Monteiro Lobato

As aventuras de Hans Staden

 Capítulos 15 e 16

 

15 – Cenas de canibalismo

         Algum tempo depois os índios de Ubatuba foram convidados para uma festa na taba de Ticoaripe na qual iam comer um prisioneiro maracajá.

         Os convidados partiram em canoas, levando Hans consigo.

         Em todas as cabanas as mulheres estavam ultimando o preparo do cauim, bebida indispensável em tais festas.

         Hans aproximou-se do prisioneiro maracajá e perguntou-lhe:

         – Estás pronto para morrer?

         O índio olhou-o com indiferença e respondeu, muito calmo, a sorrir:

         – Sim, estou pronto para tudo. Mas nós maracajás possuímos melhores muçuranas…

         – Que é isso, vovó? – perguntou Narizinho.

         – Eram umas cordas que os índios preparavam especialmente para amarrar os prisioneiros no dia do sacrifício. Aquele maracajá sorria diante da morte e caçoava dos seus inimigos… Hans Staden sentiu uma grande dó do infeliz. Afastou-se e pôs-se a ler um livro de capa de couro, que os índios haviam trazido de um barco apanhado com auxílio dos franceses. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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As aventuras de Hans Staden

 Capítulos 13 e 14

 

13 – Esperanças

         Logo depois da partida de Nhaepepô chegou de São Vicente um navio português, que deitou âncora perto da taba e disparou um tiro de canhão. Era o sinal do costume para que os índios das redondezas viessem ter com os navios.

         Ao ouvirem o tiro os índios disseram ao prisioneiro:

         – Aí vêm teus amigos portugueses; querem saber se vives e se queremos dar-te em troca de alguma coisa.

         A notícia encheu-o de esperança. Mas ser procurado por navio português era dar provas de ser português e Hans inventou logo uma história destinada a atrapalhar os índios. Disse-lhes que tinha entre os portugueses um irmão francês e com certeza era esse irmão quem vinha procurá-lo.

         Os índios porém não deram crédito à história. Aproximaram-se do navio a ponto de fala e perguntaram o que queriam.

         Os portugueses indagaram de como ia passando Hans. Os selvagens responderam que não sabiam de quem se tratava. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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As aventuras de Hans Staden

 Capítulos 11 e 12

 

11 – O francês sem coração

         Um dia surge um selvagem pela cabana de Hans adentro, gritando:

         – Está cá o francês mercador de pimenta; vamos verificar se és da mesma raça dele ou não.

         O pobre artilheiro exultou de contentamento. Era um cristão que vinha ao seu encontro e que fatalmente o salvaria. Apressou-se, portanto, em comparecer à presença daquele juiz que lhe caía do céu.

         Essa entrevista, meus filhos, é uma cena de tragédia das mais empolgantes. Quem a figura na imaginação não a esquece nunca mais.

         Os selvagens levaram-no à presença do francês, nu como ele andava, tendo apenas nos ombros um pano de linho que achara na aldeia.

         O mercador de pimenta dirigiu-lhe a palavra em francês. Hans, que mal conhecia essa língua, atrapalhou-se nas respostas. O monstro, então, voltou-se para os selvagens e disse-lhes em língua da terra:

         – É português dos legítimos, meu e vosso inimigo. Matai-o e comei-o! Continue lendo “Monteiro Lobato”

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