Monteiro Lobato

Dom Quixote das Crianças

Capítulos 13 e 14

 

13 – Combate com os carneiros

– Pobre Sancho! – exclamou Narizinho. – É possível que ainda pegue a ilha que Dom Quixote lhe prometeu – mas eu não queria uma ilha, nem que fosse a de Madagascar, por esse preço.

– Pois eu queria – contrariou a boneca.

– Está claro. Criaturas de pano, sem costelas, podem ser petecadas a vida inteira que não dói, nem quebra nada. Mas o pobre Sancho, apesar de gordinho, já devia andar com as costelas em pandarecos. Que adianta uma ilha para um homem descostelado?

O Visconde interveio corri a sua ciência.

– Isso de quebrar costelas não tem muita importância – disse ele. – Elas soldam-se. Muito mais perigoso é quebrar o crânio.

– Por quê? Crânio também solda. Todo osso solda – objetou Pedrinho.

– Sim, mas quando o crânio se quebra quase sempre a quebradura do osso espeta os miolos e o paciente fica de cérebro transtornado. Não se pode mexer no cérebro humano. Aquilo tem um tal arranjo, que qualquer desarranjinho provoca doenças horríveis –

loucuras, perda de memória, mil coisas. A maior maravilha que existe é o cérebro.

– É verdade – concordou Emília. – Tudo quanto há na Terra, feito pelos homens, sai dessa maravilha – as guerras, os crimes, as maluquices…

– Isso também não, Emília – disse Pedrinho. – Sai o mau e também o bom. Saem as invenções, saem as obras de arte, os livros como este… Continue lendo “Monteiro Lobato”

Lobato en Esperanto – 15

Don Kiĥoto por Infanoj

Ĉapitroj 11 kaj 12

 

11- Granda batalo kun mulistoj. Don Kiĥoto kaj Sanĉo ricevas bategojn

– La sekvantan tagon, tre frumatene, Don Kiĥoto kaj Sanĉo adiaŭis la bonajn kapristojn kaj ekiris sian vojon. Trairinte vastan arbaron, ili eliris en kampon, tra kiu fluis rivero kun klara akvo. La loko ŝajnis al ili tiel bela, ke ili deĉevaliĝis kaj liberigis la ĉevalojn, por ke ili libere paŝtiĝu.

Majstro kaj eskviro sidiĝis sur la dolĉa herbaro kaj malfermis sian selsakoj, ĉar la vespermanĝo de la antaŭa nokto jam estis digestita. Ili manĝis kun bona apetito. Fidante pri la bona humoro de Rosinante, Sanĉo ne malliberigis ĝin kaj el tio venis katastrofo, ĉar, kiam aro da bestoj aperis, la ĉevalo kuris por ludi kun ili. Tiuj ĉevaloj tamen malsatis; ili volis herbon kaj ne feston. Pro tio, per piedbatoj kaj mordoj, ili atakis la ostafaskon kaj rompis ĝian jungilaron. La posedantoj de la aliaj ĉevaloj tion vidis kaj alkuris al la entrudiĝanto. Nu, krom piedbatoj, ricevi batojn estis multe por la kompatinda Rosinante. Ĝi falis teren, tute vundita.

Antaŭ tia insulto, Don Kiĥoto prenis sian glavon kaj atakis la mulistojn, sekvata de Sanĉo kun klabo en la mano.

Okazis furioza batalo, kun glavofrapoj kaj bastonfrapoj. Finfine, venkitaj pro la granda kvanto da malamikoj, Sanĉo falis kaj Don Kiĥoto kolapsis apud la falinta Rosinante. La mulistoj, certaj pri tio, ke ili estis mortintaj, haste surĉevaliĝis kaj forkuris.

La unua, kiu rekonsciiĝis, estis Sanĉo. Li malfermis la okulojn. Kaj profunde ĝemis.

– Sinjoro Don Kiĥoto! Ho, Sinjoro Don Kiĥoto!…

– Kion vi volas de mi, amiko? – respondis la nobelo per malforta voĉo.

– Se vi povus doni al mi kelkajn gutojn de tiu balzamo de Fierabraso… Ĝi certe estas tiel bona por batoj per bastono kiel por vundoj de glavo. Continue lendo “Lobato en Esperanto – 15”

Monteiro Lobato

Dom Quixote das Crianças

Capítulos 11 e 12

 

11- Grande combate com arrieiros. Pancadaria em Dom Quíxote e Sancho

– No dia seguinte, bem madrugada, Dom Quixote e Sancho despediram-se dos bons cabreiros e puseram-se a caminho. Depois de atravessada uma extensa floresta, saíram num campo, através do qual corria um riacho de águas límpidas. Tão formoso lhes pareceu o sítio que apearam e soltaram as cavalgaduras para que pastassem livremente.

Amo e escudeiro sentaram-se na relva macia e abriram os alforjes, porque a ceia da véspera já estava digerida. Comeram com bom apetite. Confiado no bom gênio de Rocinante, Sancho deixou-o completamente solto – e disso veio desastre, porque, aparecendo um bando de animais, o cavalo correu a brincar com eles. Esses cavalos, porém, estavam com fome; queriam capim e não pândega; de modo que receberam o feixe de ossos a coices e mordidas, escangalhando-lhe os arreios. Os donos dos animais, vendo aquilo, correram de pau em cima do intruso. Ora, além de coices, receber pauladas era muito para Rocinante. O pobre cavalo caiu por terra, derreado.

Diante de tamanha ofensa, Dom Quixote empunhou a espada e investiu contra os arrieiros, seguido de Sancho de cacete em punho.

Travou-se renhidíssima peleja, onde houve espadeiradas e pauladas a valer. Por fim, vencidos pelo número, Sancho afocinhou e Dom Quixote foi estatelar-se junto ao escangalhado Rocinante. Os arrieiros, certos de que tinham dado cabo dos três, montaram precipitadamente em seus cavalos e fugiram.

Quem primeiro voltou a si foi Sancho. Abriu os olhos. Soltou um gemido profundo.

– Senhor Dom Quixote! Ah, Senhor Dom Quixote!…

– Que queres de mim, amigo? – respondeu com voz débil o fidalgo.

– Se me pudesse dar umas gotas do tal bálsamo de Ferrabrás. Há de ser tão bom para amassamento a pau como para ferimentos de espada. Continue lendo “Monteiro Lobato”