Monteiro Lobato

As Aventuras de Hans Staden

Capítulos 9 e 10

 

09 – Rumo à taba

         A captura de Hans – continuou Dona Benta – deu-se ali pelas quatro horas da tarde, e como a taba fosse longe, resolveram os tupinambás dormir numa ilhota do caminho. Saltaram das canoas e as vararam em terra.

         O pobre artilheiro achava-se em mísero estado; além de nada enxergar, pois tinha o rosto em sangue, não podia mover-se, devido ao ferimento da perna. Assim é que ficou deitado na areia, enquanto os índios preparavam o pouso. Naquela imensa aflição pôs-se a rezar um salmo, com os olhos em pranto. Ao vê-lo nesse estado, os índios escarneceram.

         – Vede como chora! Ouvi como se lamenta!

         Em transes idênticos os prisioneiros indígenas mostravam grande arrogância e profundo desprezo pela vida; arrostavam os seus matadores, ameaçando-os com a vingança dos amigos e parentes. Os brancos, porém, em geral se acovardavam, choravam e pediam misericórdia.

         Os tupinambás acenderam fogueiras e deitaram o prisioneiro numa rede armada entre duas árvores, atando aos galhos as pontas das cordas manietadoras. Depois se acomodaram em redor, exclamando com ironia:

         – Che remimbaba indé. – És meu animal doméstico. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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As aventuras de Hans Staden

Capítulos 7 e 8

 

07 – O forte de Bertioga

         Hans Staden ficou em São Vicente, colônia portuguesa situada numa ilha muito próxima do continente e que contava dois povoados: o de São Vicente, chamado pelos índios Ipanema  (1), e outro de nome Enguaguaçu (2). Havia ainda pela ilha vários engenhos de açúcar.

         Os índios dessa região eram os tupiniquins, cujos domínios se limitavam ao sul com a terra dos carijós, e ao norte com a dos tupinambás, tribos inimigas entre si.

         Os tupinambás odiavam aos portugueses por se terem aliado aos tupiniquins, e como a cinco milhas de São Vicente ficasse Bertioga 3, onde havia um canal de fácil entrada às suas canoas, um grupo de irmãos mamelucos, lá residentes, tratou de erguer ali um forte. Era o meio de proteger contra as incursões desses índios as lavouras que começavam a formar-se nos arredores.

         – Que é mameluco? Continue lendo “Monteiro Lobato”

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As aventuras de Hans Staden

 Capítulos 5 e 6

 

05 – Reconhecimento da terra

         Quando a menina voltou, Dona Benta prosseguiu pausadamente:

         – Depois de alguma espera, começou a soprar bom vento. O navio deixou a angra, a fim de procurar o porto de Santa Catarina. Velejou para lá, mas o dia estava tão encoberto que não foi possível encontrar esse porto.

         Na manhã seguinte, enquanto os marinheiros rezavam a primeira oração do dia, formou-se uma tempestade. A escuridão ficou de breu. O piloto não sabia o que fazer, atrapalhado como se achava com as muitas ilhas ali existentes. Afinal enveredou ao acaso por detrás duma delas a fim de abrigar o navio. Foi feliz. Deu num porto excelente do qual pôde lançar âncora.

         Em seguida os marinheiros tomaram um bote e saíram a fazer um reconhecimento.

         Subiram por um canal, inspecionando as margens, a ver se descobriam alguma fumaça, indício certo de humanidade.

         Como a noite estivesse chegando, o capitão resolveu desembarcar numa ilhota próxima. Os marinheiros fizeram fogo para o jantar, que se compôs de palmitos cortados ali mesmo. Depois dormiram sossegados. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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