O Sítio… Oitava parte

REINAÇÕES  DE  NARIZINHO

Oitava Parte: O Irmão De Pinóquio

1 – O irmão de Pinóquio

            — Coitada de vovó! — disse um dia Narizinho. — De tanto contar histórias ficou que nem bagaço de caju; a gente espreme, espreme e não sai mais nem um pingo.

            Era a pura verdade aquilo — tão verdade que a boa senhora teve de escrever a um livreiro de São Paulo, pedindo que lhe mandasse quanto livro fosse aparecendo.

            O livreiro assim fez. Mandou um e depois outro e depois outro e por fim mandou o Pinóquio.

            — Viva! — exclamou Pedrinho quando o correio entregou o pacote.

            — Vou lê-lo para mim só, debaixo da jabuticabeira.

            — Alto lá! — interveio dona Benta. — Quem vai ler o Pinóquio para que todos ouçam, sou eu, e só lerei três capítulos por dia, de modo que o livro dure e nosso prazer se prolongue. A sabedoria da vida é essa.

            — Que pena! — murmurou o menino fazendo bico. — Não fosse a tal sabedoria da vida, que nunca vi mais gorda, e hoje mesmo eu dava conta do livro e ficava sabendo toda a história do Pinóquio. Mas não! Temos de ir na toada de carro de boi em dia de sol quente — nhen, nhen, nhen… Continue lendo “O Sítio… Oitava parte”

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O Sítio… Sétima parte

REINAÇÕES  DE  NARIZINHO

Sétima Parte: Cara De Coruja

1- Preparativos

            Dona Benta estava ensinando Pedrinho a cortar as unhas da mão direita quando Emília apareceu na porta e piscou para ele com os seus novos olhos de seda azul, feitos na véspera. Pedrinho respondeu a essa piscadela com outra, que na linguagem do “pisco” (como dizia a boneca) significava: “Que há de novo?”

            — Narizinho está chamando! — respondeu Emília, tão baixinho que dona Benta nada percebeu.

            — Para quê? — indagou o menino ainda na língua do “pisco”.

            — Para ajudá-la a arrumar a sala e salvar o Visconde.

            Desta vez dona Benta pilhou a palavra “arrumar” e, erguendo os óculos para testa, perguntou:

            — Que arrumação é essa, Pedrinho?

            — Não é nada, vovó. Uma simples festinha que vamos dar aos nossos amigos do País das Maravilhas. Continue lendo “O Sítio… Sétima parte”

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O Sítio… Sexta Parte

REINAÇÕES  DE  NARIZINHO

Sexta Parte: O Gato Felix

1 – A história do gato

            Narizinho não teve o gosto de salvar o príncipe. Quando chegou ao ribeirão do pomar, já nada viu por ali. Certa de que ele se havia salvado a si próprio voltou correndo para casa, ansiosa por conhecer as aventuras do gato Félix. Chegou, botou o gato no colo e disse:

            — Você tem que me contar a sua vida inteirinha, sabe?

            — Pois não — respondeu o gato. — Mas só sei contar histórias de noite. De dia perdem a graça.

            — Neste caso, vá dar um passeio e quando for de noite esteja aqui.

            O gato saiu, passeou pelo sítio inteiro, caçou três ratos e de noite voltou. Tia Nastácia acendeu o lampião da sala. Depois disse: — “É hora, gente!” Todos vieram postar-se em redor do ilustre personagem; dona Benta sentou-se na sua cadeirinha de pernas serradas; Narizinho e Pedrinho sentaram-se na rede; Emília foi para o colo da menina. Até o Visconde de Sabugosa quis ouvir as histórias. Narizinho teve dó do coitado; espanou-lhe o bolor e botou-o num canto da sala, dentro duma lata — para que não sujasse o chão com aquele pó verde. Logo que todos se acomodaram, Emília disse:

            — Comece, seu Félix! E o gato Félix começou.

            — Houve na França um gato muitíssimo ilustre, que era escudeiro do marquês de Carabás — tão ilustre que não há no mundo inteiro criança que o não conheça.

            — Até eu! — gritou Emília. — Era o tal Gato de Botas!… Continue lendo “O Sítio… Sexta Parte”

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