lo no tombadilho, com os olhos no mar. Estranhou a calma do porto.

         – Que fim levaria a gente do Pireu? Tudo deserto… Continue lendo “Monteiro Lobato”

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O MINOTAURO

Capítulos 21 e 22

 

21 – No labirinto de Creta

         Foram despertar na Ilha de Creta, onde logo descobriram o labirinto. Era um palácio imenso, com mil corredores dispostos de tal maneira que quem entrava nunca mais conseguia sair – e acabava devorado pelo monstro. O Minotauro só comia carne humana. Diante do labirinto, os três “picapaus” pararam para refletir.

         – Quem entra não sai mais e acaba no papo do monstro – disse Pedrinho. – Mas nós sabemos o jeito de entrar e sair: é irmos desenrolando um fio de linha. Ah, se eu tivesse trazido um carretel…

         – Pois eu trouxe três! – gritou Emília, triunfalmente. – E dos grandes, número 50. Desça a mala, Visconde, abra-a.

         A mala foi descida e aberta. Emília tirou os carretéis e deu um a Pedrinho, outro ao Visconde, ficando com o terceiro. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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