Monteiro Lobato

As aventuras de Hans Staden

 Capítulos 21 e 22 (último)

 

21 – Hans muda de taba

         Depois desses acontecimentos, Ipiru-guaçu resolveu entregar Hans ao morubixaba Abati-poçanga (bebida de milho), da taba de Itaquaquecetuba (1). O nosso artilheiro foi conduzido para lá, onde o entregaram a Abati, com recomendação de não lhe fazerem mal, porque o Deus de Hans se mostrava terrível quando o maltratavam.

         Hans confirmou tais palavras e disse que brevemente chegariam seu irmão e mais parentes, com um navio cheio de coisas destinadas ao morubixaba.

         Abati-poçanga chamou-lhe “seu filho”, tratou-o muito bem e nunca mais saiu à caça sem que o levasse consigo.

         Sua situação mudara por completo. Embora prisioneiro, gozava de todas as regalias e já contava como certo o regresso à pátria. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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As aventuras de Hans Staden

 Capítulos 19 e 20

 

19 – A guerra

         Quatro dias depois se reuniram em Ubatuba as canoas destinadas à guerra.

         Cunhambebe compareceu com a sua hoste de guerreiros. Conferenciou com Ipiru e determinou que Hans tomaria parte na expedição. Esta decisão vinha transtornar todos os seus planos de fuga. Hans, no entanto, soube esconder a contrariedade e fingir que iria de bom grado, na esperança de que durante o percurso não o guardassem muito de perto e ele pudesse desertar em terra tupiniquim.

         A expedição compunha-se de quarenta e três canoas, tripuladas por vinte e três homens cada uma.

         – Não era uma brincadeira – exclamou Pedrinho. – Quarenta e três multiplicado por vinte e três dão – esperem um pouco – dão novecentos e oitenta e nove homens. Irra! Quase mil!… Continue lendo “Monteiro Lobato”

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As aventuras de Hans Staden

 

 Capítulos 17 e 18

17 – O carijó doente

         Havia na taba um prisioneiro carijó que houvera sido escravo dos portugueses e fora apanhado pelos tupinambás numa das expedições contra São Vicente. Esse carijó detestava Hans Staden e vivia dizendo que fora ele quem matara o pai de Nhaepepô com um tiro.

         Era falso. O carijó estava ali na taba já de três anos e Hans só tinha um ano de estada no Brasil: não podia o índio, portanto, tê-lo conhecido na Bertioga, como afirmava.

         Um dia, em que esse escravo caiu muito doente, Ipiru-guaçu, seu dono, chamou Hans para curá-lo.

         Hans examinou-o e disse:

         – Está doente e vai morrer porque me quis fazer mal. Não tem cura. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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