apolo e jacinto, 20

apolo e jacinto, 20.

dois cavaleiros brotaram no horizonte. um deles segura as rédeas de um terceiro animal, carregado com bolsas de couro, balançando. dentro das bolsas, pergaminhos e papéis com trechos desconhecidos, trocados com os monges por outros textos, copiados anteriormente por teófilo. cavalgam lentos. o caminho está úmido. a folhagem cresceu de repente. há grande quantidade de brotos novos. a chuva caíra sem cessar durante uma semana, contra a previsão dos mais novos e descrentes, que preferiam banir as superstições de seus mundos, mas garantindo as opiniões dos mais velhos, que acreditavam nos avisos misteriosos da mãe natureza.
ambos blasfemam e cantam. não. no começo, ambos blasfemavam e cantavam. depois, o vermezinho da dor penetrou de mansinho no coração do mais novo. e se apagou, aos poucos, o brilho de seu olhar, o riso fugiu e seu coração foi embrulhado num cobertor negro e triste. não adiantava o cantarolar das águas próximas. não bastava o desvairado canto dos pássaros coloridos que iam e vinham e iam, incansáveis, saltitantes, alegres e despreocupados. não. aquela luz, aquelas cintilações da natureza em absoluta exuberância, aquele azul estupendo, nada daquilo era suficiente. nem mesmo as gargalhadas de teófilo, quando atingia as partes mais obscenas das cantigas que descobrira nos manuscritos recém chegados ao mosteiro, misturadas a sacratíssimos e solenes hinos em honra de todos os santos conhecidos e outros de improvável existência. o olhar de alio era uma flor pendida, sem perfume e sem cor. borboletas não se arriscariam, abelhas não ousariam, nenhuma dessas pequeninas jóias aladas, joaninhas e besouros de faiscante metal, nenhuma, viria contornar sua cabeça pendida para entoar o zumbido da bem-aventurança.
teófilo, num repente, percebeu. freou o animal, procurou aflito uma árvore copada, virou o animal, Vamos ali!, e gritou, vamos ali!
alio desceu, deixou-se tombar mole e, ao se sentir seguro pelos braços do outro, fez cair a cabeça sobre seus ombros.
alio!, alio. o que houve? estava tudo tão bonito e alegre! o que houve?
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leonardo e bruno

foto de jorge teles
Canções diversas 13: LEONARDO E BRUNO

(nota: esta canção é de 29 de dezembro de 1977. Meus filhos moravam em Belo Horizonte; Leo ia fazer 7 anos; Bruno, tinha feito 5.)

foto de jorge teles


São dois pombinhos matreiros, 
dois travessos coelhinhos.
Dois meninos bagunceiros,
simpáticos e fofinhos.

Dia e noite fazem arte
da mais alta qualidade.
Farejando em toda parte,
procurando novidade.

Eu que fui mestre de muitos,
de vocês eu sou aluno.
Leonardo e Bruno,
Bruno e Leonardo,
Bruno e Leonardo,
Leonardo e Bruno.

Dois incansáveis ratinhos,
buscando o desconhecido.
Dormindo, são quietinhos,
Acordados, que alarido.

Naves de porto inseguro,
tão iguais, tão diferentes.
Dois caminhos, dois futuros
de esperanças sorridentes.

Não sei se entendem se digo,
são leve e pesado fardo.
Bruno e Leonardo,
Leonardo e Bruno,
Leonardo e Bruno,
Bruno e Leonardo.
 
foto de jorge teles
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apolono kaj hiakinto, 19

apolono kaj hiakinto , 19.

kion? kion vi diris?
ne venis tuja respondo. nur la spirado kiu akceliĝis, la korpo kiu moliĝis, la plorsingulto, kiu ekmalfermadis sian vojon, perfortante la kuraĝon de teofilo. li sentis sin maltrankvile, nervoze, angore luktanta kontraŭ iu nevidebla insekto je profunda kaj mortiga pikilo.
mi ne scias. mi ne scias, alio. ĉio konfuziĝis… mi ne scias tion, kio okazas. mi… mi ne volas penti. mi ne volas plu plori. mi ne komprenas tion, kion mi sentas.
ni foriru el ĉi tie. ankaŭ mi timas. alio moviĝis.
alio! ne forlasu min. mi bezonas vin. mia korpo tremas, mia koro skuiĝas, mi sentas la minacon de sekvado da hororoj, sed mi rezistas. mi volas rezisti. mi bezonas.
subite li eksidis sur la lito kaj violente tenis alion je la ŝultroj. alio ektimiĝis, provis karesi liajn manojn…
mi ne pentos. mi ne pentos! mi bezonas alkutimiĝi, mi bezonas kompreni tion, tio okazas! okazas!
kiam teofilo rimarkis ke la okuloj de alio montras perturbon, ke ĝia lumo agonias, li sentis ke io krevas interne de li.
mi pardonpetas, alio. ankaŭ vi suferas. pardonon.
mi ne scias tion, kiel vi komprenos tion de mi dirota. sed mi diras. mi ne sentas min bone, mi sentas iun premadon. sed mi estas feliĉa.
alio, mi bezonas vin. vi disponigis al mi grandegan konkeron.
alio klopodis por ne rideti. ne sukcesis. la rideto venis, kvazaŭ birdo kiu sidiĝas sur liaj lipoj, por pepi la kanzonon pri la feliĉo de tiuj lastaj tri noktoj.
mi volas ke vi bone komprenu min. ne estas konkero de via persono. ne vin mi konkeris. mi konkeris mian propran malkuraĝon! estas mia malkuraĝo, tio kion mi dresis, arestis kaj detruis. mi ne plu volas timi. tio estas venko, ja, ĉu vi komprenas?
alio rigardis malsupren.
mi ne plu timos. nun ĉio sin montras konfuza sed poste, mi opinias ke ĉio normaliĝos. mi pensas ke mi scias, pro kio, ĉio estas tiom konfuza.
alio levis la okulojn. teófilo ekrigardis lin, plena je senkonsolo. la lipoj de alio reeksplodigis la balonon:
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