Monteiro Lobato

A Chave do Tamanho

Capítulos 11 e 12

 

11 – No ninho do beija-flor

         O passeio de Emília pelos ares foi curto, porque todas as distâncias ficam curtas para a rapidez dos beija-flores. Aquele estava justamente acabando de construir o seu ninho num buraco da estrada, à beira da vila.

         Chegou lá, soltou o algodão e ajeitou-o com o bico em certo ponto do ninho.

         Depois afastou-se. Ia com certeza buscar os outros chumaços. Emília botou a cabecinha de fora e espiou. Um ninho enorme de diâmetro igual a cinco vezes a sua altura. Ovo não havia nenhum. Só paina de todos os lados. Emília estava a pensar no que fazer quando ouviu um barulho. Era o imenso beija-flor que voltava com outro chumaço no bico — o Juquinha. Na terceira viagem trouxe a Candoca. Emllia admirou-se de vê-la calada, mas aquele silêncio vinha dum aviso do Juquinha. “Se você continua a chorar, estes monstros descobrem o nosso mimetismo e adeus, Candoca!”

         Ela compreendera e calara-se.

         O lindo colibri arrumou do melhor jeito os dois algodões e acomodou-se no ninho. Era tarde já, hora das aves se recolherem. Emília ficou quietinha pensando. Não lhe passou pela cabeça falar com os companheiros. Muito distantes dela, além de que o beija flor podia perceber. Tratou de acomodar-se como melhor pôde e dormir. E dormiu a mais agradável noite de sua vida. Que deliciosa quenturinha! Continue lendo “Monteiro Lobato”

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Lobato en Esperanto – 12

La Ŝaltilo de la Grandeco

Ĉapitroj 9 kaj 10

 

9 – La medikamenta breto

         La medikamenta bretaro estis malgranda, kiel kutime, do la dua breto estis nur du spanojn for de la planko. Malgraŭ tio, por malgranduloj du spanoj estas same kiel duetaĝa domo. Emilja tamen supreniris. Ŝi trovis plurajn sekigitajn kadavrojn de muŝoj, papilioj, tineoj kaj eĉ eta lampiro.

         – Mi jam scias tion, pro kio la araneo ne estas ĉi tie, – ŝi diris. – Ĝi suĉis ĉi tiun lampiron kaj mortis pro la veneno. La eta lumo estas fosforo – terura veneno.

         Ŝia hipotezo pri la pina truo pravis. Estis unu kaj ĝuste ĉe la dua breto. Emilja pasis de la reto al la truo kaj saltetis al la breto. Ŝi falis ĝuste sur pastelo simila al aŭtomobila rado, blanka kiel lakto. Pilolo. Continue lendo “Lobato en Esperanto – 12”

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Monteiro Lobato

A Chave do Tamanho

Capítulos 9 e 10

 

9 – A estante dos remédios

         A estante dos remédios era das pequenas, como em geral as estantes de remédios, de modo que a segunda prateleira ficava a apenas dois palmos do chão. Mesmo assim, para criaturinhas daquele tamanho a altura de dois palmos era o mesmo que um sobrado. Emília, entretanto, foi subindo.

         Encontrou vários cadáveres secos de moscas, borboletinhas, traças e até o de um vaga-lume dos menores.

         — Já sei por que a aranha desta teia não está aqui — disse ela consigo. — Sugou este vaga-lume e morreu envenenada. Aquela luzinha dos vaga-lumes é fósforo — um veneno terrível.

         A sua hipótese do buraco do nó de pinho acertou. Lá estava um e bem na altura da segunda prateleira. Emília deu jeito, passou-se da teia para o buraco e com um pulinho saltou na prateleira. Caiu bem em cima duma roda de carro, branca como leite. Era um comprimido de Fontol. Continue lendo “Monteiro Lobato”

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