Monteiro Lobato

O MINOTAURO

Capítulos 19 e 20

 

19 – Os gregos visitam o iate

         A visita ao iate foi um sucesso. O primeiro espanto dos ilustres gregos foi o Marquês de Rabicó.

         – Mas… – murmurou Aspásia, ao ser recebida por aquele estranhíssimo personagem. – Não é um porquinho?…

         – É e não é, minha senhora – respondeu Dona Benta. – A vida que levamos no Sítio do Picapau Amarelo desgarra do normal. Tudo diferente. O que os meus netos fazem, as aventuras em que se metem, nada têm que ver com a vida comum dos entes humanos. E seus companheiros de aventuras são a Emília, uma bonequinha de trapo que virou gente, o Visconde de Sabugosa, que é um sabugo científico, o Quindim, que é um rinoceronte de ótimos sentimentos e o Conselheiro, que é um burro falante.

         Todos se entreolharam. Dona Benta dizia às vezes coisas de velha caduca, tão disparatadas que os gregos sorriam.

         Mas ao lado do que dizia estava o que ela fazia, como, por exemplo, a sua vinda do futuro naquela embarcação comandada por um porquinho, de modo que todos eram forçados a calar-se. Impossível compreenderem tamanho mistério, nem discernirem se era verdade ou fábula. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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O Minotauro

Capítulos 17 e 18

 

17 – Ninfas, Náiades, Dríades e Sátiros

         Os três “picapaus” foram andando, andando sem destino pela paisagem da Grécia Antiga. Paisagem que mudava de hora em hora – campinas, montanhas, florestas, bosques, rios…

         Em certo ponto se detiveram. Que lindo lugar! A montanha azul lá longe, um formoso bosque à esquerda e ali ao pé um riozinho murmurejante.

         Emília, que tinha paixão pelas águas em movimento, exclamou:

         – Olhe, Pedrinho, como é “cabrita” esta água! Foge por entre as pedras como se fosse um peixe líquido; e quando não encontra passagem, pula por cima.

         – Bom ponto para um descanso – gemeu o Visconde – e arriou a canastra da Marquesa de Rabicó.

         Sentaram-se os três. Pedrinho tirou dos bolsos o sortimento de azeitonas e amoras colhidas pelo caminho.

         – Temos de nos contentar com isto – disse ele, fazendo a distribuição. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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O Minotauro

Capítulos 15 e 16

 

15 – Batatas e Sócrates

         O jantar correu animadíssimo. Dona Benta reclinava-se no seu coxim, colocado entre o da dona da casa e o de Sócrates. Do outro lado da mesa, muito mais baixa que as modernas, reclinava-se Narizinho, entre Fídias à direita e Herodoto à esquerda. Uma coroa de rosas cingia a testa de todos os comensais. A conversa girou sobre vários assuntos e por fim caiu sobre a arte culinária.

         – Pois é – disse Dona Benta – a razão da nossa viagem a estes séculos foi uma razão ao mesmo tempo sentimental e culinária: a procura de tia Nastácia, que é nossa amiga e nossa cozinheira. E que cozinheira! Como sabe manejar o violino do “gostoso” e tirar dele mil harmonias! O mais simples guizado, um picadinho com batatas, um virado de feijão com torresmos, um vatapá, tudo enfim que sai de suas panelas, está para o que chamamos comida, como os mármores ali dos Senhores Fídias e Policleto estão para as esculturas comuns. Perfeitas obras-primas.

         – E os bolinhos, vovó? – lembrou a menina, do outro lado da mesa. – Os bolinhos de tia Nastácia já estão famosos no Brasil inteiro. Quantas cartas a senhora não recebe das crianças, pedindo a receita dos bolinhos de tia Nastácia? Continue lendo “Monteiro Lobato”

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